Público volta a ter Provedor dos Leitores

Depois de uma interrupção de quase dois anos, o Público vai ter de novo um Provedor dos Leitores. O jornal acaba de anunciar que a função vai ser assumida por José Paquete de Oliveira a partir dezembro.

A experiência do ‘ombudsman’ está presente na imprensa generalista portuguesa desde 1997. Nos média audiovisuais de serviço público existe desde 2006. Apesar de constituir uma figura muito relevante do ponto de vista da autorregulação dos jornalistas e profissionais dos média, a função do ‘ombudsman’ tem sido vista como uma atividade de eficácia duvidosa e de impacto modesto, uma atividade frágil por nela se refletirem várias adversidades: 1) a crise económica que afeta os meios de comunicação em geral; 2) o facto de os jornalistas, de um modo geral, não apreciarem ser questionados pelas suas práticas; 3) o fraco envolvimento dos próprios públicos que, ou desconhecem o papel do provedor ou se dispensam da atividade crítica; 4) a descrença numa atividade que se confunde ainda com uma estratégia de marketing. 

É neste quadro um sinal muito positivo o investimento feito agora pelo jornal Público no reatamento do cargo de Provedor dos Leitores. E uma escolha muito consistente a indicação de José Paquete de Oliveira para o lugar, não apenas pelo seu passado profissional como colaborador de vários órgãos da imprensa, mas também pelas suas preocupações académicas e pela experiência no cargo de Provedor do Telespetador que estreou em 2006.

 

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Nos olhos da rádio…

ImagemO jornalista Fernando Alves da TSF vai assinalar o Dia Mundial da Rádio, em Braga, no dia 13 de fevereiro à noite, numa iniciativa do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade. ‘Nos olhos da rádio’ é o mote desta tertúlia que visa promover uma conversa com o público sobre a maneira como a rádio dá a ver a atualidade.

Durante décadas a rádio foi o meio de comunicação que criou, para várias gerações, uma imagem do mundo e do que acontecia. Hoje, competindo com os meios audiovisuais, talvez mais dominados pela imagem do que pelo som, a rádio tem um duplo desafio: o de se reacomodar no ambiente da Internet e o de, ainda assim, continuar a ensinar-nos o prazer de ouvir. Refletir sobre estas oportunidades da rádio no século XXI é o objetivo desta tertúlia que conta com a presença especial de Fernando Alves, jornalista da TSF, e de Luis Miguel Pedrero, professor da Universidade Pontifícia de Salamanca.

O encontro é promovido pelo Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, da Universidade do Minho, e inscreve-se no âmbito das atividades do projeto de investigação ‘Estação NET: moldar a rádio para a web’ (financiado pela FCT). A partir das 21h00, a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva acolhe esta iniciativa que visa ainda assinalar o Dia Mundial da Rádio. A tertúlia é aberta ao público em geral.

CECS lança eBook sobre rádio

ImagemO CECS acaba de publicar o eBook Radio Evolution – conference proceedings, que resulta da realização do segundo congresso da secção de rádio da ECREA, no ano passado, na Universidade do Minho. O livro reúne mais de 40 artigos que procuram refletir sobre as transformações em curso no meio radiofónico, do ponto de vista da tecnologia, das audiências e dos conteúdos.

No texto de abertura desta publicação, Guy Starkey, que coordena esta secção da ECREA, insiste que «a rádio está realmente a evoluir, em termos que seriam inconcebíveis para os nossos antecessores, e os conteúdos radiofónicos estão hoje disponíveis em várias formas e plataformas» (p.1). Contrariando, portanto, perspetivas mais negativistas que tendem a anunciar a morte da rádio, este eBook apresenta-se como uma proposta para reforçar o olhar a um meio que integra a história dos media há praticamente um século, com a gentileza e a generosidade de pouco reclamar de quem o ouve.

O acesso ao eBook integral é gratuito.

Madalena Oliveira

Opinião ou marketing?

O jornal Público publica hoje, na secção de Espaço Público, um artigo intitulado ‘Construir a universidade do futuro’ (página 47). O título interessou-me e li o texto com expectativa sobre o anunciado debate sobre o ensino superior (é isto que se lê na linha que sucede o título – Debate Ensino Superior). Acontece que, depois de meia dúzia de linhas com ideias genéricas sobre o que deve ser a chamada universidade do futuro, o autor mais não faz do que a promoção de um investimento que a Laureate International Universities fez no ISLA – campus de Lisboa. O autor do artigo, Nélson Santos de Brito, é simplesmente o diretor-geral da Laureate International Universities para Portugal.

Muito haveria para debater sobre as afirmações do autor e sobre o modo como projeta a universidade do futuro, que, na sua opinião, «deve fundamentar a sua existência em três ideias fundamentais»: 1) valorização da mobilidade dos estudantes; 2) proximidade ao mundo empresarial; 3) a conversão do ensino num setor de ponta. Embora sejam ideias discutíveis, é outra coisa que me preocupa ao ler este artigo, cujo teor se fixa, destes princípios em diante, numa ação de propaganda àquilo que o autor chama de ‘ambicioso projeto’. O que é a opinião de interesse jornalístico? É a este tipo de textos que deve corresponder o género jornalístico opinião? A ações de marketing? Onde fica o genuíno e descomprometido debate de ideias?

O jornal Público chama a esta secção ‘Espaço Público’, mas todos sabemos que estas são as páginas votadas ao género opinião (como é, aliás, assinalado na versão online do ‘jornal do dia’). Por isso, esperar-se-ia que estas páginas finais das edições impressas fossem dedicadas a textos que realmente promovessem o debate crítico de ideias e a expressão de pensamento e provocações que aptas a estimular a reflexão individual dos leitores. Pergunto-me, pois, que critérios tem, afinal, esta editoria do Público para selecionar os chamados opinion makers a quem dá espaço?

Madalena Oliveira

Portugal, Cabo Verde e Brasil ligados pela rádio

A Rádio Ás é um projeto de webrádio comunitária que se define pela ligação de três municípios de língua portuguesa: Aveiro (Portugal), Santa Cruz (Cabo Verde) e São Bernardo do Campo (Brasil). Com objetivos muito ambiciosos, que vão desde a promoção da participação cívica no espaço público ao reforço da coesão da comunidade, este projeto tem ainda o mérito de estimular o multiculturalismo no espaço lusófono.
A Rádio Ás tem uma programação exclusivamente online aberta a novos contributos que podem submeter uma inscrição no site deste projeto. Aí está uma ideia interessante – que acabo de descobrir – para dois propósitos originais: potenciar a versatilidade da rádio e celebrar a sonoridade da língua portuguesa.

Madalena Oliveira

Hoje correu mal… [Atualização – 13/08]

Ontem, quando anotei neste blogue a imagem destas páginas do jornal Público, não tinha alcançado que significavam alguma coisa. Havia reparado na legenda e procurado no resto do jornal algo que me explicasse o propósito. Não encontrei. Porque as coisas também não estão sempre necessariamente onde as procuramos. Estão também nos nossos olhos. E ontem os meus olhos não viram propriamente arte neste espaço. Era aí que estava a justificação para a inversão das páginas 33 e 36.

A legenda das páginas, na posição correta, não era, para mim, suficientemente esclarecedora. Dizia ‘Este projeto inédito…’, mas nada fazia perceber suficientemente, pelo menos para mim, que ‘este projeto’ era o efeito encontrado naquelas páginas. Nem em nenhum outro espaço do jornal se faz referência ao que era suposto ‘ler-se’ ali. Por outro lado, a numeração das páginas salta da 33 para a 36.

O que se publicou ontem nas eventuais páginas 34 e 35 deu-me jeito para explicar a uma criança o modo como se fazia a composição por tipos (coisa que, em criança, vi fazer o meu pai, que era tipógrafo e com quem aprendi a ler texto invertido). Foi, aliás, uma fonte de divertimento com leitura do jornal ao espelho! Mas do ponto de vista semiótico aquelas páginas também foram fonte de equívoco, para quem, como eu, não soube lê-las como arte.

Leio habitualmente o Público na sua edição online, de que sou assinante. Por essa razão, não acompanhei devidamente a iniciativa do jornal, de oferecer estas duas páginas a um artista por semana. A leitura online é menos linear, mais fragmentada, mais seletiva, talvez menos atenta ou mais imaterial, porque lhe falta o toque do papel. Também por isso, e pensando naqueles que, como eu, ontem optaram pelo papel, tenho para mim que o jornal deveria ter sido mais claro ontem sobre o que vinha nessas páginas. Será impertinência? Será. Será ignorância artística a minha? Será. A pessoa que ontem me chamou a atenção para este post sugeria-me que o título ‘Hoje podia ter corrido mal’ seria talvez mais adequado. Admito que sim, mas ontem, no meu entender, algo correu mesmo mal!

Madalena Oliveira

A rádio também é nome de rua…


… em Maputo, a capital de um país onde a TV chega apenas a 27% da população e a rádio, o meio de mais fácil acesso, a 57% dos moçambicanos.

Madalena Oliveira