A Babel da Internet

Não é fácil definir e aplicar uma metodológica robusta para posicionar os idiomas, tal como se manifestam na Internet. A Internet World Stats faz aqui um exercício, explicitando os critérios utilizados:

Perplexidade em torno de uma recusa

Esclareçamos, desde o início dois pontos: há vários nomes capazes de exercer o cargo de provedor do telespectador da RTP e a votação em urna fechada da proposta do nome de Felisbela Lopes, apresentado pelo Conselho de Administração da RTP ao Conselho de Opinião não pode ser questionado na sua legitimidade.
Mas, dito isto, é-nos permitido -e diria até que exigido – a nós, cidadãos e observadores do que se passa, que demos conta das nossas perplexidades.
Não é fácil encontrar alguém com o currículo de Felisbela Lopes, naquilo que o cargo exige: conhecimento profundo do meio televisivo, experiência dos estúdios, capacidade de comunicar, defesa do serviço público, coerência e princípios éticos na actuação.
Estamos, pois, expectantes, relativamente à justificação que o Conselho de Opinião da RTP vai apresentar (se é que ainda não apresentou).
Motivos que vieram a público, alegadamente assumidos por alguns conselheiros, ridicularizariam o Conselho, se acaso viessem a sustentar a posição maioritária negativa adoptada por aquele órgão. Não faz sentido, tanto quanto vejo, dizer-se que a pessoa proposta não teria a maturidade suficiente para ‘afrontar’ a administração, na medida em que os interlocutores das matérias com que lida o provedor ou provedora são, antes de mais, os directores de informação e de programação.
Muito mais grave é a sugestão de que o argumento da idade possa ter, de qualquer modo, pesado na decisão. Tal argumento, além de grosseiro e injusto, é completamente ilegal. Indo por aí, só faltaria acrescentar que se trata de uma mulher e que, além do mais, vem do Norte – de Braga, para cúmulo.
Aguardemos pelos desenvolvimentos deste caso estranho (pelo menos até se conhecer a fundamentação da posição negativa do Conselho de Opinião). Seria lamentável que, depois do trabalho de qualidade do Prof. Paquete de Oliveira, enquanto primeiro provedor do telespectador, assistíssemos agora, na escolha do seu sucessor, a qualquer tipo de politização do cargo ou à adopção de vias e de lógicas que não sejam as da transparência e da competência.

Memória de “sete dias que abalaram o Porto”

Uma exposição com imagens captadas pelos jornalistas Pereira de Sousa e Bruno Neves entre a manhã da Revolução e os festejos do 1.º de Maio de 1974, na Avenida dos Aliados, no Porto, estarão patentes ao público a partir de sexta-feira e até 2 de Maio. A iniciativa é do Sindicato dos Jornalistas que assim assinala o 36º aniversário do 25 de Abril e o fim de 48 anos de censura à imprensa, quando, finalmente, “os jornalistas puderam cumprir livremente a sua função de informar”.
O retrato do golpe militar, com a ocupação do Aeroporto do Porto, do Rádio Clube Português, e a movimentação do povo, que foi tomando conta das ruas e, particularmente a ocupação da delegação da Direcção Geral de Segurança (ex-PIDE) e o 1º de Maio são alguns dos momentos retratados.
Nesta sexta-feira, a partir das 21.3o, decorre no Ateneu Comercial do Porto um encontro entre o historiador Gaspar Martins Pereira e o jornalista Manuel Dias, além do presidente do Sindicato dos Jornalistas, Alfredo Maia, e dos dois autores das imagens. Este encontro, de entrada livre, será “pretexto para uma reflexão sobre aqueles sete dias que abalaram o Porto, quando a Revolução chegou às ruas”.

Provedores contribuem para a qualidade do jornalismo

Há vários tipos de provedores ou vários modos de entender e praticar a função. Mas aqueles que se assumem como instância de análise e de crítica do jornalismo representam um contributo para a qualidade do jornalismo. Esta poderia ser uma das conclusões de um extenso estudo que acaba de ser publicado pela Netherlands Media Ombudsman Foundation, que se baseou na análise de colunas de provedores na Holanda e num questionário respondido por provedores de diversos países.
O estudo, intitulado “The News Ombudsman – Watchdog or Decoy?”, sublinha algumas pressões a que esta função se encontra submetida, especialmente nos últimos anos: a passagem de uma preocupação ético-deontológica para uma ponderação de natureza jurídico-legal; a pressão dos blogs e outras formas de escrutínio que levam alguns a concluir que os provedores representam uma função obsoleta face à interactividade dos novos media; e também porque a redução de gastos leva algumas empresas a não ver com bons olhos ocupar um jornalista sénior nestas funções.
Apesar destas tendências, os autores do estudo entendem que os provedores podem reforçar a qualidade do jornalismo. “Na medida em que os jornalistas têm presente que alguém está atento ao seu trabalho no dia a dia e a tomar a sério as queixas dos consumidores relativamente ao produto jornalístico, isso gera um impulso no sentido da qualidade”, acentua o trabalho.
Mas, ao mesmo tempo, há que sublinhar não apenas que o número de provedores tem vindo a cair (especialmente nos Estados Unidos), mas também – e esta é uma aparente tendência que o estudo ressalta – “o número de provedores verdadeiramente independentes e que analisam criticamente o seu produto mediático representam uma pequena minoria”.

Para ler o relatório:
Huub Evers; Harmen Groenhart; Jan van Groesen (2010) The News Ombudsman – Watchdog or decoy? [ISBN 97890 79700 20 2]

Panorama da audiência de imprensa

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Acabam de ser conhecidos os dados do Bareme Imprensa relativos ao primeiro trimestre de 2010, divulgados pela Marktest.
A tendência continua a ser a da queda, ainda que haja situações diversas. As quedas maiores são as do DN e do 24 Horas. As subidas mais acentuadas são as do Sol e as da revista Sábado. O diário ‘i’, que foi auditado pela primeira vez e que hoje mesmo viu o seu director apresentar a demissão, surge com uma audiência de 1,4%.

Transformações da cultura na era digital


Este é um livro digital que acaba de ser disponibilizado pela Universidade de Tartu (Estónia). “Transforming Culture in the Digital Age” incorpora as actas da conferência internacional que, sob este mesmo título, decorreu esta semana naquela instituição, e que hoje terminam.
Transcreve-se da introdução ao livro:

“The increasing digitalisation is posing many different challenges related to a series of cultural transformations: technical, organisational, practice related and mental. In the current collection of articles, the focus of the transformations is on the intersections of individuals and institutions, and users and producers of culture. Many authors indicate that the roles of the user and the producer are becoming more intertwined and that it is becoming increasingly difficult to separate one from the other. This has also affected the cultural and heritage institutions as their role in the society is under consideration. In this collection of papers, a number of texts look critically at the hypothetical intermingling of processes and attempt to analyse to what extent hopes are being realised. The collection also looks at the active role of the heritage institutions in creating new digital environments, where the different users are often taken into consideration, in many different ways. In addition, many texts here analyse the changes that have occurred in cultural practices – the emergence of new forms in art and literature, the changes in the role of authorship, the broadening concepts of literature and art. The book is a collection of 56 articles that represent the diversity and intellectual efforts of a three-day conference which took place in Tartu 14-16 April, 2010.”

[Para ler o livro: AQUI]

Confiança:fraca no Governo e nos media

Foram ontem conhecidas as conclusões do estudo Edelman Trust Barometer, que se realiza há dez anos e inclui pela primeira vez Portugal. A confiança dos portugueses inquiridos nas instituições é razoável no que diz respeito às ONGs. Já relativamente ao Governo e à comunicação social…
Convém referir que não é rigoroso falar-se, neste caso, da “confiança dos portugueses”, visto que as 203 entrevistas feitas entre nós incidiram sobre licenciados de rendimentos do quartil superior e utilizadores praticamente diários da informação, sobretudo económica e política. Em todo um caso, é um retrato a considerar.


Fonte:Grupo GCI
Ver também: Portugueses não confiam no Governo, na banca e na comunicação social