Primeira fase de inscrições na Escola de Verão da SOPCOM termina amanhã

Amanhã, dia 31 de Maio de 2012, termina a primeira fase de inscrições na Escola de Verão da SOPCOM (Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação), subordinada ao tema “Metodologias de Investigação em Ciências da Comunicação”.

A iniciativa decorrerá no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), em Lisboa, nos dias 9 a 13 de Julho.

Os preços da inscrição são os seguintes:

Inscrição até dia 31/05/2012

Alunos do 1º, 2º e 3º Ciclos de Estudos – 75 Euros

Investigadores, Profissionais e Outros – 100 Euros

Inscrição após 31/05/2012

Alunos do 1º, 2º e 3º Ciclos de Estudos – 125 Euros

Investigadores, Profissionais e Outros – 150 Euros

A inscrição é feita online no site do evento, após a qual o participante recebe um e-mail de confirmação.

Mariana Lameiras

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A economia, a publicidade e o jornalismo

Num texto que estará disponível publicado esta tarde (link a indicar), Manuel Pinto diz, a propósito do ‘caso Relvas’, que importa não desligar nenhum dos incidentes da circunstância de tudo acontecer num momento de enorme fragilidade dos média nacionais:

“É cada vez mais urgente tornar o universo dos média – a quem cabe representar os diferentes campos sociais – muito mais transparente do que tem sido. Quem possui o quê; quem quer comprar e quem quer vender; que interesses representam os agentes que protagonizam as operações de que se vai sabendo de forma fragmentária e muito incompleta. Se o jornalismo não virar as atenções para os bastidores do campo mediático, perdemos todos, incluindo o próprio jornalismo.”

Em tempos assim, em que a sustentabilidade dos grupos, das empresas, dos negócios, está na corda bamba e se joga todos os dias, em cada decisão, o espaço para a eventual supremacia de critérios editoriais estreita-se. Os jornalistas são exatamente os mesmos mas a sua margem de manobra (editorial mas também pessoal) ganha contornos menos exatos e, sobretudo, menos estáveis.
O ‘caso Relvas’ levanta a tampa que cobre um território muito pouco saudável onde se cruzam influências de grandes grupos económicos, de políticos com poder executivo, de entidades policiais do Estado e de organizações semi-secretas. Os jornalistas aproximam-se a estes universos em posição muito pouco sólida – podem ver o seu trabalho rejeitado por responsáveis editoriais que têm ainda mais a perder do que eles, podem dar-se conta de que são espiados pelo Estado em favor de interesses privados e podem, finalmente, ser ameaçados diretamente por um ministro sem que isso redunde no apoio imediato, inequívoco e vocal das empresas para quem trabalham.

Mas, como bem diz ainda o Manuel Pinto, a política não é o único espaço em que se percebe esta pouco saudável fragilidade da profissão; é cada vez mais fácil detetar, sobretudo na televisão e na imprensa, trabalhos que em tempos seriam claramente identificados como conteúdos publicitários (a Publireportagem) e que agora adotam uma natureza mais híbrida e mais complexa – servindo, porventura, melhor o interesse da auto-justificação mas acrescentando deliberadamente ruído a uma relação com os consumidores de média.

Exemplos recentes – a presença desmedida do Rock in Rio nos blocos informativos da SIC e este caso de uma atividade comercial que aparece publicitada no site do JN e que encontra cobertura jornalística na Notícias Magazine do passado fim de semana (e correspondente destaque na primeira página da edição de domingo).

O jornalismo nacional vive, por estes dias, num espartilho que está longe de garantir aos profissionais o espaço de liberdade que a Constituição lhes reconhece para, no interesse de todos, tornar mais transparente e partilhada a vida pública. Amarfanhá-lo em teias de influências ou em práticas de natureza pouco clara pode, a curto prazo, servir os propósitos de alguns mas descola, de vez, o jornalismo da sua principal razão de ser.

Comentários online, responsabilidade e moderação

A ERC recomendou ao Diário de Notícias que proceda à moderação de comentários nas notícias publicadas na edição online. Tal como o Luís tinha aqui comentado, a opção do jornal era pela livre publicação, numa demissão do exercício de moderação que também deve fazer parte das funções editoriais. A questão que agora se coloca é se este debate se vai espraiar pelas restantes plataformas online, nomeadamente nos blogues. Será aqui também exígivel aos autores que exerçam uma função equilibradora em função da ética e da deontologia? E já agora, que ética e que deontologia? Entre a defesa da liberdade de expressão e o respeito por alguns direitos fundamentais, há um equilíbrio (ainda) por definir e exercitar. Participação e responsabilidade caminham juntas, mas às vezes há um fosso a separá-las.  

Políticas para a comunicação digital – e-book

Já está disponível o e-book “Digital Communication Polices in the Information Society Promotion Stage”, editado por Sérgio Denicoli e Helena Sousa, investigadores do CECS e colaboradores deste blog.
Os artigos foram escritos por investigadores de Portugal, Reino Unido, Brasil, Grécia, Irlanda, Itália e Polónia. Entre os temas abordados estão a TV digital e Web TV, rádio digital, educação e cinema.
O download pode ser feito gratuitamente AQUI

Doutoramento em Ciências da Comunicação – candidaturas

Abrem, na próxima segunda-feira (21 de Maio), as candidaturas ao Curso de Doutoramento em Ciências da Comunicação da Universidade do Minho para o ano lectivo 2012/2013.

Actualmente com 110 alunos inscritos, o Programa de Doutoramento em Ciências da Comunicação abre, este ano, mais 20 vagas para estudantes nacionais e estrangeiros, recomendando vivamente que os estudantes que precisam de visto se candidatem na primeira fase de candidaturas que agora arranca.
Com cerca de duas dezenas de possibilidades de áreas de especialização, a edição 2012/2013 tem a novidade de permitir a dispensa da componente lectiva aos estudantes que têm percursos relevantes em termos de publicação científica.
Tal como tem acontecido no passado, o Curso de Doutoramento visa potenciar investigação científica original e capaz de dar resposta às necessidades de pesquisa fundamental e aplicada com particular incidência no país e no mundo Lusófono e ibero-americano. Os estudantes externos a estas áreas culturais terão acompanhamento tutorial nas respectivas línguas.

O enquadramento

Duas primeiras páginas de dois dos principais diários nacionais recorrem hoje à mesma foto a fotos muito semelhantes – testemunho do primeiro encontro entre Merkl e Hollande.
O enquadramento escolhido, porém, sugere-nos duas leituras distintas, não é?

Imagem

Nota: Alteração feita ao post na sequência de uma conversa no grupo J&C do Facebook. Não se trata, de facto, de uma mesma foto com enquadramentos distintos, mas antes de duas fotos tiradas quase ao mesmo tempo. Mantem-se, ainda que por outras razões, a pergunta: o que ditou as opções editoriais de cada um dos diários?

A liberdade de imprensa e a cidadania

Jornalismo livre e liberdade de imprensa e de expressão são como duas faces da mesma moeda. Contudo, a defesa e promoção destes dois pilares das democracias está longe de ser um mero problema entre os jornalistas e os governos, ainda que passe bastante por aí.
As ameaças à liberdade vêm de diferentes tipos de poder, de que o poder económico-financeiro não será certamente o menor. Uma das formas de comprometer a liberdade é esterilizar o jornalismo, através da parcialidade, do enviesamento, do silêncio, da diversão, da coscuvilhice, do empanturramento, para não falar da falta de investigação e de verificação. Nuns casos as pressões vêm de fora, noutros procedem do interior do próprio campo jornalístico.
Hoje, há outros desafios que advêm da multiplicação das vozes no espaço público, da produção (informativa, textual, visual e sonora) de pessoas que, cada qual a partir do seu ponto de observação e dos seus interesses, partilham, comentam, observam, criticam e aplaudem. Que relações instituir entre estas novas vozes e aqueles a quem cabia, tradicionalmente, nas palavras de Bourdieu, o privilégio do acesso à palavra pública e o papel da mediação dos diferentes campos sociais? Como se redefine o lugar do jornalismo face a estes novos actores?
Supondo que a solução não passa por desqualificar as novas formas de participação, como se pode, por outro lado, promover a qualidade dessas vozes, tradicionais e mais recentes, de modo que o resultado tenda a ser mais uma conversação social do que uma vozearia onde ninguém se entende? E como envolver mais cidadãos, proporcionando-lhes competências, conhecimentos e oportunidades de maior participação?
Mais ainda: não será importante que quem publica e edita no espaço público aprenda muitas das normas deontológicas que até há pouco eram apanágio dos jornalistas e que hoje faz sentido serem mais socializadas?
Por tudo isto – ou também por tudo isto – faz sentido que o Dia Com os Media, que hoje decorre em Portugal ocorra no dia da Liberdade de Imprensa. Não para se sobrepor ou para usurpar a liberdade, mas para lhe dar um novo horizonte um sentido mais partilhado.