Defesa do jornalismo é problema de cidadania

No momento em que, ontem, recebia o Grande Prémio Gazeta de Jornalismo 2009 por uma reportagem sobre a vida de Joaquim Ferreira Torres,o jornalista Miguel Carvalho achou por bem dizer isto (intervenção completa aqui):

“(…) acima de tudo, entendo este prémio como uma homenagem à Imprensa escrita e a todos aqueles que, de Norte a Sul, por vezes enfrentando a mais ignóbil falta de escrúpulos e de meios, se recusam a escrever sem sombra de paixão.
Quero, de resto, dedicar este Prémio Gazeta a todos os camaradas de profissão que, mesmo perante os ventos do avesso, continuam firmes na defesa de um jornalismo com memória, identidade e responsabilidade.
Os tempos não estão fáceis também para nós, jornalistas.
Há quem, sem qualquer ligação ao meio e a esta nobre profissão, pretenda impor-nos um jornalismo low-cost, padronizado, feito de Portugal sentado e idolatrias do óbvio, montado, cada vez mais, numa desumanização galopante.
Mas a defesa do jornalismo, a sua independência e responsabilidade, não é um problema de jornalistas. É um problema de cidadania. E deveria ser uma causa de todos nós. A dignificação do jornalismo e dos seus profissionais é uma garantida de sociedades mais fortes, exigentes e pluralistas.
Um jornalismo mercantil, fragilizado, precário e acessório, ao sabor de imediatismos e de modas é um risco tremendo para a democracia e as liberdades.
Eu sei que o jornalista não pode mudar o mundo.
Mas continuo a pensar que é nosso dever tentar exercer a profissão como se isso fosse possível
E para isso não basta ser livre. É preciso ter coragem.
Se não cuidarmos do que lemos, do que escrevemos e do que transmitimos, estaremos a contribuir para que se cumpra, sem volta atrás, uma velha sentença do escritor Mário de Carvalho: «Um jornalismo cão há-de merecer um mundo cão».”

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