“Inquietações dos ciberjornalistas” numa aula aberta

“Inquietações dos ciberjornalistas no actual quadro de convergência dos media” é o tema da aula aberta que o Prof. Xosé Lopez Garcia, Professor da Universidade de Santiago de Compostela, dará na próxima sexta-feira, dia 26, a partir das 10 horas, na sala de actos do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho (Campus de Gualtar), em Braga.
Na ocasião serão apresentados alguns resultados de uma investigação precisamente sobre a convergência dos media e o seu impacto no jornalismo, que vai ser brevemente publicada em livro e que resulta de uma pesquisa de várias equipas de investigação de diferentes universidades espanholas.
A iniciativa insere-se nas actividades do Curso de Doutoramento em Ciências da Comunicação e do Centro de estudos de Comunicação e Sociedade. A entrada é livre.

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Novo livro: “A Interacção Argumentativa”

Acaba de sair, na colecção “Comunicação e Sociedade”, o trabalho de Rui Alexandre Grácio, intitulado “Interacção Argumentativa”.
Pode ler-se, na sinopse desta breve publicação:
“Não é uma simples iniciação ao campo da teoria da argumentação e às suas principais questões, concepções e controvérsias. É uma verdadeira reformulação desse campo, um pensamento original, uma nova tese aqui apresentada pela primeira vez na articulação sistemática dos seus traços fundamentais. Uma tese que propõe uma redefinição do próprio objecto da disciplina, um recorte inovador das situações e práticas argumentativas, e que extrai do confronto crítico com todas as teses relevantes nesse domínio, da antiguidade grega até às correntes actuais, a sua ambição como teoria geral da argumentação”.
O índice desta obra da colecção do Centro de Estudos da Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, obra pode ser consultado aqui.

Como se identificam os telespectadores com os canais?

A Marktest Audimetria/MediaMonitor acaba de divulgar dados que se revelam importantes para perceber os graus de afinidade dos telespectadores com cada um dos canais de sinal aberto, discriminados por um conjunto de variáveis sociodemográficas (estes dados estão disponíveis no Anuário de Media & Publicidade 2009 da Marktest).

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Ler a complexidade do mundo

Em momento de aniversário, o Público renova a aposta na figura do Provedor do Leitor. José Queirós, que ontem publicou a sua primeira crónica, definiu como traço distintivo do jornalismo de qualidade “a capacidade de descodificar, com honestidade e competência, as opacidades e complexidades do mundo em que vivemos, para que cada um de nós possa, com mais conhecimento, formar a sua própria opinião de cidadão livre”.
Oxalá o Público – e, como ele, outros media que querem fazer jornalismo de qualidade – persiga sem cedências tal objectivo. Na verdade, a quantidade de informação circulante, o emaranhado das situações a que ela se reporta e o desguarnecimento da maior parte de nós para a avaliar e filtrar tornam esse trabalho de ajudar a interpretar o mundo uma das missões mais nobres e necessárias do jornalismo, nos nossos dias.
Ao surgir, em 1990, o Público introduziu uma respiração nova na imprensa portuguesa. E, em geral, a trajectória feita não desmerece dos propósitos de rigor e inovação iniciais, ainda que o ar fresco inicial tenha perdido, em mais de uma ocasião, o seu vigor. Mas é justo sublinhar o quanto de positivo o jornal nos deu e desejar que melhore sempre o seu modo de fazer jornalismo.
Há dois aspectos, nestas duas décadas de vida, que não foram devidamente evidenciados.
O primeiro refere-se ao facto de o jornal se acantonar numa elite política, económica e cultural e quase nunca ter conseguido afirmar-se como negócio rentável. Isto significa que, salvaguardado o que pode depender da crise geral da imprensa e das opções quotidianas do próprio diário, a sociedade portuguesa não se tem revelado capaz de alimentar e fazer crescer um projecto como o Público.
O segundo aspecto refere-se ao programa “Público na Escola”, que faz também agora 20 anos e que é já o mais persistente caso de aposta na Educação para os Media por parte de um meio de comunicação social português. Apoia iniciativas das escolas que promovem a relação crítica e esclarecida dos alunos com a informação de actualidade. Ou seja, procura ajudar a promover “a capacidade de descodificar, com honestidade e competência, as opacidades e complexidades do mundo” – tarefa em que os media de qualidade e as escolas se deveriam encontrar de mãos dadas.

[Texto publicado na edição de 8.3.2010 do Página 1]

Novo Provedor no PÚBLICO

Experiência metajornalística por excelência, a actividade do Provedor do Leitor tende a inclinar-se para a análise, caso a caso, da prática jornalística. É a este exercício que o jornal PÚBLICO regressa a partir de hoje, com José Queirós, o novo Provedor, que, na coluna de estreia, reconhece que

«A tão torpedeada deontologia do jornalismo, sendo um quadro de referência indispensável, está longe de ser uma ciência exacta.»

Sugestão

… sobretudo para quem estiver na capital… dia 11 de Março, na Hemeroteca Municipal de Lisboa, realiza-se uma conferência intitulada “Para a História do Jornalismo Lisboeta do Século XIX: A Semana de Lisboa (1893-95)”. Por Álvaro Costa de Matos, às 18h00, na Sala dos Espelhos.

O Haiti como pretexto metajornalístico

Num texto de 2003, Dominique Wolton referia-se à “frágil vitória” dos jornalistas, profissionais que reconhecia como “heróis frágeis da modernidade”. Sobre eles pesa, de facto, a realidade de um ofício condicionado pela retórica da sedução que define em geral as organizações mediáticas, pelos interesses difusos de um público fragmentado e, por consequência, pela tensão permanente de actuar no presente. Mas os jornalistas pretendem-se, sobretudo, como testemunhas da história. Emprestam-nos o olhar e são, em certa medida, os sentidos com que estamos entregues ao mundo. O mesmo olhar com que estivemos recentemente no Haiti ou com que estamos ainda na Madeira e no Chile.

Como deve, porém, ser este olhar? Podem mesmo nestes contextos de catástrofe ser os jornalistas «bravos rapazes», como dizia Balzac, e entregar-se simplesmente ao mundo que estão a reportar? Que diferença deve haver entre o testemunho de um jornalista e o testemunho de um cidadão comum? É suposto que os jornalistas sejam vistos como “repórteres-heróis”?

Num excelente trabalho metajornalístico, a jornalista Maria João Cunha preparou para a Rádio Renascença uma reportagem que pretende precisamente ser uma reflexão sobre o jornalismo em catástrofes. Um imperdível exercício de discussão do papel dos jornalistas, feito a partir do modo como se olhou a tragédia do Haiti… (para ver a reportagem, clicar sobre a imagem)