Telecinco abriu site

telecincoJá se encontra acessível o site da Telecinco, a empresa que apresentou uma das duas candidaturas ao quinto canal de televisão em sinal aberto.
O site inclui informações sobre a entidade promotora do canal, alguns dados sobre o projecto em apreciação na ERC, um blogue e informações acerca da política de recrutamento de pessoal.
Fica-se a saber que, caso a licença seja atribuída à Telecinco SA, a formação dos profissionais será asseguarda pelo INA – Institut National de l’Audiovisual, de Paris.

CECS recruta técnico de investigação

O Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) vai abrir concurso para uma bolsa de Técnico de Investigação, para ter início em 1 de Maio e com duração de um ano, eventualmente renovável.
Este posto de trabalho destina-se, nomeadamente, a apoiar o funcionamento e gestão de um laboratório, nomeadamente na utilização de recursos de bases de dados para apoio aos projectos de investigação e no desenvolvimento da linha de edições digitais do CECS (revista científica, colecção editorial e working papers). Outras funções passarão pela dinamização de diferentes modalidades de informação e divulgação quer interna quer externa, cuidando, em particular da actualização e dinamização do site do CECS.
Mais informações, em especial quanto a requisitos e prazos: AQUI.

“Antídotos contra o ódio e o terror”

chaplin“Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror. Os bons filmes constituem uma linguagem internacional, respondem às necessidades que os homens têm de alegria, de piedade e de compreensão. São um meio de dissipar a onda de angústia e de medo que invade o mundo de hoje…
Se pudéssemos pelo menos trocar entre as nações, em grande quantidade, os filmes que não constituem uma propaganda agressiva, mas que falam a linguagem simples dos homens e das mulheres simples … isso poderia contribuir para salvar o mundo do desastre”.

Charles Chaplin
(Epígrafe de um dos muitos trabalhos de alunos, em que tenho ocupado estes dias e noites)

Sarkozy injecta mais 200 milhões na imprensa

Numa altura em que até os mais liberais são forçados (ainda que entre-dentes) a pronunciar a palavra ‘nacionalização’ (e variações, consoante o grau de intervenção dos estados) quase deixamos passar despercebida a mais recente iniciativa do Estado francês para salvar a imprensa.

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O presidente Nicolas Sarkozy anunciou há dias a injecção de mais 200 milhões de euros (para além dos cerca de 280 milhões já atribuídos) na economia da imprensa (escrita e online), através de incentivos fiscais e da duplicação do investimento publicitário.
O apoio excepcional terá uma duração de 3 anos e inclui ainda uma medida emblemática – todos os franceses com 18 anos de idade vão poder aceder a uma assinatura anual de uma qualquer publicação à sua escolha.

Boa ou má ideia?

Todas essas ‘não-notícias’

“Só ontem, foi anunciado, por várias empresas multinacionais, um conjunto de despedimentos que equivalerá à perda de 70 mil postos de trabalho. (…) A segunda-feira negra do emprego, como ontem já se lhe chamava apenas revela uma pequeníssima parte do que está a acontecer. É menos do que a ponta emersa do iceberg, pois deverá representar bem menos de um décimo dos empregos que estão a desaparecer um pouco por todo o mundo. O que os distingue é que são notícia – as grandes empresas são sempre notícia. Mas quem dá notícia do empregado que deixamos de ver no café que frequentamos? Ou na loja da esquina? Ou quem repara que agora há um taipal onde antes estava uma montra? (…) Contudo, todas essas ‘não-notícias’, esses micro-eventos que. mesmo quando ocorrem ao nosso lado, podemos não dar por eles podem ser, ou são mesmo, socialmente muito mais desestabilizadores que qualquer dos lay-off listados pelo Wall Street Journal“.

José Manuel Fernandes, Público, 27.1.2009

O que corre bem…

“A imprensa portuguesa não costuma dar muita importância a estas coisas, e mais uma vez não deu, mas o piloto que protagonizou o “milagre” do rio Hudson foi recebido como herói na sua terra natal, Danville, Califórnia. (…) A imagem do aparelho pousado suavemente nas águas com dezenas de pessoas sobre as asas, à espera de serem retiradas por mar, esteve nas primeiras páginas dos jornais. Com incredulidade: estariam mesmo a salvo? Nenhum ferido grave? Nenhum morto? Felizmente, e ao contrário do que é hábito, sim. Isso valeu notícias concisas mas comedidas. Se Chesley tivesse errado, se lhe faltasse o sangue-frio ou se duvidasse do método que aprendera, teríamos muito mais páginas. A contar os mortos, a questionar os porquês do acidente, a clamar por maior segurança. Esta constatação não é, sequer, condenatória da imprensa. O que se procura, na maior parte dos casos, é explicar o que corre mal para evitar novos acidentes ou erros. O que corre bem, porque é suposto que corra, não faz história”.

Nuno Pacheco, in Público, 27.1.2009

Podcasts: encontro em Braga

podcasts1Vai ter lugar na Universidade do Minho (UM), em Braga, em 8 e 9 de Julho próximo, um Encontro sobre Podcasts. Os interessados em submeter comunicações ou posters, já em texto integral, devem fazê-lo até ao próximo dia 17 de Abril.
O Encontro, cuja coordenação cabe à Prof. Ana Amélia Carvalho, do Instituto de Educação da UM, pretende ser “um espaço de formação, de partilha e de discussão para todos os que já utilizam podcasts no ensino e para os que pretendam vir a adoptar e explorar esta ferramenta”.
Para mais informação: aqui.

Textos sobre economia do jornalismo

A revista franco-canadiana Cahiers du Journalisme vai dedicar um dos seus próximos números ao tema “Economie du Journalisme”, retomando os trabalhos de uma jornada organizada em Julho passado em Paris pelo Réseau d’Étude du Journalisme (REJ). O interessante é que os organizadores, que têm os artigos em fase de avaliação, decidiuram colocá-los desde já à leitura e comentário dos interessados. Dada a pertinência e actualidade do assunto para a nossa realidade, ficam aqui (via blog Sur le Journalisme) os links para os textos:

La dimension économique du journalisme.
Introduction au dossier de Dominique Augey et Franck Rebillard..

L’économie de la presse: vers un nouveau modèle d’affaires.
Nathalie Sonnac.

Mutations des industries de la culture et de la communication, et contenus informationnels.
Philippe Bouquillion.
Les stratégies pluri-médias des groupes de presse.
Jean-Marie Charon.

La production multisupports dans des groupes médiatiques français : premières remarques.
Philippe Gestin, Christophe Gimbert, Florence Le Cam, Magali Prodhomme-Allègre, Yvon Rochard, Hélène Romeyer, Denis Ruellan.

Modèle de la gratuité et conséquences sur les contenus journalistiques.
Marie Schweitzer.

L’information en ligne à la recherche de la rentabilité.
Nikos Smyrnaios.

Les évolutions du secteur des médias, vues de l’intérieur. Echanges avec Vincent Giret et Eric Scherer.

Não se cobre um guerra a partir de uma colina

Jon Snow, um dos mais sólidos jornalistas da TV britânica, elaborou uma série de quatros programas, inseridos na série Dispatches, sob o título genérico “Unseen Gaza“.

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O trabalho parte de uma pergunta simples: “Is what has been presented on our screens and in our papers a true reflection of events on the ground in Gaza? And how do these reports differ to those aired in other countries?

Num dos excertos disponíveis no site do Channel 4 é possível perceber o desabafo de um dos correspondentes da Sky News na fronteira de Israel com Gaza: “You can’t cover a war from one hill”.

Será que alguém por cá – SIC-N RTP-N – não quer dar-nos a oportunidade de ver? (a alternativa é, para já, ver o primeiro programa em segmentos no YouTube)

Surpresa no concurso para o canal 5

… e de súbito, quando os media davam praticamente por assente que só a Zon se apresentaria na sede da ERC para entregar a sua candidatura ao 5º canal de televisão aberta, eis que surge a Telecinco, oriunda dos próprios meios jornalísticos. A notícia estava, afinal, perto de “casa” mas ninguém dela soube ou a quis dar.
Era interessante que os projectos fossem tornados públicos e objecto de debate – quanto à mais-valia que trazem relativamente à televisão que hoje temos e quanto à sua viabilidade económica, em tempos de crise.
É salutar que haja dois projectos a concurso e que os marque, pelos poucos elementos que vieram a público, uma orientação (editorial e não só) bastante diferenciada.
Três perguntas suscitam os dados que foram conhecidos até agora:

  • – Que canal será aquele em que a informação ou parte dela é produzida em regime de outsourcing? (Zon)
  • – Que condições de viabilidade pode ter, na sociedade portuguesa, um canal “de referência”? (Telecinco)
  • – Quem são os financiadores do Telecinco, que estão por detrás de Carlos Pinto Coelho, David Borges, João Salvado e Rangel?

Seria interessante que os media (e os protagonistas das candidaturas, naturalmente) nos esclarecessem a este respeito.

Ler, sobre o assunto:
Marcação à Zon origina duas candidaturas ao 5.º canal, de João Alferes Gonçalves, no site do Clube de Jornalistas

Obama nos jornais: ideia para um estudo

posse-de-obama


























O Trader Aaron’s Weblog, que já tinha feito, em Novembro passado, uma montagem de 700 primeiras páginas de jornais de todo o mundo relacionadas com a eleição de Barack Obama, dá-nos, agora, 400 novas primeiras páginas relativas à tomada de posse do 44º presidente dos Estados Unidos da América. Basta clicar em cada título para ampliar a respectiva imagem. Daria um interessante trabalho de pesquisa analisar o discurso, o tom, a orientação, o grafismo e, em geral, o modo de apresentar este histórico acontecimento.

Uma jornalista fora de moda

” A Tereza [Coelho] escrevia para tentar compreender e para nos fazer compreender algumas das coisas mais difíceis de perceber. (…) No fundo era uma jornalista completamente fora de moda, uma jornalista para quem o jornalismo era antes de mais e acima de tudo uma actividade intelectual e não uma indústria de fast food”.

José Vítor Malheiros, in Público, 20.1.2009

Leituras

Sobre a essência do jornalismo no futuro…

blog2Assinalando os 50 anos da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra, acaba de ser distribuído por profissionais do sector um suplemento de 32 páginas sobre o Futuro do Jornalismo. Puntoyseguido é o resultado de um projecto dos alunos do 4º ano de Jornalismo daquela escola que pretenderam, sobretudo, transmitir a ideia de que, «por muito que o jornalismo sofra mudanças tecnológicas ao longo dos anos, a essência da profissão permanecerá sempre intacta».

Com vários ângulos de leitura do campo jornalístico, este suplemento apresenta-se como um projecto de construção «do jornalismo de amanhã com as 5 perguntas W (When, Who, How, Where, What & Why) de ontem». O documento está disponível em PDF, podendo ser descarregado a partir daqui.

Quando o telespectador se integra nos alinhamentos dos noticiários

A queda de um avião, ontem, no Rio Hudson, em Nova Iorque, mais do que um espectacular acontecimento, demonstra que é importante criar canais para integrar o telespectador nos conteúdos informativos. A notícia de ‘última hora’ chegou a Portugal na recta final dos telejornais das 20h00 dos canais generalistas. Os pivots limitaram-se a comentar as imagens que, em casa, nós também víamos. Quando, às 21h00, arrancaram os noticiários da SIC Notícias e da RTPN, o assunto continuava a dominar os alinhamentos. Quem tinha a notícia? As imagens dos canais internacionais transmitidas em directo pouco ajudavam a perceber o que se passava. Na RTPN, João Adelino Faria passa a emissão ao outro pivot que o acompanha, o Alexandre Brito, que faz a ligação com a Net. Uma passagem interrompida para dar espaço a um telefonema em directo com o correspondente em Washington. Que também não trouxe muitas novidades. Regressa-se ao pivot Alexandre Brito e à Net e percebe-se logo que há aí muita informação: fotografias dos passageiros a saírem do avião caído nas águas do Rio Hudson, vídeos que mostravam a descolagem de um aparelho idêntico ao acidentado a partir da mesma pista… Uma das fotos mostrada foi tirada por Janis Krums que a colocou de imediato no Twitter com esta legenda: “There’s a plane in the Hudson. I’m on the ferry going to pick up the people. Crazy”. Aí está um bom exemplo para demonstrar que os cidadãos, em determinados momentos, podem saber mais do que os jornalistas. Isso não implica que sejam repórteres. “Apenas” exige que os jornalistas multipliquem as suas ‘fontes’ e criem outros canais de diálogo com os seus públicos.