Hoje correu mal… [Atualização – 13/08]

Ontem, quando anotei neste blogue a imagem destas páginas do jornal Público, não tinha alcançado que significavam alguma coisa. Havia reparado na legenda e procurado no resto do jornal algo que me explicasse o propósito. Não encontrei. Porque as coisas também não estão sempre necessariamente onde as procuramos. Estão também nos nossos olhos. E ontem os meus olhos não viram propriamente arte neste espaço. Era aí que estava a justificação para a inversão das páginas 33 e 36.

A legenda das páginas, na posição correta, não era, para mim, suficientemente esclarecedora. Dizia ‘Este projeto inédito…’, mas nada fazia perceber suficientemente, pelo menos para mim, que ‘este projeto’ era o efeito encontrado naquelas páginas. Nem em nenhum outro espaço do jornal se faz referência ao que era suposto ‘ler-se’ ali. Por outro lado, a numeração das páginas salta da 33 para a 36.

O que se publicou ontem nas eventuais páginas 34 e 35 deu-me jeito para explicar a uma criança o modo como se fazia a composição por tipos (coisa que, em criança, vi fazer o meu pai, que era tipógrafo e com quem aprendi a ler texto invertido). Foi, aliás, uma fonte de divertimento com leitura do jornal ao espelho! Mas do ponto de vista semiótico aquelas páginas também foram fonte de equívoco, para quem, como eu, não soube lê-las como arte.

Leio habitualmente o Público na sua edição online, de que sou assinante. Por essa razão, não acompanhei devidamente a iniciativa do jornal, de oferecer estas duas páginas a um artista por semana. A leitura online é menos linear, mais fragmentada, mais seletiva, talvez menos atenta ou mais imaterial, porque lhe falta o toque do papel. Também por isso, e pensando naqueles que, como eu, ontem optaram pelo papel, tenho para mim que o jornal deveria ter sido mais claro ontem sobre o que vinha nessas páginas. Será impertinência? Será. Será ignorância artística a minha? Será. A pessoa que ontem me chamou a atenção para este post sugeria-me que o título ‘Hoje podia ter corrido mal’ seria talvez mais adequado. Admito que sim, mas ontem, no meu entender, algo correu mesmo mal!

Madalena Oliveira