Candidatos a investigadores apresentam trabalhos

Tem lugar amanhã, dia 1 de Fevereiro, a partir das 14h30, na Sala de Actos do Instituto de Ciências
Sociais da Universidade do Minho, uma jornada sobre investigação em Ciências da Comunicação, onde serão apresentados e debatidos os trabalhos dos bolseiros de integração na investigação do CECS respeitantes a 2008-2009.
A iniciativa inclui a apresentação dos trabalhos seguintes:

  • “Agosto em notícia no Telejornal da RTP”, por Mariana Lameiras de Sousa
  • “Postais Ilustrados: para uma análise semiótica do imaginário português”, por Clarisse Pessôa
  • “Formas do Imaginário na Comunicação Multimédia”, por Elisabete Silva
  • “Regulação dos media na Europa: contributos para a análise da regulação em Portugal”, por Luciana Silva
  • “Mudanças no jornalismo no contexto das redes digitais: algumas tendências observadas nas notícias”, por Vítor de Sousa:

Estes são os primeiros bolseiros, na maioria recrutados entre mais de duas dezenas de candidatos do primeiro ciclo, que tiraram partido das Bolsas de Integração na Investigação, abertas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, no quadro do programa Ciência.

A iniciativa é do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho. A entrada é livre.

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PT desiste dos canais pagos da TV digital terrestre

Alegando que o mercado sofreu alterações em relação à altura em que o concurso foi promovido, a Portugal Telecom pediu a revogação da licença que recebeu para a utilização de frequências e serviços de radiodifusão relativos aos canais pagos da TV digital terrestre portuguesa. A empresa fica, então, responsável apenas pela radiodifusão dos canais abertos, cujas emissões digitais começaram em Abril de 2009.

O pedido foi entregue à ERC, que emitiu um parecer e encaminhou para a Anacom. Até o momento o teor do documento não foi divulgado.

Cabe lembrar que os direitos atribuídos à PT, relativos aos canais pagos da TDT, teriam um prazo de duração de 15 anos, conforme prevê o Artigo 19º do regulamento do concurso.

Alguns factos a serem observados:

  • A alegação da PT de que o cenário económico mudou soa como uma mera desculpa. A economia tem seus ciclos de prosperidade e de recessão e um grupo como a PT sabe bem como funciona o mercado. O Caderno de Encargos do concurso, em seu capítulo III, referente ao plano económico-financeiro, exigiu que o concorrente apresentasse o estudo de mercado “que está na base de toda a avaliação económico-financeira”. O estudo deveria abordar, entre outros aspectos, as “projecções de mercado”, o que implica, obviamente, ter em conta as oscilações económicas.
  • O regulamento do concurso não prevê multa em caso de pedido de revogação. No entanto, o Artigo 16º exigia da empresa vencedora uma caução definitiva no valor de € 2 500 000, que só seria liberada ao final de 42 meses, se a empresa cumprisse as suas obrigações. Portanto, se o montante foi pago, a PT poderá não recebê-lo de volta.
  • Na época do concurso, muitas empresas criticaram o facto da PT ser a franca favorita. A Sonaecom chegou a dizer explicitamente que o concurso estava a ser direccionado para que a Portugal Telecom fosse a vencedora e alertou para o facto do grupo PT  poder passar “a dispor da única rede de radiodifusão de sinal televisivo digital – que controlará em exclusivo -, podendo concentrar nessa rede toda a sua oferta retalhista de serviços de Pay TV”.
  • Houve ainda críticas directas relativas aos canais pagos, por conta dos cinco Multiplexers reservados a eles serem entregues à mesma empresa, o que não seria saudável para o mercado, por não estipular uma concorrência. As entidades responsáveis pelo concurso ignoraram os apelos e mantiveram a ideia de entregar a uma mesma empresa todos os serviços da TDT paga. Agora paga-se pelo erro e não foi por falta de aviso.
  • O grupo sueco AirPlus TV foi o único que tentou fazer frente à PT. Ao serem derrotados, os suecos chegaram a dizer que o Júri que havia deliberado a vitória da PT “não demonstrou as qualidades de competência e de isenção necessárias para avaliar um processo desta natureza”. A AirPlus até ingressou o pedido de uma providência cautelar, para tentar reverter a decisão, mas, ao ver o pedido negado pelo Tribunal Administrativo de Lisboa, acabou por desistir de recorrer e deixou o país. Vale dizer que a AirPlus é um exemplo de de sucesso com a TDT paga nos países onde actua.
  • A grande pergunta que fica é o motivo do recuo da PT. A empresa pode ter observado que os investimentos não compensariam o retorno, já que a tecnologia das transmissões digitais terrestres para o mercado da TV por subscrição é uma das piores, se comparada com a TV por cabo, satélite ou fibra óptica. Mas é apenas uma hipótese, uma vez que decisões como esta envolvem diversos aspectos que passam também pela esfera política.
  • É preciso ainda deixar claro que o Governo também falhou ao não dizer ao certo como funcionaria o seviço da TDT por subscrição. A PT venceu o concurso mas nunca foi revelado, e nem exposto claramente nos regulamentos, como a empresa poderia gerir os canais, sobretudo os regionais.

Em resumo: Portugal anunciou a implementação da TDT, mas até agora pouca coisa mudou. Não se resolve a questão do 5º canal e agora volta à estaca zero a ideia de haver canais regionais e uma plataforma de TV por subscrição mais barata, acessível a uma parte da população que não pode pagar os altos preços dos serviços televisivos oferecidos hoje.

Jornalismo: dois novos livros

 Dois novos títulos portugueses da área do Jornalismo acabam de chegar às bancas.

Memórias Vivas do Jornalismo (Ed. Caminho), da autoria de Fernando Correia e Carla Baptista, apresenta-nos quase duas dezenas de entrevistas feitas a conhecidos (e antigos) profissionais, procurando ajudar-nos a entender melhor “como se fazia jornalismo em Portugal durante a década de 60 do séculoXX”. Alguns destes materiais serviram já de apoio a uma importante obra dos mesmos autores, publicada em 2007 (também na Ed. Caminho): “Jornalistas. Do Ofício à Profissão“.

EXPRESSO & AVANTE! Dois espelhos do mundo“, da autoria do jornalista (agora reformado) César Príncipe, faz um breve estudo comparativo de algumas das características mais típicas desses dois jornais a que chama “semanários-paradigma”. É uma edição da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto (AJHLP), uma das mais antigas associações portuguesas do sector, com os seus longos 127 anos de existência, e que, apesar das vicissitudes por que tem passado , insiste em manter-se viva, graças ao empenho desinteressado de alguns (poucos…) jornalistas.

Livros que vêm a caminho

Com o apoio do Gabinete para os Meios de Comunicação Social, vão ser editados os livros seguintes:

De onde vêm as notícias

Um estudo que qualquer investigador da área do jornalismo e dos media certamente gostaria de fazer: analisar o que se está a passar numa dada cidade importante, do ponto de vista da origem das notícias e dos canais através dos quais a actualidade informativa chega aos cidadãos e, em termos mais gerais, como está a funcionar o ecossistema noticioso, com as mudanças ocorridas nos últimos anos. Foi isso o que fez o Project for Excellence in Journalism, tomando a cidade de Baltimore, nos Estados Unidos da América, como caso de estudo e analisando-o durante uma semana.

A principal conclusão, embora porventura esperável: ainda é através dos media tradicionais, e em especial pelos bastante reduzidos jornais locais que o público fica a saber o que se passa.

Outras conclusões do estudo “How News Happens: A Study of the News Ecosystem of One American City“:

  • The network of news media in Baltimore has already expanded remarkably in recent years(…): 53 different news outlets that regularly produce some kind of local news content, a universe that ranges from blogs to talk radio to news sites created by former journalists.
  • Among the six major news threads studied in depth, fully 83% of stories were essentially repetitive, conveying no new information.
  • General interest newspapers like the Baltimore Sun produced half of these stories—48%—and another print medium, specialty newspapers focused on business and law, produced another 13%.
  • Local television stations and their websites accounted for about a third (28%) of the enterprise reporting on the major stories of the week; radio accounted for 7%, all from material posted on radio station websites. The remaining nine new media outlets accounted for just 4% of the enterprise reporting we encountered.
  • Traditional media made wide use of new platforms. (…) Almost half of the newspapers stories studied were online rather than in print.
  • There were two cases of new media breaking information about stories. One came from the police Twitter feed in Baltimore (…). Another was a story noticed by a local blog, that the mainstream press nearly missed entirely(…).
  • As the press scales back on original reporting and dissemination, relaying other people’s work becomes a bigger part of the news media system. In the detailed examination of six major storylines, 63% of the stories were initiated by government officials, led first of all by the police.
  • There is other evidence, however, that the output of the papers is diminished. (…)