Revisitar rádios piratas… revisitar a guerra do mundo

Era um domingo de manhã, chuvoso e enevoado. Muitas famílias estariam na missa, muitos homens nos campos de futebol em jogos amadores. Mas muitos outros bracarenses estavam a ouvir rádio, uma emissora pirata a emitir em Braga há três anos, que resolveu homenagear Orson Welles. Porque era dia 30 de outubro de 1988 e se completavam 50 anos sobre a celébre emissão da Guerra dos Mundos que aterrorizou meia América, a Rádio Braga pôs os marcianos a aterrar em Cabanelas. E, tal como 50 anos antes, muitas pessoas não perceberam o carácter ficional da emissão e entraram em pânico. Muitas iniciaram um processo de fuga tendo como destino a Galiza, criando filas nos postos de abastecimento. Outras pessoas esconderam-se e outras ainda começaram a ligar para a rádio para perceber a veracidade dos acontecimentos. A história foi contada nos jornais do dia seguinte e chegou mesmo aos quatro canto do mundo.
No dia em se comemoram 25 anos sobre esta emissão histórica da Rádio Braga, rádio pirata da capital minhota, o átrio do Instituto de Ciências de Sociais da Universidade do Minho revisita este episódio, promovendo uma exposição das notícias e reportagens que no país e pelo mundo fora anunciaram o pânico dos “marcianos em Braga”.

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Elsa Costa e Silva

Nos olhos da rádio…

ImagemO jornalista Fernando Alves da TSF vai assinalar o Dia Mundial da Rádio, em Braga, no dia 13 de fevereiro à noite, numa iniciativa do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade. ‘Nos olhos da rádio’ é o mote desta tertúlia que visa promover uma conversa com o público sobre a maneira como a rádio dá a ver a atualidade.

Durante décadas a rádio foi o meio de comunicação que criou, para várias gerações, uma imagem do mundo e do que acontecia. Hoje, competindo com os meios audiovisuais, talvez mais dominados pela imagem do que pelo som, a rádio tem um duplo desafio: o de se reacomodar no ambiente da Internet e o de, ainda assim, continuar a ensinar-nos o prazer de ouvir. Refletir sobre estas oportunidades da rádio no século XXI é o objetivo desta tertúlia que conta com a presença especial de Fernando Alves, jornalista da TSF, e de Luis Miguel Pedrero, professor da Universidade Pontifícia de Salamanca.

O encontro é promovido pelo Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, da Universidade do Minho, e inscreve-se no âmbito das atividades do projeto de investigação ‘Estação NET: moldar a rádio para a web’ (financiado pela FCT). A partir das 21h00, a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva acolhe esta iniciativa que visa ainda assinalar o Dia Mundial da Rádio. A tertúlia é aberta ao público em geral.

CECS lança eBook sobre rádio

ImagemO CECS acaba de publicar o eBook Radio Evolution – conference proceedings, que resulta da realização do segundo congresso da secção de rádio da ECREA, no ano passado, na Universidade do Minho. O livro reúne mais de 40 artigos que procuram refletir sobre as transformações em curso no meio radiofónico, do ponto de vista da tecnologia, das audiências e dos conteúdos.

No texto de abertura desta publicação, Guy Starkey, que coordena esta secção da ECREA, insiste que «a rádio está realmente a evoluir, em termos que seriam inconcebíveis para os nossos antecessores, e os conteúdos radiofónicos estão hoje disponíveis em várias formas e plataformas» (p.1). Contrariando, portanto, perspetivas mais negativistas que tendem a anunciar a morte da rádio, este eBook apresenta-se como uma proposta para reforçar o olhar a um meio que integra a história dos media há praticamente um século, com a gentileza e a generosidade de pouco reclamar de quem o ouve.

O acesso ao eBook integral é gratuito.

Madalena Oliveira

Portugal, Cabo Verde e Brasil ligados pela rádio

A Rádio Ás é um projeto de webrádio comunitária que se define pela ligação de três municípios de língua portuguesa: Aveiro (Portugal), Santa Cruz (Cabo Verde) e São Bernardo do Campo (Brasil). Com objetivos muito ambiciosos, que vão desde a promoção da participação cívica no espaço público ao reforço da coesão da comunidade, este projeto tem ainda o mérito de estimular o multiculturalismo no espaço lusófono.
A Rádio Ás tem uma programação exclusivamente online aberta a novos contributos que podem submeter uma inscrição no site deste projeto. Aí está uma ideia interessante – que acabo de descobrir – para dois propósitos originais: potenciar a versatilidade da rádio e celebrar a sonoridade da língua portuguesa.

Madalena Oliveira

A rádio também é nome de rua…


… em Maputo, a capital de um país onde a TV chega apenas a 27% da população e a rádio, o meio de mais fácil acesso, a 57% dos moçambicanos.

Madalena Oliveira

Provedora do Ouvinte: Paula Cordeiro sucede a Mário Figueiredo

O conselho de Opinião da RTP confirmou ontem o nome de Paula Cordeiro para suceder a Mário Figueiredo no cargo de Provedor do Ouvinte. Com 11 votos a favor, nove conta e duas abstenções, a função de provedor da rádio fica assim entregue à primeira investigadora portuguesa com doutoramento em estudos radiofónicos.

Madalena Oliveira

Um Dia com os Média

Convocar os cidadãos e a sociedade para refletir sobre os papel e o lugar dos media nas suas vidas é o objetivo da Operação Um dia com os Media, projeto que irá decorrer no próximo dia 3 de maio, dia mundial da liberdade de imprensa, com múltiplas iniciativas por todo o país.
Esta Operação surge num tempo em que as tecnologias e plataformas digitais permitem, como nunca, que os cidadãos se exprimam no espaço público, fazendo por isso sentido que o olhar crítico e participativo relativamente aos media seja, ele próprio, um exercício de liberdade.

Promovida pelo Grupo Informal sobre Literacia para os Media, esta operação congregará um vasto e variado conjunto de atividades concebidas e realizadas pelas mais diversas instituições, tais como bibliotecas, meios de comunicação, escolas, instituições do ensino superior, grupos de alunos, centros de investigação e formação, associações, universidades de seniores, movimentos, igrejas, autarquias e outras, glosarão o mote Um dia com os media: Que significado têm os media na nossa vida e como poderiam tornar-se mais relevantes?
São diversas as ações programadas, como sejam, programas de rádio e televisão, conferências, mostras, concertos, debates, projeção de filmes, concursos escolares, ações de formação, jogo lúdicos, ações de rua, entre outras.
A lista completa de ações pode ser consultada AQUI.

Toda a informação sobre a Operação pode ser encontrada AQUI.

Grupo Informal sobre Literacia para os Media

O Grupo Informal sobre Literacia para os Media é uma plataforma que reúne entidades públicas com missões no domínio da literacia para os media, sendo presentemente constituído por: Comissão Nacional da UNESCO, Conselho Nacional de Educação, Entidade Reguladora para a Comunicação Social, Gabinete para os Meios de Comunicação Social (GMCS) e Universidade do Minho – Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade.
Entre os muitos projetos desenvolvidos pelo Grupo, importa destacar o Portal da Literacia para os Media e o Congresso “Literacia, Media e Cidadania”, do qual resultou a “Declaração de Braga”.

A paixão… do fim da rua ao fim do mundo

A TSF completou hoje 24 anos. Notícias recentes referiam mais uma restruturação em curso, que acabaria pelo menos com as delegações do Alentejo e do Algarve. Pouco se pode fazer por paixões quando o investimento retrai a capacidade de surpreender (que é o que faz quem se conduz por paixão, não é? Surpreender…).

A Rádio na frequência da Web

Está já disponível o vol.20 (2011) da revista Comunicação e Sociedade, recolhendo textos em torno do futuro da rádio em ambiente digital.
Madalena Oliveira e Pedro Portela, os organizadores deste número, dizem no seu texto de apresentação:
Repensar a rádio no actual contexto de uma sociedade digital, ou mais especificamente no contexto da web, impõe que se repense a sua relação com a imagem, mas também, de um modo mais generalizado, os termos do seu contrato de escuta. Se é verdade que a emissão tradicional se mantém de alguma maneira na web – que nessa medida é apenas um novo dispositivo de escuta, um novo receptor do sinal radiofónico -, também o é que a oferta associada aos sítios das emissoras na Internet exige uma redefinição da sua relação com os ouvintes.
Mais detalhes aqui (esclarecimentos e encomendas através deste endereço)

Hoje é Dia Mundial da Rádio…

… um dia para escrever pouco e ouvir muita rádio!
A TSF está a assinalar o dia com várias rubricas que lembram a magia, a paixão e os segredos da rádio. O Fórum TSF marca hoje os dias da rádio

A UNESCO e a rádio

A UNESCO proclamou o dia 13 de fevereiro como o Dia Mundial da Rádio. Muitas razões terão justificado esta decisão. No site da UNESCO, são assim sintetizadas as virtudes da rádio:

«A rádio é o meio de comunicação de massas que alcança a mais ampla audiência no mundo. Também é reconhecida como uma ferramenta de comunicação poderosa e como um meio low cost. A rádio é especificamente ajustada para alcançar comunidades remotas e grupos vulneráveis: os deficientes, as mulheres, os jovens e os pobres, ao mesmo tempo que oferece uma plataforma para intervir no debate público, independentemente do nível educacional das pessoas. Além disso, a rádio tem um papel específico e relevante na comunicação de emergência e no resgate em desastres.»

Com esta convicção, o Dia Mundial da Rádio foi fixado para «criar maior consciência no público sobre a importância da rádio; encorajar os decisores a estabelecer e providenciar acesso a informação através da rádio; assim como melhorar as redes de cooperação internacional entre emissoras». No espírito destes objetivos, a UNESCO sugere para a comemoração da data este ano um conjunto de 15 ideias que passam, por exemplo, por encorajar os media a inserir uma banda alusiva ao dia nos seus espaços.

O desejo de ouvir…

«I think there is a deep, natural, human desire to be accompanied by sound, whether music or voices. It stops us from feeling alone. Radio has intrinsic qualities that give it a good chance of surviving.»

David Hendy, citado num artigo do The Guardian, no dia 3 de fevereiro.

A rádio e a ubiquidade por excelência

ImagemReunindo textos de 14 autores, o livro Radio and Society: new thinking for an old medium – que acaba de ser lançado pela Cambridge Scholars Publishing – considera que a rádio não apenas sobreviveu aos desafios da Internet como tirou proveito das suas vantagens para se expandir ainda mais como o mais ubíquo de todos os meios. Na nota de introdução, o editor reconhece que a rádio continua a enfrentar desafios críticos, mas admite ao mesmo tempo que a rádio é ainda encarada como um meio poderoso, influente e capaz de produzir mudança social e proveito comercial. Num campo habitualmente menos favorecido em termos de produção científica, este livro parece ser obrigatório para refletir sobre um meio que, diz o editor, «ainda está aí, ainda é interessante e importante e ainda se está a desenvolver».

Exposição assinala a história da radiodifusão

ImagemO Museu de Artes e Ofícios de Paris acolhe a partir de 28 de fevereiro a exposição «Radio: ouvrez grand vos oreilles!», que lembrará a história da radiodifusão. Resultando de uma parceria entre a Radio France e o INA (Institut National de l?Audiovisuel), esta exposição reunirá objetos, documentos e arquivos sonoros. No site do museu faz-se já nesta apresentação a honra a este grande meio – o mais discreto de todos, mas aquele que durante muito tempo terá sido o preferido dos franceses… e talvez de todos nós:

«Universo fascinante, ela [a rádio] formou, bem antes da Internet, uma formidável porta de entrada para o mundo inteiro, permitindo captar sons, músicas e vozes não importa de que parte do planeta.»

A Rádio na Frequência da WEB

O número 20 da Revista Comunicação e Sociedade, que será publicado no Outono de 2011, é especialmente dedicado à Rádio. Problematizando o futuro deste meio de comunicação que, sendo especialmente querido pelos profissionais, tem sido de algum modo o ‘parente pobre’ da investigação, esta edição convida à submissão de originais nos seguintes domínios:

– o lugar da rádio, enquanto meio não-visual, no contexto de uma civilização de vocação imagética;
– o papel da rádio na construção do imaginário e da identidade;
– a complementaridade entre a rádio hertziana e a rádio na Web;
– os imperativos do mercado e as políticas económicas no sector da rádio;
– o audio-on-demand e as novas práticas discursivas não-lineares;
– géneros radiofónicos e o poder criativo do som (na informação, no entretenimento, na publicidade);
– a rádio e os estímulos de cidadania;
– o papel da interactividade na manutenção da relevância do meio rádio.

A chamada para apresentação de propostas termina a 30 de Abril. Toda a informação disponível aqui.