Leituras do dia

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A TV do Real – livro

200811_tv-do-real_livro_felisbela_wChega, esta semana, às livrarias, “A TV do Real- a televisão e o espaço público” (Ed. Minerva Coimbra), da autoria de Felisbela Lopes, docente de Jornalismo no Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho (e colaboradora neste blog). A obra, que reflecte parte da tese de doutoramento sobre informação televisiva, é constituida por 3 capítulos que salientam perspectivas teóricas sobre a TV, o espaço público cujas fronteiras a televisão integra e reconfigura e a informação televisiva como espelho e reconstrução da realidade. Na introdução do livro escreve-se o seguinte:

“De tão presente no nosso quotidiano quase não damos pela sua presença, mas a televisão lá está, comodamente instalada em nossas casas, abrindo diante de nós um mundo que também é assim porque ela existe. Curioso: pelo pequeno ecrã temos acesso àquilo que de mais importante se passa à nossa volta, mas a construção televisiva da realidade também redesenha o mundo que temos. Há, pois, aqui um movimento circular entre televisão e sociedade que nos pede que, por momentos, pensemos este binómio com alguma distância em relação ao corropio das imagens e dos sons audiovisuais. Foi isso que fizemos na nossa tese de doutoramento sobre a informação televisiva dos canais generalistas portugueses. O trabalho empírico deu origem à obra A TV das Elites (Ed. Campo das Letras, 2007). Este livro fala dos fundamentos que envolvem aquilo que a TV (não) é”.

Podemos confiar naquilo que vemos?

photojournalism

Os casos de manipulação de fotos recorrendo a tecnologia digital sucedem-se  com impressionante regularidade. Ainda há dias, a agência Associated Press anunciava a decisão de suspender o uso de fotos fornecidas por militares, depois de se ter descoberto que a imagem da primeira mulher norte-americana a atingir o posto de general de quatro estrelas havia sido “tratada”.
Já depois disso, ficava-se também a saber que o diário francês Le Figaro entendeu “limpar” um vistoso anel de diamante com que aparecia ornada a ministra da Justiça do país. O  jornal já tomou medidas sobre a matéria, mas a pergunta que há dias colocava  The Editors Weblog é pertinente: “Can we trust what we see?“.
E nem de propósito: a agência Black Star acaba de disponibilizar na web um livrinho (55 páginas) em que aborda e debate estas questões: “Photojournalism, technology and ethics – what’s right and wrong today“. O índice aqui fica:

  • 1. “ O ur Pictures Must Always Tell the Truth” (p.1)
  • 2. The Golden Age of Photojournalism (7)
  • 3.  Altered Photographs, Staged Shots and the Era of Distrust (20)
  • 4. Toward a 21st Century Ethical Model (40)

Arquivo de revistas em acesso livre

A Sage volta a disponibilizar, até 31 de Dezembro, o seu arquivo de mais de duas dezenas de revistas científicas sobre media e comunicação. O registo, para quem ainda o não tenha, pode ser feito AQUI.

Os blogs e as cheias de Santa Catarina

Vários dos colegas brasileiros com quem estive em São Paulo tinham a aguardá-los, nas suas terras de origem, uma tragédia: chuvas fortíssimas que provocaram desbamentos de encostas, a morte de largas dezenas de pessoas, milhares de desalojados, centenas de milhares de afectados. Alguns deles ficaram também desalojados e estão, através de blogs, do twitter, de rádios de universidade, envolvidos no apoio às vítimas, através da informação e da mobilização dos cidadãos.

Memória (virtual)

Sugestão de leitura: merece atenção o conjunto de posts que Leonel Vicente vem publicando nos últimos tempos sobre o tema (que é o do seu blogue) da Memória, particularmente na era da comunicação em rede.

[Isto enquanto se aguarda pela sua já habitual e utilíssima retrospectiva sobre o desenvolvimento da blogosfera, neste ano a caminhar para o fim]

Falta de “água potável”

saviano“Nesta sociedade podemos falar, opinar, inclusive gritar. Mas não podemos transpor a barreira do silêncio. Daquilo que não se pode dizer”.
(…)

“Existem hoje muitos canais no mundo para nos expressarmos, como por exemplo a televisão ou a Internet. Mas isso não deve confundir-nos. Já conhecem o que se costuma dizer: quando há uma inundação, o primeiro a faltar é a água potável”.

Roberto Saviano, citado em El País de hoje, no trabalho de Iker Seisdedos, intitulado “Dos escritores contra la barbarie – Salman Rushdie y Roberto Saviano charlan en Estocolmo sobre su falta de libertad