Revistar os “marcianos em braga”, revisitar jornais com 25 anos – que diferenças?

A exposição de recortes de imprensa patente no átrio do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho sobre o episódio da transmissão da “Guerra dos Mundos” e do pânico que então se gerou em Braga, há 25 anos, traz-nos sobretudo uma enorme mancha de texto. De facto, numa primeira comparação com os jornais de hoje, salta à vista a falta da componente fotográfica. Nem uma única fotografia sobre o caso em Braga e as suas consequências. Não temos nenhum registo visual da fuga, das filas de carros, das pessoas em pânico. Só palavras a apelar para a nossa imaginação. Fotos apenas as de arquivo de Orson Welles ou, mais tarde, já em contexto de reportagem, dos estúdios da Rádio Braga, de onde partiu a emissão. Imagens, apenas umas poucas ilustrações, desenhando uns marcianos e uma nave espacial a lembrar um avião. Hoje em dia, até vídeos amadores das pessoas em fuga seriam publicados em qualquer plataforma digital. Seria impensável este relato sem a respectiva componente visual. Talvez há 25 anos os jornais pecassem pela quase ausência de fotojornalismo. Mas, e agora, não estarão, por vezes, a pecar pelo excesso de apelo à imagem e ao visual?

Elsa Costa e SilvaImage

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