Revistar os “marcianos em braga”, revisitar jornais com 25 anos – que diferenças?

A exposição de recortes de imprensa patente no átrio do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho sobre o episódio da transmissão da “Guerra dos Mundos” e do pânico que então se gerou em Braga, há 25 anos, traz-nos sobretudo uma enorme mancha de texto. De facto, numa primeira comparação com os jornais de hoje, salta à vista a falta da componente fotográfica. Nem uma única fotografia sobre o caso em Braga e as suas consequências. Não temos nenhum registo visual da fuga, das filas de carros, das pessoas em pânico. Só palavras a apelar para a nossa imaginação. Fotos apenas as de arquivo de Orson Welles ou, mais tarde, já em contexto de reportagem, dos estúdios da Rádio Braga, de onde partiu a emissão. Imagens, apenas umas poucas ilustrações, desenhando uns marcianos e uma nave espacial a lembrar um avião. Hoje em dia, até vídeos amadores das pessoas em fuga seriam publicados em qualquer plataforma digital. Seria impensável este relato sem a respectiva componente visual. Talvez há 25 anos os jornais pecassem pela quase ausência de fotojornalismo. Mas, e agora, não estarão, por vezes, a pecar pelo excesso de apelo à imagem e ao visual?

Elsa Costa e SilvaImage

Revistas de cultura visual com acesso gratuito

A editora Taylor & Francis disponibiliza até dia 29 de fevereiro acesso livre para um conjunto de revistas ligadas à cultura visual. Através de um simples registo, pode-se consultar revistas como ‘Digital Creativity’; ‘History of Photography’; ‘Photographies’; ‘Visual Resources’; ‘Visual Studies’; ‘Visual Anthropology’ e ‘Word & Image’, sendo possível fazer pesquisa por termos chave e depois o download dos textos integrais em PDF.

O postal no princípio do post

Durante três anos e meio uma equipa de investigadores do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade recolheu, classificou e refletiu sobre postais ilustrados. Meio de comunicação démodé, dirão muitos, o bilhete-postal teve na história da correspondência interpessoal do século XX o ar gracioso de um suporte que à brevidade das palavras junta(va) uma imagem. Registo ligeiro, económico, breve, o postal ilustrado está, pode dizer-se com propriedade, no princípio dos posts que hoje publicamos em blogues. No postal como no post, ao apontamento do quotidiano procuramos juntar a gentileza de uma imagem. E do postal para o post perdemos, por outro lado, em tactilidade o que ganhamos em instantaneidade. Mas no postal ou no post encontramos também a vontade de arquivar a brevidade de gestos de partilha.

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Celebrando a memória do postal ilustrado e a sua relevância para a história da comunicação visual, a mesma equipa de investigadores acaba de publicar um conjunto de seis booklets que dão a conhecer parte de Portugal ilustrado em postais. Nesta coletânea, analisa-se a imagem construída e divulgada pelos postais ao longo dos anos relativamente a cinco cidades portuguesas – Bragança, Viana do Castelo, Braga, Viseu e Portalegre. Os booklets reunidos nesta obra são, na verdade, apontamentos sumários da imagem destas cidades ao espelho dos postais, num formato que repete, de algum modo, o jeito dos próprios bilhetes-postais: são brochuras breves, regionalizadas, ilustradas, coloridas, que mantêm o perfil ágil e afetuoso do objeto colecionável.

Na próxima segunda feira, dia 23, Henrique Barreto Nunes, ex-diretor da Biblioteca Pública de Braga, apresenta esta publicação coletiva, às 18h00, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva. A entrada é livre.

Memória de “sete dias que abalaram o Porto”

Uma exposição com imagens captadas pelos jornalistas Pereira de Sousa e Bruno Neves entre a manhã da Revolução e os festejos do 1.º de Maio de 1974, na Avenida dos Aliados, no Porto, estarão patentes ao público a partir de sexta-feira e até 2 de Maio. A iniciativa é do Sindicato dos Jornalistas que assim assinala o 36º aniversário do 25 de Abril e o fim de 48 anos de censura à imprensa, quando, finalmente, “os jornalistas puderam cumprir livremente a sua função de informar”.
O retrato do golpe militar, com a ocupação do Aeroporto do Porto, do Rádio Clube Português, e a movimentação do povo, que foi tomando conta das ruas e, particularmente a ocupação da delegação da Direcção Geral de Segurança (ex-PIDE) e o 1º de Maio são alguns dos momentos retratados.
Nesta sexta-feira, a partir das 21.3o, decorre no Ateneu Comercial do Porto um encontro entre o historiador Gaspar Martins Pereira e o jornalista Manuel Dias, além do presidente do Sindicato dos Jornalistas, Alfredo Maia, e dos dois autores das imagens. Este encontro, de entrada livre, será “pretexto para uma reflexão sobre aqueles sete dias que abalaram o Porto, quando a Revolução chegou às ruas”.

Retratos de Abril – Reportagem

Retratos de Abril – o tempo e o modo de uma revolução na visão de dois fotojornalistas“, reportagem de Pedro Leal e Teresa Abecasis (Rádio Renascença) é um trabalho sobre a experiência do olhar, sobre o fixar de instantes que, para muitos de nós, hão-de ser memórias permanentes.
Os olhares de Alfredo Cunha e de Eduardo Gageiro.
Há dois dias, durante as jornadas organizadas pelos estudantes de Comunicação da UM, um dos protagonistas desta reportagem, Alfredo Cunha, contava que amigas da filha não acreditariam que ela fosse quem dizia ser; afinal de contas, “esses do 25A já morreram todos”. Não morreram e não morrem enquanto se fizerem exercícios como este.
Um trabalho muito subtil – o verde, que Alfredo Cunha diz ter sido a cor do 25A, integra o elegante grafismo e a frase final é muito mais do que apenas a memória de um dia no passado – que nos mostra o enorme potencial da web para o jornalismo de qualidade.
Diz, a dado passo, Alfredo Cunha: “Costumo dizer que gostava de fazer uma viagem no tempo para fotografar o 25 de Abril como deve ser“.
Não é preciso Alfredo.

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Os padres que Deus quer” – reportagem JN

Desde o arranque do novo site, em finais de Maio de 2008, o JN online fez uma aposta muito forte na produção autónoma de conteúdos multimédia (autónoma, saliente-se…não confundir com inclusão de videos e/ou foto-galerias e/ou sons de agências ou disponíveis em plataformas como o YouTube).
Neste dia de Páscoa, sugere-se a mais recente reportagem, com autoria partilhada entre Cláudia Monteiro, Leonel Castro e Joana Bourgard: “Os padres que Deus quer“.

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Todos jornalistas? Nah!

3361760025_3651a71a24Num texto cuja leitura se recomenda o académico francês André Gunthert passa em revista muito do que se escreveu, de 2005 para cá, sobre a pretensa participação dos cidadãos no fluxo mediático.
Excerto:

Les outils du web dynamique ont considérablement développé les usages informationnels des particuliers, mais ceux-ci ne sont pas entrés en concurrence frontale avec la production médiatique. Ils ont bien plutôt constitué des univers parallèles, sous la forme de réseaux sociaux, régis par leurs propres logiques d’échange. Au final, le mythe de l’intrusion des amateurs restera comme une des figures manifestant la confrontation du journalisme avec le paysage de l’image numérique. Dans le contexte d’une paupérisation sans précédent de la presse, causée par la migration des ressources publicitaires, ce récit d’un antagonisme fantasmatique a eu pour fonction de conforter les professionnels dans leur rôle traditionnel de gardiens du sens et de la morale. Au détriment d’un véritable dialogue avec ces nouvelles ressources visuelles.

[Sugestão recolhida num Twitt de jafurtado]