Comentários online, responsabilidade e moderação

A ERC recomendou ao Diário de Notícias que proceda à moderação de comentários nas notícias publicadas na edição online. Tal como o Luís tinha aqui comentado, a opção do jornal era pela livre publicação, numa demissão do exercício de moderação que também deve fazer parte das funções editoriais. A questão que agora se coloca é se este debate se vai espraiar pelas restantes plataformas online, nomeadamente nos blogues. Será aqui também exígivel aos autores que exerçam uma função equilibradora em função da ética e da deontologia? E já agora, que ética e que deontologia? Entre a defesa da liberdade de expressão e o respeito por alguns direitos fundamentais, há um equilíbrio (ainda) por definir e exercitar. Participação e responsabilidade caminham juntas, mas às vezes há um fosso a separá-las.  

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Que fazer com os comentários?

ImagemO Diário de Notícias decidiu, por estes dias, passar a sinalizar todas as caixas de comentários com a seguinte advertência: “Conteúdo eventualmente ofensivo“. Na mesma nota, diz-se que “as opiniões, informações, argumentações e linguagem utilizadas pelos comentadores desse espaço não refletem, de algum modo, a linha editorial ou o trabalho jornalístico do Diário de Notícias” e esclarece-se que os textos “podem, por vezes, ter um conteúdo susceptível de ferir o código moral ou ético de alguns leitores“, pelo que “o Diário de Notícias não recomenda a sua leitura a menores ou a pessoas mais sensíveis.”
No espaço semanal de comentário que tem na SIC-Notícias, Pacheco Pereira disse que se tratava de uma postura hipócrita. Concordo. É mau demais não gerir (por opção ou por limitação de meios) os comentários mas é bem pior assumir relativamente ao delicado assunto uma postura declarada de rendição. O DN desistiu sem sequer ter tentado.
O problema que está na origem de tão bizarra atitude não é novo e não é apenas nacional. As soluções encontradas pelas empresas são muito diversas mas para algumas a guerra está longe de estar perdida.
Como explica o Provedor do Leitor do Washington Post, Patrick B. Pexton, (sim, o jornal que está a crescer substancialmente na web às cavalitas da opção errada do NYTimes) a empresa precisa de continuar a dar atenção (com moderação sensata, diz) aos espaços de comentários:
I think that in the messiness lies virtue. Online commenting boards are an online speaker’s corner and free-speech release valve.They’re also a real-time correction and information-gathering mechanism.”