A Rádio na frequência da Web

Está já disponível o vol.20 (2011) da revista Comunicação e Sociedade, recolhendo textos em torno do futuro da rádio em ambiente digital.
Madalena Oliveira e Pedro Portela, os organizadores deste número, dizem no seu texto de apresentação:
Repensar a rádio no actual contexto de uma sociedade digital, ou mais especificamente no contexto da web, impõe que se repense a sua relação com a imagem, mas também, de um modo mais generalizado, os termos do seu contrato de escuta. Se é verdade que a emissão tradicional se mantém de alguma maneira na web – que nessa medida é apenas um novo dispositivo de escuta, um novo receptor do sinal radiofónico -, também o é que a oferta associada aos sítios das emissoras na Internet exige uma redefinição da sua relação com os ouvintes.
Mais detalhes aqui (esclarecimentos e encomendas através deste endereço)

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O que vamos agora ouvir sobre o Concórdia?

Quando, há anos, trabalhei em Inglaterra, dizia-se que um acontecimento só era mesmo ‘um acontecimento’ quando chegavam ao terreno os ‘grandes artistas’ (do jornalismo): Kate Adie, John Simpson, Misha Glenny, George Alagiah, Ben Brown ou o inesquecível Martin Bell (para citar apenas alguns).
É, naturalmente, um exagero, mas o certo é que esta perceção não era partilhada apenas pelos restantes jornalistas, mas também pelas audiências que se sentiam identificadas com aquelas pessoas de forma muito particular.
Não estando escrito em lado algum, este ‘sub-texto’ fazia parte do visível (para usar uma expressão do Luís Miguel Loureiro); as regras pareciam ser conhecidas de todos e o espaço era gerido por uma dose substancial de previsibilidade.
Há ‘grandes artistas’ em todas as áreas (não apenas na Comunicação) mas há para muitos deles o resguardo da menor visibilidade; são conhecidos na comunidade de interesses partilhados mas a sua presença não é sentida por audiências mais vastas.
Acontece isso, de alguma forma, com a Burson-Marsteller, a empresa que no passado domingo à noite aceitou gerir a comunicação de crise da proprietária do navio de cruzeiro, Costa Concórdia.
Especializada precisamente em comunicação de crise, a BM tem no seu portefolio trabalho com a indústria tabaqueira, com a Exxon (depois do acidente com o Exxon Valdez), com a Union Carbide (depois do acidente de Bhopal), com a Babcock and Wilcox (depois do acidente nuclear em Three Mile Island), com os governos do Egito, Argentina e Roménia (todos em períodos de regime autoritário) e ainda com o governo da Indonésia (na sequência do massacre do cemitério de Santa Cruz, em Timor-Leste).
Será, por isso, interessante prestar atenção à informação a que vamos ter acesso, de agora em diante, sobre o caso do Costa Concórdia.
O que vais ser dito e, sobretudo, o que ficará por dizer.
Está em campo não apenas ‘um grande artista’; A BM está para os ‘grandes artistas’ como o Sinatra estará para os ‘cantores famosos’ .

(Foto com permissões CC, retirada do espaço Flickr ‘Il Fatto Quotidiano‘)

Internet People

🙂 Ai de quem não reconhecer pelo menos 10 dos ‘internet events’ retratados nesta animação…

Encontrei a sugestão aqui.