Blogues – chão que deu uvas?

Os blogues e a blogosfera foram chão que deu uvas ou estão aí para lavar e durar? O simples colocar da encontro-de-bloguespergunta já indicia qualquer coisa. De facto, têm sido vários, nos últimos tempos,os sinais de um ‘farewell”, desde que Paul Boutin, escreveu na Wired,  no mês passado, “Twitter, Flickr, Facebook Make Blogs Look So 2004“. A partir daí gerou-se uma onda semelhante à que por duas vezes se levantou no ano passado, sempre a anunciar “the death of blogs”. E, no entanto, eles aí estão, de todas as cores e feitios, a ponto de o 4º encontro sobre weblogs, que está a decorrer na Universidade Católica, em Lisboa, até se dedicar a um tipo específico deles – os blogues especializados nas questões culturais. Muitos ficam e continuarão a ficar pelo caminho, mas outros surgem e, das sucessivas colheitas, as marcas e as castas vão-se apurando, como no vinho.
Enquanto já há quem pergunte “Quem matou a blogosfera“, desejando, curiosamente através de um blogue, que ela descanse em paz, também existe quem descubra nela o seu modo de vida e quem se dedique a estudá-la.

Continuo a achar que aquilo que é interessante no formato é a ideia de fundo – cada qual (pessoa, grupo, instituição) aceder à palavra, à expressão, no espaço público. O tempo se encarregará de fazer a triagem entre os projectos que acrescentam algo ao que já existe e aqueles que apenas parasitam o que existe. No meio, haverá sempre espaço para ensaios, desistências, procuras.
Há muitas áreas que não acompanho, na blogosfera, por falta de tempo. Mas não é exagerado dizer que, a par do lixo e da mediocridade, nela encontramos hoje complementos e até alternativas de qualidade à informação que os media profissionais fornecem. E isso permite, julgo, fazer um balanço positivo.

A consultar:
– Wired: Twitter, Flickr, Facebook Make Blogs Look So 2004
– Rough Type:Who killed the blogosphere?
– The Economist: Blogging is no longer what it was
– Terra Magazine: Quem matou a blogosfera?…
– Le Monde: Profession blogueur
– DN: Homens continuam a ser sexo forte na blogosfera.
– Também Paulo Querido no blogue Mas certamente que sim! e Rogério Santos, no Indústrias Culturais, têm reflectido, nos últimos dias, sobre este mesmo tema.

Mudar o mundo?

Passar os olhos pelos blogues que alguns dos media tradicionais crescentemente alojam nos seus sites (muitos deles alimentados por jornalistas da casa,  em registos de escrita mais pessoais do que os do trabalho jornalístico) é, pode ser, um complemento informativo bastante interessante. Na emocionante noite das eleições americanas, que fez lembrar (a pessoas da minha idade, claro…) aquelas longuíssimas madrugadas à espera de resultados nas nossas primeiras eleições pós-25 de Abril, fui passando os olhos por alguns deles (sim, que decidi seguir a contagem americana simultaneamente à frente do televisor e do computador). Passei, por exemplo, pelo site da CNN e pelo blogue In the Field, onde encontrei um texto da famosa jornalista Christiane Amanpour, intitulado This election will change the world. Para além do post, chamaram-me a atenção alguns comentários e, especificamente, este de um senhor chamado Mike Roberts:

The arrogance of thinking the US election will change the world is boring at best and grating at worst. Yes it is historic, yes it is interesting, but it will not change the world. There will be troops in Iraq whoever wins, there will be an economic crisis, whoever wins, there will be famine and conflict in Africa, whoever wins, and there will still be terrorist elements all over the world aiming their anger at America and the rest of the world, whoever wins. So please, stop this rhetoric of “changing the world” and lets hope America can change itself and by this regain its Status as an admired democratic country worldwide. Don’t run before you can walk.

E dei comigo a pensar que o senhor tinha alguma razão. Mas depois pensei que talvez não totalmente, porque o simples facto de Barack Obama ter sido eleito presidente dos EUA é já, só por si, uma mudança no mundo. Independentemente do que venha agora por aí (e oxalá venha boa coisa…), de facto o mundo, ontem, mudou. De que maneira!

Obama ganha também na estratégia para a Net

Valerá a pena, neste momento, passar os olhos num texto disponibilizado há dois dias atrás na Columbia Journalism Review em que Renee Feltz nos diz que a campanha de McCain olhou para a Net com os olhos do passado. E (também) isso pode ter feito a diferença.
Excerto:

Barack Obama’s campaign reaches out to activist bloggers in order to communicate with and mobilize campaign volunteers and feed them into its online social networking site, MyBarackObama.com. In contrast, John McCain’s campaign takes a top-down approach, using blogs—many of which it helped incubate—as an echo chamber for channeling mostly anti-Obama attacks into the mainstream media, in order to create an impression of grassroots online support.

“Não matarão o pensamento”

Atentado con coche bomba en la Universidad de Navarra (Jose Luis Orihuela, eCuaderno).

No matarán el pensamiento (Ramón Salaverría, e-periodistas).

ComUM está de volta

Novo ano lectivo, vida nova para o ComUM – um projecto dinamizado pelos alunos de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho.
Escreve Bruno Simões no editorial:

“Começar do zero acarreta riscos. Ter ambições também (…) O ComUM que agora inicia uma nova temporada é o que é por causa dos que foram antes dele, nas várias equipas que estiveram no online desde 2005 e, também, pelos outros. E se a história do ComUM tem vindo a enriquecer todos os anos, não será este ano a marcar a diferença”.

99 “things I’ve learned about blogging”

Para assinalar os mil posts no seu blogue, Paul Bradshaw, do Online Journalism Blog, ‘postou’ “1000 things I’ve learned about blogging” que, de facto, são … 99. Poderemos nós continuar os itens dele, até mil…ou mais. Pela minha parte, tenho aprendido, não sem custo, como é difícil arranjar tempo para actualizar este espaço, mesmo sabendo sobre o que escrever e como o fazer. Até por isso, só posso estar agradecido ao Paul e a muitos outros bloggers, incluindo os portugueses. Ao fim e ao cabo, é a rede entre os vários bloggers que faz a diferença. Esse podia ser o item número 100 da lista.

“O estilo do blogue jornalístico”

Ramón Salaverría acaba de publicar o trabalho de investigação intitulado El estilo del blog periodístico: usos redaccionales en diez bitácoras
espańolas de información general
.

Este trabajo (…) pretende arrojar luz sobre las características redaccionales de los blogs periodísticos. En particular, aspira a identificar en qué aspectos coincide y en cuáles otros diverge la escritura de blogs periodísticos con respecto a las formas tradicionalmente atribuidas al estilo periodístico.
La cuestión que se pretende descubrir es si los blogs periodísticos poseen algún patrón estilístico y discursivo análogo a los géneros periodísticos. Y, en el caso de que lo tengan, determinar si adoptan como referente de estilo principal a los géneros periodísticos informativos clásicos o bien a los géneros interpretativo-argumentativos, también llamados “de opinión” .

Algumas conclusões:
– Los blogs periodísticos españoles se asemejan más a columnas de opinión que a noticias.
Los blogs periodísticos carecen de un patrón textual estándar. Salvo en la brevedad de los títulos y, en menor medida, en el escaso uso de las citas textuales, los blogs apenas coinciden en cánones estilísticos comunes.
-Los blogs periodísticos hacen un uso modesto de los recursos multimedia a su alcance y se valen ordinariamente de las fotografías para enriquecer el discurso principal, que recurre al texto como vehículo habitual de comunicación.
– La mayor parte de los enlaces hipertextuales incluidos por los blogs periodísticos dirigen a los lectores hacia cibermedios cuya matriz está fuera de internet y, entre ellos, muy especialmente a los cibermedios nacionales de mayor envergadura y audiencia.

Jane Singer na UM em Setembro

A professora e investigadora americana Jane Singer é a conferencista convidada do seminário “Jornalismo: mudanças na profissão, mudanças na formação”, que terá lugar no próximo dia 26 de Setembro, na Universidade do Minho (Braga). Este seminário, organizado no âmbito do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), juntará à volta da mesma mesa diversos professores e estudantes de jornalismo, bem como profissionais no activo, para debaterem os desafios suscitados pelos novos contextos do exercício do jornalismo na ‘era da Internet’.

 

Jane Singer é professora na Universidade do Iowa (EUA), embora esteja presentemente a dar aulas na Universidade de Central Lancashire (Inglaterra), onde se ocupa da ‘Johnston Press Chair in Digital Journalism’. Simultaneamente prossegue os seus trabalhos de investigação, muito centrados no jornalismo online, com particular atenção às questões éticas, assim como às “pessoas e processos que estão por trás da criação de notícias num ambiente ligado em rede”, como ela própria diz.

 

Singer faz parte, actualmente, dos comités editoriais de diversas revistas científicas de nomeada (‘Journalism & Mass Communication Quarterly’, ‘Journalism’, ‘Journalism Studies’, ‘Journal of Mass Media Ethics’). Além disso, nalgumas delas tem publicado textos de grande relevância para quem queira estudar o universo do jornalismo online nas suas múltiplas declinações. Refiram-se, entre outros, “Who are these guys? – The online challenge to the notion of journalistic professionalism” (Journalism, 2003, vol.4), “The socially responsible existentialist – A normative emphasis for journalists in a new media environment” (Journalism Studies, 2006, vol.7), e “Contested autonomy – Professional and popular claims on journalistic norms” (Journalism Studies, 2007, vol.8)  

Liberdade à moda do Minho

Através de “Os tribunais como arma de intimidação“, tomei conhecimento do caso do colaborador de um blogger que terá sido processado por enviar informações para o blogue Universidade Alternativa (cf. “Coisas da minha Universidade“). A acompanhar.

Os idosos ligam a TV. E a TV liga aos idosos?

Os portugueses com idade acima dos 64 anos viram, em média, cinco horas e meia diárias de televisão, segundo os resultados da Marktest Audimetria/MediaMonitor, acabados de divulgar.
Um volume de consumo desta dimensão deveria fazer tremer o país. Com as crianças (cujos consumos estão longe destes valores) preocupamo-nos com o tempo e o impacte da TV. Mas com os mais velhos actuamos como se já nada houvesse a esperar, como se não fosse dramático que centenas de milhares vegetem a olhar para o ecrã, sem oportunidades para o que se chama propriamente vida, abandonados a si mesmos, sedados por esse moinho de imagens que entretém e distrai.
O quadro não está a ficar mais risonho, com o passar do tempo. Pelo contrário: o consumo médio de televisão entre os idosos cresceu mais de meia hora diária, nos últimos cinco anos, de acordo com a mesma Marktest.
A divulgação de um dado deste calibre deveria inquietar e mobilizar. Nomeadamente os próprios media e, em especial, as televisões. Só que esta gente não tem pedigree na bolsa de valores televisiva. Vota mas compra pouco, porque pouco pode comprar. Conta para o bolo do rating e do share, mas não merece uns programas regulares que lhe dê voz e vez.
Uma resposta ainda que indirecta a este problema acaba de ser dada pelo diário The New York Times. O jornal criou há dias no seu site o The New Old Age, um novo blogue – o 60º ! – que se propõe debater o grave problema das gerações adultas que se deparam com os cuidados a proporcionar aos pais idosos que vivem cada vez mais tempo e cada vez mais dependentes. É um pequeno gesto.

Microblogging | 4

  • No observatório Journ@lisme(s).net, dá-se conta de um blogue alemão que faz sua razão de ser a crítica quotidiana ao Bild, o maior tablóide do país (10 milhões de leitores diários). Algumas das críticas tiveram já consequências.
  • Blogger arrests hit record high – A denúncia de violações dos direitos humanos e do comportamento dos governos está a levar cada vez mais bloggers para a prisão. A notícia é da BBC.
  • Bloggers decidem uma campanha de boicote à Associated Press por esta ter obrigado o Drudge Retort (não se trata do Drudge Report) a retirar citações de materiais daquela agência difundidos através do Google News.

Blogues preocupam Parlamento Europeu !

A Comissão da Cultura e Educação do Parlamento Europeu “sugere a clarificação do estatuto, jurídico ou outro, dos blogues e incentiva a sua classificação voluntária em função das responsabilidades e interesses profissionais e financeiros dos seus autores e editores”. A recomendação consta de um recente pronunciamento sobre concentração dos media. (ver a opinião crítica de José Luis Orihuela sobre o assunto).

150.000

Este blogue atingiu agora as 150 mil ‘page views’, desde que existe na plataforma WordPress (meados de Janeiro de 2007). Na anterior incarnação, de 2002 a 2006, no Blogger, esse número ronda as 630.000. O nosso obrigado aos que se interessam por este espaço especializado de informação e opinião.

Microblogging |2|

  • Amanhã, sábado, a partir das 13 horas (GMT) bloggerse podcasters do mundo hispânico realizarão a III Maratona Podcastblog. Ao longo de mais de 36 horas debarter-se-ão a Internet, as TIC, o poder dos blogues, a censura na net, a filosofia da rede, podcasts educativos, etc. AQUI streaming para seguir em directo.
  • No número de Junho-Julho da American Journalism Review estes dois textos: Murky Boundaries – What are the guidelines for the personal blogs of journalists who work for mainstream news organizations? (Kevin Rector) e Bridging the Abyss Why a lot of newspapers aren’t going to survive  (Charles Layton).
  • Entrevista de John Byrne, director executivo da BusinessWeek e responsável pela BusinessWeek.com decalara ter sugerido à sua equipa que cada sábado toda a homepage fosse ocupada com conteúdos produzidos pelos utilizadores: “We need to think more about our audience“.

Prelo digital

Blogs y Medios: Las claves de una relación de interés mutuo – O blogger Jose Manuel Noguera (“La Azotea“) disponibiliza online a sua tese de doutoramento, propondo este modelo: “el periodista digital como filtro cualificado de la información y como moderador-canalizador de la “inteligencia colectiva” de las comunidades en red”.

Estado de los Medios de Comunicacion 2008 – Já está disponível a tradução para espanhol do ‘executive sumary’ do estudo The State of the News Media 2008, publicado há cerca de dois meses pelo Project for Excellence in Journalism.