Educação para os media – seminário

Por ocasião do 30º aniversário da Declaração de Grünwald sobre Educação para os Media, vai realizar-se nesta sexta-feira, dia 20, um seminário com Evelyne Bévort, directora-adjunta, com o pelouro da cooperação internacional, do CLEMI – Centre de Liaison de l’Enseignement et des Moyens d’Information, do Ministério francês da Educação e com Jose Manuel Pérez-Tornero (Universitat Autònoma de Barcelona) sobre “A educação para os media como via de leitura crítica do mundo actual”.

O evento realiza-se na Sala de Actos do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, a partir das 14h30 e é organizado pelo Projeto ‘Navegando com o Magalhães: Estudo do Impacto dos Media Digitais nas Crianças‘.

De referir que a Declaração de Grünwald foi aprovada unanimemente pelos representantes de 19 nações durante o Simpósio Internacional sobre Educação para os Media organizado pela UNESCO, na cidade de Grünwald, na então República Federal da Alemanha, em 22 de Janeiro de 1982.

Eleições para a IAMCR

O Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade nomeou Janet Wasko para a Presidência da International Association for Media and Communication Research.
As nomeações para o Executive Board (1 Presidente, 2 Vice-presidentes, 1 Secretário-Geral e 1 Tesoureiro) e para 15 membros do International Council estão abertas até ao dia 1 de Março de 2012.
As nomeações devem ser formalizadas através de uma mensagem para o Presidente da Comissão Eleitoral, Cees Hamelink, e publicamente através da lista de anúncios da organização.
As nomeações podem ser feitas por membros individuais ou institucionais.
Os candidatos precisam de ter, no mínimo, 5 nomeações de, pelo menos, 2 país distintos.
A actual Presidente Annabelle Shreberny anunciou que não iria recandidatar-se.
A IAMCR realizou a sua primeira conferência em Portugal em 2010 .
Seguiu-se Istambul.
Este ano será em Durban.  Ver ‘General Call’ aqui.

O postal no princípio do post

Durante três anos e meio uma equipa de investigadores do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade recolheu, classificou e refletiu sobre postais ilustrados. Meio de comunicação démodé, dirão muitos, o bilhete-postal teve na história da correspondência interpessoal do século XX o ar gracioso de um suporte que à brevidade das palavras junta(va) uma imagem. Registo ligeiro, económico, breve, o postal ilustrado está, pode dizer-se com propriedade, no princípio dos posts que hoje publicamos em blogues. No postal como no post, ao apontamento do quotidiano procuramos juntar a gentileza de uma imagem. E do postal para o post perdemos, por outro lado, em tactilidade o que ganhamos em instantaneidade. Mas no postal ou no post encontramos também a vontade de arquivar a brevidade de gestos de partilha.

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Celebrando a memória do postal ilustrado e a sua relevância para a história da comunicação visual, a mesma equipa de investigadores acaba de publicar um conjunto de seis booklets que dão a conhecer parte de Portugal ilustrado em postais. Nesta coletânea, analisa-se a imagem construída e divulgada pelos postais ao longo dos anos relativamente a cinco cidades portuguesas – Bragança, Viana do Castelo, Braga, Viseu e Portalegre. Os booklets reunidos nesta obra são, na verdade, apontamentos sumários da imagem destas cidades ao espelho dos postais, num formato que repete, de algum modo, o jeito dos próprios bilhetes-postais: são brochuras breves, regionalizadas, ilustradas, coloridas, que mantêm o perfil ágil e afetuoso do objeto colecionável.

Na próxima segunda feira, dia 23, Henrique Barreto Nunes, ex-diretor da Biblioteca Pública de Braga, apresenta esta publicação coletiva, às 18h00, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva. A entrada é livre.

O que vamos agora ouvir sobre o Concórdia?

Quando, há anos, trabalhei em Inglaterra, dizia-se que um acontecimento só era mesmo ‘um acontecimento’ quando chegavam ao terreno os ‘grandes artistas’ (do jornalismo): Kate Adie, John Simpson, Misha Glenny, George Alagiah, Ben Brown ou o inesquecível Martin Bell (para citar apenas alguns).
É, naturalmente, um exagero, mas o certo é que esta perceção não era partilhada apenas pelos restantes jornalistas, mas também pelas audiências que se sentiam identificadas com aquelas pessoas de forma muito particular.
Não estando escrito em lado algum, este ‘sub-texto’ fazia parte do visível (para usar uma expressão do Luís Miguel Loureiro); as regras pareciam ser conhecidas de todos e o espaço era gerido por uma dose substancial de previsibilidade.
Há ‘grandes artistas’ em todas as áreas (não apenas na Comunicação) mas há para muitos deles o resguardo da menor visibilidade; são conhecidos na comunidade de interesses partilhados mas a sua presença não é sentida por audiências mais vastas.
Acontece isso, de alguma forma, com a Burson-Marsteller, a empresa que no passado domingo à noite aceitou gerir a comunicação de crise da proprietária do navio de cruzeiro, Costa Concórdia.
Especializada precisamente em comunicação de crise, a BM tem no seu portefolio trabalho com a indústria tabaqueira, com a Exxon (depois do acidente com o Exxon Valdez), com a Union Carbide (depois do acidente de Bhopal), com a Babcock and Wilcox (depois do acidente nuclear em Three Mile Island), com os governos do Egito, Argentina e Roménia (todos em períodos de regime autoritário) e ainda com o governo da Indonésia (na sequência do massacre do cemitério de Santa Cruz, em Timor-Leste).
Será, por isso, interessante prestar atenção à informação a que vamos ter acesso, de agora em diante, sobre o caso do Costa Concórdia.
O que vais ser dito e, sobretudo, o que ficará por dizer.
Está em campo não apenas ‘um grande artista’; A BM está para os ‘grandes artistas’ como o Sinatra estará para os ‘cantores famosos’ .

(Foto com permissões CC, retirada do espaço Flickr ‘Il Fatto Quotidiano‘)

‘Media’ privados ou públicos? A propriedade como poder de ocultação

Há dias, num “post” intitulado “Quem é dono do quê?”, Luís António Santos alertava aqui para a necessidade de uma maior discussão do ‘assunto’ da propriedade dos ‘media’ portugueses. O caso não é de somenos. É dos dispositivos de efectivo controlo do espaço comunicacional que se trata. Logo, é de democracia.

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Considero que a dissimulação de aspectos essenciais para o conhecimento de toda a maquinaria de produção da mensagem mediática, como a propriedade das empresas, é um dos aspectos cujo debate é mais decisivo na discussão da lógica privatizadora que avança de forma inexorável em Portugal. Mas os ‘media’ comportam ainda uma outra ‘nuance’: operam no âmago de um espaço de visibilidade que tudo substitui, isto é, constituem e administram eles próprios a visibilidade, produzindo uma extensa superfície de luz imediata: aquilo que vemos e nos é dado a ver. Ora, o que está visível separa, esconde, torna-se imagem que, constituindo-se visão do mundo, remete o que está aquém e além para a invisibilidade ou, pelo menos, para zonas de obscuridade. Diria: zonas de ocultação. Ou seja, ao constituírem e administrarem a visibilidade os ‘media’ detêm o poder de operar igualmente a dissimulação. E, como já aqui escrevi, sai vencedor da incessante batalha do visível contemporâneo aquele que mais capaz se revele a ocultar a sua posição.

Observemos, pois, o que se passa com a questão particular da propriedade dos ‘media’: na verdade, se o que está visível é a mensagem-imagem (o objecto mediático) que o ‘medium’ coloca em acelerada circulação, e se a visibilidade é constituída pelo conjunto de mensagens-imagens que são postas em circulação, todo o resto é remetido para zonas de ocultação, a começar pelo próprio processo de produção das mensagens. Não será difícil perceber que é, precisamente, nestas zonas de ocultação, porventura nas mais profundas e afastadas da superfície visível, que se situa o problema da propriedade. A propriedade dos ‘media’ não ocupará propriamente uma posição fixa, não está, certamente, isolada do sistema de visibilização, bem pelo contrário: ela interage com um sistema dinâmico a ponto de ser potencialmente decisiva no modo como o visível é constituído, reproduzido e administrado. Isto é: pode servir-se desse jogo do visível como poderosa superfície de dissimulação. Tornar algo visível pode significar a invisibilização do que é próprio. E este é um aspecto diferenciador da propriedade de empresas de ‘media’ relativamente à propriedade de outros tipos de organizações empresariais, económicas e financeiras: neste caso, não restam dúvidas de que propriedade é poder, mas também de que deste poder faz parte um decisivo poder de auto-dissimulação.

Onde reside, entretanto, a diferença essencial entre a propriedade pública e a propriedade privada se, neste simples esquema de visibilidade que nos serve de grelha analítica, tanto uma como outra parecem poder ser igualmente dissimuladas? Quer parecer-nos que a questão está na própria definição conceptual. Só faz sentido que o público opere num espaço de visibilidade que é sempre um espaço de publicidade. Assim, mesmo que se dissimule e, de certo modo, se privatize sob camadas de intransparência, privatizando os seus processos decisórios e produtivos, o público e o problema da sua propriedade estão sempre forçados ao regresso à superfície. Existirá sempre uma exigência de retorno ao visível. Ao privado é, entretanto, inerente a privacidade como carácter definidor, ou seja, é-lhe sempre conferido um direito de reserva, de permanência no privado. Veja-se, por exemplo, as justificações dadas recentemente para as nomeações na EDP, após venda aos chineses da Three Gorges (em especial as justificações de Eduardo Catroga, ancoradas na decisão de accionistas), ou para a (e)migração da Jerónimo Martins para a Holanda. É também deste aspecto decisivo para o debate da democracia que se joga o debate sobre a privatização dos ‘media’ do Estado.

(sobre este assunto, aconselha-se também a leitura de “O público, o privado e o ideológico”, publicado como nota, configurada como “pública”, por Rui Pereira, na sua página de Facebook)

A rede que nos liga…e nos anestesia

No início da década de 70 do século passado, Gil Scott-Heron (desaparecido em 2011), por muito considerado o ‘pai do Rap’, dizia-nos num poderoso poema que a revolução não passaria na televisão…ela aconteceria ao vivo.

Excerto:
You will not be able to stay home, brother.
You will not be able to plug in, turn on and cop out.
You will not be able to lose yourself on skag and skip,
Skip out for beer during commercials,
Because the revolution will not be televised.”

O texto insurgia-se contra uma TV conservadora, em conluio com o sistema político e alheia aos sérios problemas que enfrentava a comunidade negra nos Estados Unidos.

Mais de 40 anos depois verificamos que tudo (o real e o simulado, como dizia ontem o Luís Miguel Loureiro) parece acontecer ao vivo.
E, naturalmente, com consequências.
Vale a pena perder cinco minutos com a apropriação/adaptação que Ronnie Butler Jr. (o homem que já nos tinha dado em 2010 um outro brilhante momento) faz do poema de Heron.

Crí(p)tica da ‘razão técnica’

(reflexões soltas a propósito da aparente complexidade, por vezes altamente críptica, da conversa dos “ratings”, dos debates da finança e da economia, ou da fuga tecnicamente assistida à explicação de casos como a TDT[1], ou seja, dos inúmeros episódios de comunicação contemporânea no espaço público que surgem codificados e, aí, ocultos sob a iluminação intensa de argumentos e “razões técnicas” que, na prática, ao ofuscarem e prenderem o olhar imediato, afastam a cidadania do centro do debate democrático assegurando modos exclusivistas de controlo do espaço comunicacional)

Parar é morrer.

Quem não aparece esquece.

Toda a nossa existência parece ser, hoje mais que nunca, sobre o constante refinamento dessa ligação: a luz e o movimento. Intensos. Perpétuos. O mundo e a vida, sem eles, correm o risco do desabamento numa fatal falha de sentido.

Desde a alvorada moderna, com os seus preparativos renascentistas, que aprendemos a conhecer o poder da luz óptica sobre os corpos terrestres. Começámos a negar a luz como exclusivo do divino, trouxemo-la para o meio de nós, para onde as coisas se vêem, de facto. Ver é crer. Ver é conhecer.

A ciência, e o primado da observação e da sua consequente verificação, constituem a prova desse poder massivo da luz óptica. Foi a luz que iluminou os corpos (terrestres e celestes) e, neles, começou a revelar a sua “mathesis” universal, o seu rigor, numa relação das formas com as fórmulas, afinal, o conteúdo matemático da vida que se constituirá como nova relação mística. Recuperaram-se os antigos, renasceu o teatro, e a luz, sempre, em todo o lado. A alvorada moderna fez passado das trevas medievas e lançou o mundo na promessa radiosa de um dia interminável.

Parece óbvio que, com a revelação óptica da luz, só podia vir mesmo o movimento, a seguir. Prometido, primeiro, como liberdade, como revolução. O livre movimento dos corpos, nesse intenso iluminismo dos tempos: a razão universal do indivisível indivíduo emancipado. Concretizado, finalmente, como confinamento dissimulado pela intensificação do movimento, isto é, como inapercebido controlo, razão técnica imediata que se apresenta ao movimento acelerado dos corpos que tudo vêem mas já nada compreendem. Razão técnica que há-de ser sempre uma, uma nova e inesperada, na miríade das razões técnicas.

Perdoe-nos Kant a ousadia da glosa, mas é de um mergulho críptico, de uma crítica da críptica ‘razão técnica’, que hoje necessitamos, sob pena de nos deixarmos levar na acelerada onda cinética. Perdidos num caleidoscópio de sombras sem sombra.

A luz forte que ilumina o movimento e a mobilização dos corpos tornou o visível insuportável, ofuscante. O filósofo francês Paul Virilio descreve-o como um campo de batalha e tem razão. A questão é que é do mais perigoso e traiçoeiro dos campos de batalha que se trata. O campo de batalha do visível faz da visibilidade a mais valiosa das suas mercadorias. Quem não aparece, esquece. Contudo, o “aparecer”, hoje, só se torna possível para corpos em movimento intenso e é aí que reside a sua armadilha. A sobrevivência, na guerra contemporânea está, mais do que nunca, relacionada não com o movimento em si, mas com a dissimulação. O “aparecer”, para o combatente, pode ser fatal se for um “aparecer congelado”, se se contiver numa imobilização. Por isso, ele esconde-se no avião furtivo, desaparece do radar comum usando o artifício técnico. O que “aparece” são apenas os seus efeitos. Quando ataca, já não está lá. A sobrevivência está, assim, relacionada com a capacidade rara de aparecer sem ser visto, sem ser detectado, a capacidade que cada combatente tiver de atacar sem nunca se deixar imobilizar. Parar é morrer. Assim, o “aparecer” é, hoje, um acto bélico, de um contra os outros. Ganha a guerra quem detiver a exclusiva chave da encriptação, quem possuir o restrito código de acesso à mensagem, quem se souber esquivar para lá da cortina técnica.

E o visível, já não será mais que um perigoso campo de batalha: intensamente iluminado, ofuscante e potencialmente paralisante. No campo de batalha, já ninguém é livre, e todo o movimento dos corpos é perseguido, controlado, rastreado e, potencialmente, tecnicamente anulado.

Percebe-se, pois, a importância de aprendermos a perscrutar o escuro da nossa contemporaneidade, tal como outro filósofo, o italiano Giorgio Agamben, escreve nas suas obras mais recentes. Afinal, é nesse imenso espaço onde o visível óptico não consegue chegar que as estratégias de ataque realmente se desenham. Será esse, porventura, o papel que resta a uma ciência da comunicação que se queira capaz de intervir no social em que está envolta. Será esse o papel que estamos intimados a assumir a cada tentativa de denúncia crí(p)tica que aqui nos propusermos fazer.


[1] Sobre este último tema, sugiro (re)leitura do excelente artigo escrito para este blogue por Sérgio Denicoli.

Quem é dono do quê?

A paisagem mediática nacional está em estado de grande fluidez – talvez seja o normal em tempos de crise, ou talvez não.
Parece, em todo o caso, que o ‘assunto’ da propriedada dos média portugueses deveria ser mais discutido (nos próprios média mas também fora deles).
Regista-se com agrado a atenção da Estrela Serrano ao tema – aqui e aqui, por exemplo – mas as movimentações ocorridas nos últimos tempos e, sobretudo, as que parecem estar ainda em curso talvez necessitassem de maior visibilidade.
Duas notinhas recolhidas hoje, a este propósito, não presumindo que uma possa ter algo a ver com a outra: o FC Porto pode estar a preparar-se para lançar um grupo de média e o Público anuncia novo plano de corte na despesa.

Defesa do jornalismo é problema de cidadania

No momento em que, ontem, recebia o Grande Prémio Gazeta de Jornalismo 2009 por uma reportagem sobre a vida de Joaquim Ferreira Torres,o jornalista Miguel Carvalho achou por bem dizer isto (intervenção completa aqui):

“(…) acima de tudo, entendo este prémio como uma homenagem à Imprensa escrita e a todos aqueles que, de Norte a Sul, por vezes enfrentando a mais ignóbil falta de escrúpulos e de meios, se recusam a escrever sem sombra de paixão.
Quero, de resto, dedicar este Prémio Gazeta a todos os camaradas de profissão que, mesmo perante os ventos do avesso, continuam firmes na defesa de um jornalismo com memória, identidade e responsabilidade.
Os tempos não estão fáceis também para nós, jornalistas.
Há quem, sem qualquer ligação ao meio e a esta nobre profissão, pretenda impor-nos um jornalismo low-cost, padronizado, feito de Portugal sentado e idolatrias do óbvio, montado, cada vez mais, numa desumanização galopante.
Mas a defesa do jornalismo, a sua independência e responsabilidade, não é um problema de jornalistas. É um problema de cidadania. E deveria ser uma causa de todos nós. A dignificação do jornalismo e dos seus profissionais é uma garantida de sociedades mais fortes, exigentes e pluralistas.
Um jornalismo mercantil, fragilizado, precário e acessório, ao sabor de imediatismos e de modas é um risco tremendo para a democracia e as liberdades.
Eu sei que o jornalista não pode mudar o mundo.
Mas continuo a pensar que é nosso dever tentar exercer a profissão como se isso fosse possível
E para isso não basta ser livre. É preciso ter coragem.
Se não cuidarmos do que lemos, do que escrevemos e do que transmitimos, estaremos a contribuir para que se cumpra, sem volta atrás, uma velha sentença do escritor Mário de Carvalho: «Um jornalismo cão há-de merecer um mundo cão».”

O Chile / as minas / os operários – olhar para além do ‘milagre’

Nestes que são tempos (ainda) de exaltação do espírito combativo humano, a propósito do salvamento dos mineiros chilenos, importará, por certo, estender o olhar um pouco para além da brilhante campanha de Relações Públicas levada a cabo pelo governo de Santiago.
(Foto de Rodrigo Arangua/AFP/Getty Images, retirada do espaço The Big Picture, no site Boston.com)

Esta que foi uma ‘história perfeita’ – tanto do ponto de vista jornalístico (inédita, apelativa para grandes audiências, cheia de emoção, com potencial de desenvolvimento visual e infográfico, com fontes disponíveis, com um final feliz) como das Relações Públicas (a deliberada banalização – para usar a expressão de Billig – da simbologia nacionalista, a gestão primorosa da relação com os média, a naturalização de processos de construção de imagem pública – de mineiros, familiares, técnicos e políticos)  resulta de um contexto e é parte de outras histórias que o jornalismo precisaria de contar.
Recomendam-se, nesse sentido, duas leituras:

1. “Au Chili, derrière l’euphorie médiatique, les hommes“, de Franck Gaudichaud, no Le Monde Diplomatique.

“Dans les faits, les trente-trois mineurs surmédiatisés demeurent paradoxalement sans voix. Ni eux, ni leur familles, ni le mouvement syndical – historiquement puissant dans ce secteur, mais affaibli par la dictature et ses réformes néolibérales –, n’ont eu l’occasion de donner leur analyse des causes de l’accident. A l’extérieur, ceux qui ont réussi à échapper à l’éboulement tentent de rappeler que leurs salaires n’ont pas été versés depuis plusieurs semaines : « Arrête ton show Piñera, nous sommes aussi trois cents dehors. » Ils se heurtent à l’indifférence générale.”

2. “Chile’s ghosts are not being rescued“, de John Pilger, no New Statesman.

“The accident that trapped the miners is not unusual in Chile, but the inevitable consequence of a ruthless economic system that has barely changed since the dictatorship of General Augusto Pinochet. Copper is Chile’s gold, and the frequency of mining disasters keeps pace with prices and profits. There are, on average, 39 fatal accidents every year in Chile’s privatised mines. The San José mine, where the men work, became so unsafe in 2007 that it had to be closed – but not for long. On 30 July last, a labour department report warned again of “serious safety deficiencies”, but no action was taken. Six days later, the men were entombed.”

La Repubblica…em branco

A primeira página do diário italiano La Repubblica aparece hoje em branco, como sinal de repúdio daquele jornal pela aprovação, no Senado, de uma proposta de lei que limita as escutas telefónicas nas investigações judiciais e policiais e que permite a aplicação de penas de prisão efectiva a jornalistas que publiquem conteúdos provenientes dessas escutas.
Para fazer aprovar a proposta da lei, o governo de Silvio Berlusconni recorreu, pela 34ª vez no actual mandato, a um artifício legal denominado ‘questão de confiança’ que permite ‘saltar’ discussões de eventuais emendas, apressando o processo.
Pode ler-se no editorial do La Repubblica:

Attenzione: la legge-bavaglio decide per noi, e decide secondo la volontà del governo ciò che noi dobbiamo sapere, ciò che noi possiamo scrivere.
Con ogni evidenza, tutto questo non è accettabile: non dai giornalisti soltanto, ma dai cittadini, dal sistema democratico. Ecco perché la prima pagina di “Repubblica” è bianca, per testimoniare ciò che sta accadendo. E per dire che non deve accadere, e non accadrà.

Mais AQUI.

O Papa nas primeiras

O Papa estará, neste momento, a chegar a Portugal e, como já se percebeu, as televisões fizeram um grande investimento no ‘evento’ (todas elas gastando, na noite de ontem, parte considerável dos seus serviços noticiosos a explicar-nos precisamente isso – o que vão fazer e com que imensidão de meios materiais e humanos).
As primeiras dos jornais de hoje são, curiosamente ou talvez não, muito menos efusivas (porque há menos recursos? porque só online vão poder contrariar a força dos directos da TV?).
Há, porém, duas que se destacam claramente; uma, porque recorre a um artifício de design interessante e a outra…bem, a outra, como já alguém disse num twit que li esta manhã, faz lembrar aquelas ideias geniais, cozinhadas por volta das 4hoo, por entre dois copos disto e duas cachimbadas daquilo…

Confiança:fraca no Governo e nos media

Foram ontem conhecidas as conclusões do estudo Edelman Trust Barometer, que se realiza há dez anos e inclui pela primeira vez Portugal. A confiança dos portugueses inquiridos nas instituições é razoável no que diz respeito às ONGs. Já relativamente ao Governo e à comunicação social…
Convém referir que não é rigoroso falar-se, neste caso, da “confiança dos portugueses”, visto que as 203 entrevistas feitas entre nós incidiram sobre licenciados de rendimentos do quartil superior e utilizadores praticamente diários da informação, sobretudo económica e política. Em todo um caso, é um retrato a considerar.


Fonte:Grupo GCI
Ver também: Portugueses não confiam no Governo, na banca e na comunicação social

Cimeira do clima – dia histórico para a Imprensa

O arranque da cimeira do clima, em Copenhaga, fica assinalado por uma iniciativa inédita e reveladora: 56 jornais de todo o mundo, incluindo o português Público, aceitaram o repto de The Guardian e publicam hoje na primeira página um texto comum, negociado entre eles, ao longo das últimas semanas.
O texto final, divulgado em mais de 20 línguas, alerta para a “terrível emergência” que afecta o planeta e foi subscrito pelos seguintes jornais de 44 países:
“Süddeutsche Zeitung” – Alemanha,”Gazeta Wyborcza” – Polónia,”Der Standard” – Áustria,”Delo” – Eslovénia,”Vecer” – Eslovénia,”Dagbladet Information” – Dinamarca,”Politiken” – Dinamarca,”Dagbladet” – Noruega,”The Guardian” – Reino Unido,”Le Monde” – França,”Liberation” – França,”La Reppublica” – Itália,”El Pais” – Espanha,”De Volkskrant” – Holanda,”Kathimerini” – Grécia,”Público” – Portugal,”Hurriyet” – Turquia,”Novaya Gazeta” – Rússia,”Irish Times” – Irlanda,”Le Temps” – Suíça, “Economic Observer” – China,”Southern Metropolitan” – China,”CommonWealth Magazine” – Taiwan,”Joongang Ilbo” – Coreia do Sul,”Tuoitre” – Vietname,”Brunei Times” – Brunei,”Jakarta Globe” – Indonésia,”Cambodia Daily” – Camboja,”The Hindu” – Índia,”The Daily Star” – Bangladesh,”The News” – Paquistão,”The Daily Times” – Paquistão,”Gulf News” – Dubai,”An Nahar” – Líbano,”Gulf Times” – Qatar,”Maariv” – Israel,”The Star” – Quénia,”Daily Monitor” – Uganda,”The New Vision” – Uganda,”Zimbabwe Independent” – Zimbabwe,”The New Times” – Ruanda,”The Citizen” – Tanzânia,”Al Shorouk” – Egipto,”Botswana Guardian” – Botswana,”Mail & Guardian” – África do Sul, “Business Day” – África do Sul, “Cape Argus” – África do Sul,”Toronto Star” – Canadá,”Miami Herald” – Estados Unidos,”El Nuevo Herald” – Estados Unidos, “Jamaica Observer” – Jamaica, “La Brujula Semanal” – Nicarágua,”El Universal” – México, “Zero Hora” – Brasil, “Diário Catarinense” – Brasil, “Diario Clarin” – Argentina.

O texto do editorial: AQUI

IAMCR ’10 apresentada no México

A conferência anual da IAMCR terminou esta sexta-feira, na cidade do México, com a apresentação da universidade e do país que, no próximo ano, recebem a mais internacional das reuniões académicas na área da Comunicação.

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O director do CECS, Manuel Pinto, e a directora do DCC, Helena Sousa (acompanhados pela presidente da associação, Annabelle Sreberny – à esquerda na foto), apresentaram a proposta de tema genérico, Comunicação e Cidadania, indicações logísticas e detalhes sobre a imagem da conferência, um projecto da Paleta de Ideias (empresa com a qual o DCC tem um protocolo de colaboração).

A apresentação terminou com este video promocional do país.

Detalhes sobre a conferência da IAMCR em 2010 vão poder, de agora em diante, ser consultados no site oficial ou seguidos através da conta no Twitter.