Eleições para a IAMCR

O Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade nomeou Janet Wasko para a Presidência da International Association for Media and Communication Research.
As nomeações para o Executive Board (1 Presidente, 2 Vice-presidentes, 1 Secretário-Geral e 1 Tesoureiro) e para 15 membros do International Council estão abertas até ao dia 1 de Março de 2012.
As nomeações devem ser formalizadas através de uma mensagem para o Presidente da Comissão Eleitoral, Cees Hamelink, e publicamente através da lista de anúncios da organização.
As nomeações podem ser feitas por membros individuais ou institucionais.
Os candidatos precisam de ter, no mínimo, 5 nomeações de, pelo menos, 2 país distintos.
A actual Presidente Annabelle Shreberny anunciou que não iria recandidatar-se.
A IAMCR realizou a sua primeira conferência em Portugal em 2010 .
Seguiu-se Istambul.
Este ano será em Durban.  Ver ‘General Call’ aqui.

O postal no princípio do post

Durante três anos e meio uma equipa de investigadores do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade recolheu, classificou e refletiu sobre postais ilustrados. Meio de comunicação démodé, dirão muitos, o bilhete-postal teve na história da correspondência interpessoal do século XX o ar gracioso de um suporte que à brevidade das palavras junta(va) uma imagem. Registo ligeiro, económico, breve, o postal ilustrado está, pode dizer-se com propriedade, no princípio dos posts que hoje publicamos em blogues. No postal como no post, ao apontamento do quotidiano procuramos juntar a gentileza de uma imagem. E do postal para o post perdemos, por outro lado, em tactilidade o que ganhamos em instantaneidade. Mas no postal ou no post encontramos também a vontade de arquivar a brevidade de gestos de partilha.

Imagem

Celebrando a memória do postal ilustrado e a sua relevância para a história da comunicação visual, a mesma equipa de investigadores acaba de publicar um conjunto de seis booklets que dão a conhecer parte de Portugal ilustrado em postais. Nesta coletânea, analisa-se a imagem construída e divulgada pelos postais ao longo dos anos relativamente a cinco cidades portuguesas – Bragança, Viana do Castelo, Braga, Viseu e Portalegre. Os booklets reunidos nesta obra são, na verdade, apontamentos sumários da imagem destas cidades ao espelho dos postais, num formato que repete, de algum modo, o jeito dos próprios bilhetes-postais: são brochuras breves, regionalizadas, ilustradas, coloridas, que mantêm o perfil ágil e afetuoso do objeto colecionável.

Na próxima segunda feira, dia 23, Henrique Barreto Nunes, ex-diretor da Biblioteca Pública de Braga, apresenta esta publicação coletiva, às 18h00, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva. A entrada é livre.

Novos mercados, novos negócios…

Recentemente, acontecimentos estranhos (no mínimo estranhos) têm redimensionado (para não dizer virado de pernas para o ar) aquilo que é a concepção de fazer ciência. De fazer ciência com dignidade, com mérito transparente. E isto porque parece estar a surgir um novo negócio, extremamente lucrativo e engenhoso… Falo das publicações PAGAS em revistas científicas internacionais…

Tem sido prática, pelo menos de forma mais visível nos últimos meses, o editor da revista congratular o autor pela aceitação da publicação e anexar na simpática mensagem o formulário com a revisão de pares e com os devidos comentários (em pinceladas muito largas, diga-se, uns “peer review comments” muito genéricos) para enriquecer o texto para publicação. Ora, acontece que à 3ª ou 4ª mensagem de correio electrónico trocada lá vem o SE. No caso, o pagamento de uma certa quantia monetária por cada página do artigo…  Assim: “The flat price is $50 US dollar per page”. Por página, a multiplicar por cerca de 20 páginas, a dividir pelo número de autores… Ah, então afinal até parece que nem dá muito a cada um! Ironia, claro está.

Falo da David Publishing Company, mais concretamente da revista Journalism and Mass Communication, mas apenas com o objectivo de ilustrar o que parece ser um novo negócio neste mercado das ideias e de o usar como mote para a discussão. A “ciência sem consciência” de que fala Rabelais parece encontrar aqui um excelente porto de abrigo.

Um negócio no mercado das ideias e uma reformulação da noção de ciência estão, assim, na base de estratégias como esta. Um novo modelo de negócio, dirão!

Mas este exemplo não termina aqui. Após pesquisa sobre as características da revista (indexação, factor de impacto, etc…), descobrem-se na blogosfera diversas críticas e relatos de más experiências com a revista ou com a editora (aqui, aqui ou aqui). Descobre-se, ainda, que há já quem discuta o assunto (nomeadamente aqui e aqui) e há inclusivamente listas daquilo a que chamam “Predatory Open-Access Publishers” e comentários que se referem a esta prática como um acto fraudulento (como aqui, aqui, aqui ou aqui). Estas referências são das mais variadas áreas científicas, não apenas das Ciências Sociais, o que denota alguma sensibilidade para o assunto e uma reacção por parte da comunidade científica.

Segue novo e-mail da parte dos autores. “Obrigada pela oportunidade mas a decisão é pela não publicação”… E eis que a resposta é inédita! Já passam a prescindir do pagamento da dita “fee” e acrescentam:

Maybe there is a misunderstanding.
Our editors, reviewers and authors are from all over the world,
and we try our best to provide a platform for experts and scholars
worldwide to exchange their latest findings.
However,to be honest, our journal just began,
it is very new and there is no sponsor for us,
so we have to charge some fees to run our journal.
Please understand that and support us. Thanks a million!

Milhões – e milhões de tudo, não apenas de dólares  – são o que estará em causa em situações como esta, nas quais se inverte completamente o processo produtivo… Em que se pede o pagamento de quantias para publicar trabalho digno e esforçado, em que não se sabe bem que implicações terá isso… Será bom? Será mau? Um novo modelo de negócio? Válido não é de certeza, a meu ver. Pelo menos não nestes moldes.

“Sobre Jornalismo” – nova revista científica internacional

Logo SLJ

Vai nascer neste primeiro trimestre de 2012, em três idiomas: português, francês e inglês. Intitula-se (em português) “Sobre Jornalismo“, terá uma versão impressa sendo também difundida pela Internet em acesso livre e  os seus artigos serão submetidos à avaliação de pares. O conselho científico desta nova publicação é constituído por académicos e investigadores franceses, brasileiros, canadianos, espanhois e o (único) português, João Canavilhas.

Tem por objetivo a “publicação de trabalhos inovadores, de olhares transdisciplinares e de pesquisas produzidas por estudantes de pós-graduação. (…) será constituída de dossiês temáticos em torno de problematizações precisas, com o objetivo de difundir resultados originais do ponto de vista teórico e/ou metodológico. Resultados de pesquisas de mestrado, relatórios de estudos científicos, notas de campo e de corpus também encontram espaço de difusão na revista”.

Neste momento, encontra-se aberta a chamada de artigos para dois números: “As fontes e os fluxos de noticias” e “As novas formas da imagem sobre atualidade“. Os interessados em apresentar propostas deverão manifestar esse interesse até ao próximo dia 15, domingo. Os textos completos (entre 30 mil e 50 mil caracteres) deverão ser enviados até 15 de Maio.

Mais  informações:http://www.surlejournalisme.com/

Quem é dono do quê?

A paisagem mediática nacional está em estado de grande fluidez – talvez seja o normal em tempos de crise, ou talvez não.
Parece, em todo o caso, que o ‘assunto’ da propriedada dos média portugueses deveria ser mais discutido (nos próprios média mas também fora deles).
Regista-se com agrado a atenção da Estrela Serrano ao tema – aqui e aqui, por exemplo – mas as movimentações ocorridas nos últimos tempos e, sobretudo, as que parecem estar ainda em curso talvez necessitassem de maior visibilidade.
Duas notinhas recolhidas hoje, a este propósito, não presumindo que uma possa ter algo a ver com a outra: o FC Porto pode estar a preparar-se para lançar um grupo de média e o Público anuncia novo plano de corte na despesa.

Obras apoiadas em 2011 para publicação

Lista das obras apoiadas para publicação, em 2011, no quadro da medida “Incentivo à Investigação e à Edição de Obras sobre Comunicação Social”, do Gabinete para os Meios de Comunicação Social:

  • A Ética das Relações Públicas, Gisela Marques Pereira Gonçalves;
  • Marketing de Televisão, Rádio e Audiovisual, Paulo Faustino.
  • Ciberjornalismo, modelos de negócio e redes sociais, Helder Bastos e Fernando Zamith (orgs.);
  • A Imprensa Portuguesa (1974 2010), João Figueira;
  • Esmiuçando os sufrágios eleitorais os media e as eleições europeias, legislativas e autárquicas de 2009, Rita Figueiras (coord.);
  • Os dias dos Media – uma análise de estruturas organizativas, Rogério Santos (coord.);
  • Pluralismo dos Media, Indicadores de Mercado e Grupos Empresarias em Portugal e na Europa, Paulo Faustino (coord.);
  • Cultura e Jornalismo Cultural, Dora Santos Silva;
  • Políticas Públicas, Estado e Media, Paulo Faustino e Francisco Rui Cádima;
  • A imagem técnica e as suas crenças – a confiança visual na era digital, Vitor Flores;
  • Apogeu, morte e ressurreição da política nos jornais portugueses do Século XIX ao Marcelismo, Carla Baptista;
  • Crianças e Media em tempos de mudança pesquisa internacional e contexto português, do século XIX à actualidade, Maria Cristina Mendes da Ponte;
  • República, Desporto e Imprensa, Francisco Pinheiro;
  • Jornalismo e direitos da criança – conflitos e oportunidades em Portugal e no Brasil, Lídia Marôpo;
  • Da imprensa regional da Igreja Católica – para uma análise sociológica, Alexandre Manuel;
  • Media e Poder – o poder mediático e a erosão da democracia representativa, João de Almeida Santos.

Amanhã, Dia Mundial da Criança, é apresentado na Livraria da FNAC, em Braga o ‘booklet’ “Videojogos – Saltar para Outro Nível”. Também lá tenho o nome mas a ideia e a iniciativa são sobretudo da Sara Pereira e do Luís Miguel Pereira.

A publicação, que será apresentada a partir das 21.30, contém uma série de fichas pensadas para ajudar pais e professores a lidar criticamente com a experiência dos videojogos dos mais novos.

O trabalho segue-se a um outro intitulado “Como TVer” e dá corpo a um projecto que foi galardoado com o prémio europeu de educação para os media, atribuído em 2009 pela Evans Foundation ao Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho.

“Metajornalismo”, livro de Madalena Oliveira


Metajornalismo, quando o Jornalismo é sujeito do próprio discurso” é o título do livro da investigadora Madalena Oliveira, publicado pelo Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, que vai ser apresentado ao público nesta segunda-feira, dia 31, às 19 horas, na Livraria Centésima Página, em Braga.
Este trabalho resulta, no essencial, da tese de doutoramento da autora, apresentada com o mesmo título, em 2007, na Universidade do Minho, na área de conhecimento de Ciências da Comunicação.
Com prefácio de Moisés de Lemos Martins, o livro tem a chancela da Grácio Editor.
O Índice pode ser consultado AQUI.

Livro sobre a cultura dos ecrãs


Vai ter lugar hoje a apresentação do livro “Ecrã, Paisagem e Corpo”, de que são coordenadores (e co-autores) Zara Pinto Coelho e José Pinheiro Neves, investigadores integrados no Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho.
A sessão realiza-se pelas 19h, na FNAC, em Braga (Centro Comercial Braga Parque), cabendo a apresentação ao Prof. Moisés de Lemos Martins, Director Adjunto do CECS, Presidente da Associação Portuguesa de
Ciências da Comunicação (SOPCOM) e director da colecção em que o livro é publicado. A chancela editorial é de Grácio Editor.
Para consultar o Índice: AQUI.

Provedores contribuem para a qualidade do jornalismo

Há vários tipos de provedores ou vários modos de entender e praticar a função. Mas aqueles que se assumem como instância de análise e de crítica do jornalismo representam um contributo para a qualidade do jornalismo. Esta poderia ser uma das conclusões de um extenso estudo que acaba de ser publicado pela Netherlands Media Ombudsman Foundation, que se baseou na análise de colunas de provedores na Holanda e num questionário respondido por provedores de diversos países.
O estudo, intitulado “The News Ombudsman – Watchdog or Decoy?”, sublinha algumas pressões a que esta função se encontra submetida, especialmente nos últimos anos: a passagem de uma preocupação ético-deontológica para uma ponderação de natureza jurídico-legal; a pressão dos blogs e outras formas de escrutínio que levam alguns a concluir que os provedores representam uma função obsoleta face à interactividade dos novos media; e também porque a redução de gastos leva algumas empresas a não ver com bons olhos ocupar um jornalista sénior nestas funções.
Apesar destas tendências, os autores do estudo entendem que os provedores podem reforçar a qualidade do jornalismo. “Na medida em que os jornalistas têm presente que alguém está atento ao seu trabalho no dia a dia e a tomar a sério as queixas dos consumidores relativamente ao produto jornalístico, isso gera um impulso no sentido da qualidade”, acentua o trabalho.
Mas, ao mesmo tempo, há que sublinhar não apenas que o número de provedores tem vindo a cair (especialmente nos Estados Unidos), mas também – e esta é uma aparente tendência que o estudo ressalta – “o número de provedores verdadeiramente independentes e que analisam criticamente o seu produto mediático representam uma pequena minoria”.

Para ler o relatório:
Huub Evers; Harmen Groenhart; Jan van Groesen (2010) The News Ombudsman – Watchdog or decoy? [ISBN 97890 79700 20 2]

Transformações da cultura na era digital


Este é um livro digital que acaba de ser disponibilizado pela Universidade de Tartu (Estónia). “Transforming Culture in the Digital Age” incorpora as actas da conferência internacional que, sob este mesmo título, decorreu esta semana naquela instituição, e que hoje terminam.
Transcreve-se da introdução ao livro:

“The increasing digitalisation is posing many different challenges related to a series of cultural transformations: technical, organisational, practice related and mental. In the current collection of articles, the focus of the transformations is on the intersections of individuals and institutions, and users and producers of culture. Many authors indicate that the roles of the user and the producer are becoming more intertwined and that it is becoming increasingly difficult to separate one from the other. This has also affected the cultural and heritage institutions as their role in the society is under consideration. In this collection of papers, a number of texts look critically at the hypothetical intermingling of processes and attempt to analyse to what extent hopes are being realised. The collection also looks at the active role of the heritage institutions in creating new digital environments, where the different users are often taken into consideration, in many different ways. In addition, many texts here analyse the changes that have occurred in cultural practices – the emergence of new forms in art and literature, the changes in the role of authorship, the broadening concepts of literature and art. The book is a collection of 56 articles that represent the diversity and intellectual efforts of a three-day conference which took place in Tartu 14-16 April, 2010.”

[Para ler o livro: AQUI]

Novo livro: “A Interacção Argumentativa”

Acaba de sair, na colecção “Comunicação e Sociedade”, o trabalho de Rui Alexandre Grácio, intitulado “Interacção Argumentativa”.
Pode ler-se, na sinopse desta breve publicação:
“Não é uma simples iniciação ao campo da teoria da argumentação e às suas principais questões, concepções e controvérsias. É uma verdadeira reformulação desse campo, um pensamento original, uma nova tese aqui apresentada pela primeira vez na articulação sistemática dos seus traços fundamentais. Uma tese que propõe uma redefinição do próprio objecto da disciplina, um recorte inovador das situações e práticas argumentativas, e que extrai do confronto crítico com todas as teses relevantes nesse domínio, da antiguidade grega até às correntes actuais, a sua ambição como teoria geral da argumentação”.
O índice desta obra da colecção do Centro de Estudos da Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, obra pode ser consultado aqui.

Jornalismo: dois novos livros

 Dois novos títulos portugueses da área do Jornalismo acabam de chegar às bancas.

Memórias Vivas do Jornalismo (Ed. Caminho), da autoria de Fernando Correia e Carla Baptista, apresenta-nos quase duas dezenas de entrevistas feitas a conhecidos (e antigos) profissionais, procurando ajudar-nos a entender melhor “como se fazia jornalismo em Portugal durante a década de 60 do séculoXX”. Alguns destes materiais serviram já de apoio a uma importante obra dos mesmos autores, publicada em 2007 (também na Ed. Caminho): “Jornalistas. Do Ofício à Profissão“.

EXPRESSO & AVANTE! Dois espelhos do mundo“, da autoria do jornalista (agora reformado) César Príncipe, faz um breve estudo comparativo de algumas das características mais típicas desses dois jornais a que chama “semanários-paradigma”. É uma edição da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto (AJHLP), uma das mais antigas associações portuguesas do sector, com os seus longos 127 anos de existência, e que, apesar das vicissitudes por que tem passado , insiste em manter-se viva, graças ao empenho desinteressado de alguns (poucos…) jornalistas.

Livros que vêm a caminho

Com o apoio do Gabinete para os Meios de Comunicação Social, vão ser editados os livros seguintes:

Revistas on-line