Amanhã, Dia Mundial da Criança, é apresentado na Livraria da FNAC, em Braga o ‘booklet’ “Videojogos – Saltar para Outro Nível”. Também lá tenho o nome mas a ideia e a iniciativa são sobretudo da Sara Pereira e do Luís Miguel Pereira.

A publicação, que será apresentada a partir das 21.30, contém uma série de fichas pensadas para ajudar pais e professores a lidar criticamente com a experiência dos videojogos dos mais novos.

O trabalho segue-se a um outro intitulado “Como TVer” e dá corpo a um projecto que foi galardoado com o prémio europeu de educação para os media, atribuído em 2009 pela Evans Foundation ao Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho.

A Babel da Internet

Não é fácil definir e aplicar uma metodológica robusta para posicionar os idiomas, tal como se manifestam na Internet. A Internet World Stats faz aqui um exercício, explicitando os critérios utilizados:

Jornalismo e liberdade – Murdoch dixit

O texto de opinião que o magnate global do sector dos media Rupert Murdoch assina hoje no The Wall Street Journal, intitulado “Jornalism and Freedom” merece ser lido e estudando com atenção.
Por formação, gosto de ler e de acompanhar ideias bem argumentadas mesmo (ou sobretudo) quando são diferentes das minhas. Há sempre algo (às vezes, muito) que se aprende adoptando esse tipo de abordagem.
Ao contrário do que a frase do artigo destacada dá a entender – “Government assistance is a greater threat to the press than any new technology” – as opiniões de Murdoch vão para lá do problema dos subsídios estatais aos media e retomam posições veementemente defendidas nas últimas semanas relativamente ao modo de enfrentar a crise dos media jornalísticos e, em certa medida, da crise do próprio jornalismo.
Duas notas breves, a propósito:
1. Aparentemente a razão primeira da crise dos meios jornalísticos estaria em que não dão às pessoas aquilo que elas querem. Sublinha o auto que visitou inúmeros jornais cheios de prémios nas paredes mas com a circulação a cair a pique e isto porque os respectivos editores se esqueceram dos clientes e passaram a escrever e publicar para si mesmos.
A bem dizer, este argumento não é novo. Mas quando esperávamos que o autor abrisse uma nesga de solução para este problema, ele avança com os gadgets através dos quais os cidadãos acedem cada vez mais às notícias, nomeadamente os portáteis. Ora isto, se bem leio, não tem que ver com as notícias que interessam ou não, mas com o modo como a elas se acede.
Ou talvez não. Visto que a tecnologia através da qual lemos as notícias também pode ser altamente condicionadora do tipo de notícias que lemos.
Ora o articulista passa, neste ponto, para aquilo que designa por “qualidade do jornalismo”. E que entende ele por tal conceito? Nada diz, a não ser que “no futuro, o bom jornalismo dependerá da capacidade das instituições jornalísticas de atrairem clientes, proporcionando-lhes notícias e informação pelas quais eles estejam dispostos a pagar”. Percebo que esse seja o ponto de vista e a preocupação de Murdoch. Mas confesso não ver muito bem onde fica, neste cenário, a preocupação com a qualidade.

2. O que o autor escreve sobre o papel regulador do Estado também se percebe bem. Em resumo, entende Murdoch que os apoios que os governos (ele alude, no caso, aos Estados Unidos da América) possam dar aos media jornalísticos se traduzirão em dependência do jornalismo face ao poder e, por conseguinte, numa limitação da liberdade de informação e, em última instância, da própria liberdade.
Em vez de ajudar, num tempo de crise excepcional e num momento de dificuldade extrema, um grande jornal a sobreviver, por exemplo, o Estado faria melhor em deixá-lo cair e, em contrapartida, limpar os escolhos que impedem o acréscimo de concentração dos media para aqueles que podem e querem crescer. Isto é que seria pautar a actuação por critérios do século XXI e não pelos do século passado, segundo o articulista. Contudo, bem vistas as coisas, a liberdade defendida por Murdoch é, afinal, a liberdade dos poderosos de se tornarem ainda mais fortes. À custa da crise, além do mais.
Para quem coloca um título tão grandiloquente e ambicioso ao seu artigo, esperava-se talvez um pouco mais de elevação e grandeza quanto aos horizontes da liberdade propugnada.
Ainda assim, o artigo merece ser lido e estudado.

Portugal: apenas um em cada seis usa redes sociais

São estudantes, maioritariamente da classe média e média-alta, têm entre 15 e 24 anos e usam sobretudo o hi5 – assim se poderia caracterizar o retrato-tipo dos utilizadores portugueses de redes sociais/comunidades virtuais, de acordo com dados do Bareme-Internet da Marktest.
Entre os residentes no Continente maiores de 14 anos, cifra-se em 1,36 milhões o número dos indivíduos que costumam aceder a comunidades virtuais/ redes sociais, o que representa 16.4% do universo (equivalente a quase um em cada seis).
O hi5 é o espaço mais frequentado, com 15,9%, seguido, a grande distância, pelo Facebook (2,6) e pelo MySpace (1,4).

Maioria não tem internet em casa

Os dados ontem disponibilizados pelo INE relativos ao acesso e uso de TIC nos agregados domésticos em Portugal indica que se ultrapassou, este ano, a barreira dos 50 por cento quanto ao acesso a computador (essa percentagem situava-se nos 49,8 or cento em 2008). No entanto, o crescimento do acesso à internet foi bastante menor, passando dos 46 para os 47,9 por cento. Em contrapartida, os dados de utilização sugerem ter havido um uso mais intensivo da internet, já que a percentagem, relativa a indivíduos dos 15 aos 74 anos, passou, entre 2008 e 2009, de 41,9 para 46,5.

Perfis dos utilizadores de computador e de Internet (%)
Uso da Internet em casa - INE 2009
(Fonte: INE)

Utilização de computador e de Internet, 2005-2009 (%)
Uso da Internet em casa 2005-2009 - INE 2009

(Fonte: INE)

Verifica-se, assim, que a maioria das famílias não dispõe de condições (económicas e/ou culturais) para tirar partido do acesso à rede, ainda que esta realidade possa ser parcialmente atenuada pelos locais públicos ou profissionais em que é possível esse acesso.

“MoJo” – Jornalismo e telemóveis

Chama-se “Jornalismo e Redes Móveis“. É um novo blogue da responsabilidade do Labcom (Universidade da Beira Interior – UBI), agora lançado por esta razão e com este objectivo:

Em resposta a vários pedidos, o Labcom decidiu lançar um blogue exclusivamente dedicado a esta nova linha de investigação: jornalismo para dispositivos móveis. Juntámos os conteúdos relacionados com o 1º Encontro da Montanha e tentaremos acompanhar o que de mais relevante acontecer nesta área.

Esta atenção ao binómio jornalismo / telemóveis como uma das equações mais promissoras para o futuro dos media, envolvendo activamente investigadores como António Fidalgo e João Canavilhas, esteve na base do referido 1º Encontro da Montanha (realizado na passada semana, na Serra da Estrela). E vai, certamente, continuar a ser fonte de notícias…

“Felizmente, há a Net”

“(…)  Quanto menos plural for a informação ao alcance dos cidadãos mais medíocre é a cidadania e mais improvável a democracia. Pode, pois, dizer-se que a pluralidade é o critério fundamental da democracia. A cinzenta uniformidade dos media tradicionais e a proximidade da generalidade deles a interesses económicos e políticos (sendo que é quase sempre impossível distinguir uma coisa da outra) contribuem decisivamente para a pobreza da nossa democracia e do exercício da cidadania entre nós. Felizmente, há a Net. A Net, pela sua natureza aberta e esquiva a formas de controlo político ou económico, é hoje o espaço de pluralidade que os media tradicionais não são e, por isso, lugar por excelência da democracia participativa e do exercício da cidadania.(…)”

Manuel António Pina, Jornal de Notícias, 16.7.2009

Estudo sobre o Twitter

São ainda escassos os estudos sobre o Twitter e o tipo de usos a que dá origem. Daí o interesse que pode ter este draft em que está envolvida Danah Boyd e mais dois colegas da Microsoft. Debruçam-se, em particular, sobre as práticas de “retweeting”, nomeadamente as que recorrem ao uso do símbolo @ e das hashtags (#) seja para difundir informação, seja para criar comunidades de conversação em torno de um assunto.

Boyd, D.; Golder, S.; Gilad, L (2009)
Tweet, Tweet, Retweet: Conversational Aspects of Retweeting on Twitter.

(Via: Nieman Journalism Lab)

Jornalismo online = trabalho forçado

20090525_LeMonde_LesForcatsDeLinfoUm texto de Xavier Ternisien sobre o jornalista online, publicado originalmente na edição papel do Le Monde está a tornar-se o centro de uma discussão em França.
Intitulado ‘Les forçats de l’info’, o texto sugere que os jornalistas online são – pela forma como descrevem a cada vez maior interligação entre as suas vidas privada e profissional – uma espécie de escravos…ainda que consentindo (alegremente) nessa situação.
Excertos:

On dit aussi “les journalistes “low cost”“, ou encore “les Pakistanais du Web”. “Ils sont alignés devant leurs écrans comme des poulets en batterie”
(…)
Ils enchaînent les journées de douze heures, les permanences le week-end ou la nuit.
(…)
Les témoignages abondent, le plus souvent sous anonymat. Ces jeunes journalistes ont encore leur carrière devant eux et ne souhaitent pas la compromettre. C’est le cas de cette jeune femme de 24 ans, qui a travaillé de 2006 à 2008 en contrat de professionnalisation au Nouvelobs.com. Elle décrit un travail bâclé, le copier-coller de dépêches d’agence “en reformulant vaguement, sans jamais vérifier, faute de temps”.

[Sugestão recolhida aqui]

Online: de onde poderá vir o dinheiro?

Moving into business models

Um estudo realizado com perto de cinco mil pessoas de sete países da Europa e da América do Norte, levado a cabo pela PricewatersCooper em cooperação com a WAN (World Association of Newspapers), concluiu que os utilizadores de informação poderiam estar dispostos a pagar para ler jornais online, nas áreas dos negócios e do deporto. Isso na condição de se tratar de informação de elevada qualidade e não disponível de forma gratuita.

O estudo baseou-se em 4900 inquéritos online  (700 por país) e em entrevistas junto de editores, proprietários e anunciantes.

Intitulado Moving into Multiple Business Models – Outlook for Newspaper Publishing in the Digital Age, o relatório encontra-se acessível online.

Interessante é ver o tom de alguns títulos de jornais sobre este estudo:
Readers not averse to paying for online content
Readers reluctant to pay for online news
Print to hold sway on web, for now
Newspapers will survive in long term, says PwC study

Os padres que Deus quer” – reportagem JN

Desde o arranque do novo site, em finais de Maio de 2008, o JN online fez uma aposta muito forte na produção autónoma de conteúdos multimédia (autónoma, saliente-se…não confundir com inclusão de videos e/ou foto-galerias e/ou sons de agências ou disponíveis em plataformas como o YouTube).
Neste dia de Páscoa, sugere-se a mais recente reportagem, com autoria partilhada entre Cláudia Monteiro, Leonel Castro e Joana Bourgard: “Os padres que Deus quer“.

20090412_jn_ospadresquedeusquer

Livro – Periodismo Digital

20090230_periodismodigital

Embora não seja um livro recente (edição de 2007) Periodismo Digital, de Luis A. Albornoz é uma sugestão de leitura – sobretudo se em parceria com o mais recente estudo de Ramón Salaverría e Samuel Negredo – para quem quiser começar a entender os esforços em curso há já vários anos em muitas empresas para reinventar o seu lugar num universo com regras ainda pouco claras.
O estudo de Albornoz apresenta-nos um panorama da situação em seis empresas ibero-americanas (elmundo.es, clarin.com, reforma.com, elpais.es, abc.es e lanacion.com) e fá-lo através de uma grelha de leitura que pode constituir um interessante ponto de partida para estudos semelhantes.

Livro – Innovating for and by users

20090330_ifbu

Foi recentemente disponibilizado o livro Innovating for and by users, coordenado por Jo Pierson, Enid Mante-Meijer, Eugène Loos and Bartolomeo Sapio. Trata-se de um projecto ao abrigo da iniciativa COST298 e tem por objectivo observar os efeitos da transição socio-tecnológica e dos alterados papéis dos utilizadores no design e na inovação de tecnologias de banda larga e nos média digitais.
Mais informação sobre o livro aqui e donwload da versão inglesa aqui.