Pelo lado neutro da cor…

bwBlack & White é  um Festival só aparentemente sobre a neutralidade da cor.  Tem como objectivo «celebrar a estética a preto e branco, como forma específica, peculiar e única de manifestação artística». Pretende «estimular a criação de ambientes sonoros que remetam para a estética a preto e branco». No limite, pode reconhecer-se nos seus propósitos o intuito de «contornar um preconceito que relaciona o preto e branco com obras fastidiosas e pedantes».

A edição deste ano, que é já a 6ª, está agendada para Abril, de 22 a 25, e compreende, à semelhança das anteriores, uma competição de trabalhos submetidos a concurso. O call for artworks está aberto até ao dia 20 de Fevereiro. Podem ser submetidos trabalhos nas categorias de vídeo, audio e fotografia. Os prémios vão distinguir o melhor vídeo ficção, o melhor vídeo documentário, o melhor vídeo animação, o melhor vídeo experimental, o melhor vídeo musical, a melhor peça sonora, a melhor fotografia e um Grande Prémio B&W.

O Festival é promovido pela Escola de Artes da Universidade Católica Portuguesa. O Regulamento e a Ficha de Inscrição estão disponíveis no site do evento (aqui).

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Ano de 2008 em imagens

reuters-luiz-vasconcelos-a-criticaaeO blogue “The Big Picture – News Stories in Photographs”, do Boston.com, publicou, nos últimos dias , uma espécie de balanço do ano em imagens. Uma escolha destas é sempre discutível, mas vale a pena ver:

Já agora, para quem se interessa pelas viagens espaciais do vaivém da NASA, merece a pena dar um salto ao post que retrata em imagens um ciclo completo da Endeavour, incluindo uma aterragem na base área de Edwards, na Califórnia, e o seu transporte, acoplada a um Boeing 747 modificado, para a base no Centro Espacialo Kennedy, na Florida.

(Crédito da Foto: REUTERS/Luiz Vasconcelos-A Critica/AE)

Capas de jornais e eleições norte-americanas

Nos últimos dias, observei as capas dos jornais americanos durante a cobertura das eleições presidenciais dos Estados Unidos. Chamaram-me a atenção, sobretudo, as capas da terça-feira (04/11), dia de ir às urnas; e também as do dia seguinte (05/11), o esperado momento de divulgar o candidato eleito.
Após uma rápida e superficial observação de tais capas (disponibilizadas no Newseum), constatei uma intensa repetição de títulos e fotos. “It’s time to decide“, e suas variações, era o que predominava: “Time for the decision“; “Time for you to choose“; “Decision day“; “It’s up to you“… Outros periódicos optaram pela notabilidade histórica do evento: “A historic election day“; “This campaign is History“… Enquanto outros aderiram à campanha de incentivo aos cidadãos a votarem: “Vote“; “Vote today“, “The power of one“….
Quanto às imagens, o constante eram as fotos de cada um dos candidatos lado a lado (ou “frente a frente”), sendo que muitas dessas imagens eram idênticas: candidato e bandeira dos Estados Unidos ao fundo.
Já nas capas da quarta-feira, reparei novamente que as variações entre os diferentes periódicos eram mínimas. Alguns (muitos, por sinal) simplesmente diziam o óbvio: “Obama wins” – esta manchete repetiu-se por capas e mais capas, sendo que muitas delas, além da mesma manchete, apresentavam também a mesma foto. Vários outros voltaram à abordagem histórica, que já havia sido mencionada no dia anterior: “A historic day“; “Historic victory“; “Obama makes History“… Muitas primeiras páginas apresentavam simplesmente “Obama“, enquanto várias outras referiam-se às palavras do próprio candidato: “Change has come“; “Yes, we can“…
Pergunto-me, portanto, o porquê de tais repetições, ainda mais tratando-se de repetições do óbvio. Fico com a impressão de que, inconscientemente, os jornais determinaram certas categorias nas quais deveriam concentrar-se – DECISÃO; HISTÓRIA; VOTO; MUDANÇA – como se não fosse “permitido” escolher títulos ou imagens fora das abordagens pré-estabelecidas.20081105_obama-grabs-headlines(imagem retirada daqui)

É facto que a rotina nas redacções muitas vezes impossibilita a elaboração de uma primeira página mais criativa. Mas neste caso não se trata de uma primeira página inesperada ou de uma assunto que tenha surgido repentinamente. Há muito tempo os meios de comunicação acompanham intensamente as eleições norte-americanas e já era mais do que sabido quais seriam os temas desses dois dias: a disputa final entre os dois candidatos, e a vitória de um deles. Portanto, estas manchetes poderiam estar sendo elaboradas já há muito tempo, certo? Logo, não poderiam ser mais criativas e não tão “coincidentes” entre si?
Não questiono se o tema deveria ou não estar nas capas de todos os jornais. Acredito que este era, sem dúvida, o assunto do dia e, tanto como leitora, quanto como jornalista, parece-me evidente dar o destaque merecido às eleições daquele país, sobretudo naquele país. Penso, entretanto, que as possibilidades de abordagem são inúmeras. Não só em relação aos títulos (que dependem sobretudo da criatividade – e boa vontade – de quem os elabora), como também em relação às fotografias. Seguramente não eram poucas as imagens disponibilizadas pelas agências de notícias nos últimos dias. Seguramente seria possível que cada um desses veículos optasse por uma imagem diferente e ainda assim sobrariam muitas e muitas outras a serem escolhidas. Por que, então, os jornais tendem a escolher as mesmas fotos e títulos? Por que, mesmo os que são diferentes, não são assim tão diferentes? Estariam os jornalistas condicionados a agir maquinalmente, sem nem se darem conta disso? Ou trata-se simplesmente da preguiça de se criar algo novo? Como já disse, neste caso das eleições norte-americanas, a velha desculpa da “falta de tempo” não justifica. Não tenciono culpabilizar ninguém e nem mesmo dizer como as capas devem ou não ser feitas, mas penso que esta é uma questão que merece ser questionada e reflectida, já que é recorrente no jornalismo contemporâneo.

Daniela Caniçali
(repórter fotográfica)

A ‘borracha’ do Correio da Manhã

Nas edições de sábado passado, dia 17 de Maio, o Correio da Manhã e o Jornal de Notícias escolheram para ilustrar a notícia da violação de uma aluna durante o Enterro da Gata, em Braga, uma foto do mesmo espaço – a barraca onde tudo se terá passado.
Só agora fui, no entanto, alertado para uma diferença substancial.

À foto do Correio da Manhã (páginas 4 e 5) falta-lhe, como se percebe, uma ‘sigla’ que a imagem do JN não esconde.
Há, na história da fotografia em geral e do fotojornalismo em particular, inúmeros exemplos de ‘manipulação’, mas isso não deveria servir de desculpa a ninguém.
O estatuto do jornalista proíbe a falsificação de situações e o Código Deontológico diz, no seu primeiro número, que os factos devem ser relatados com rigor e exactidão.

Vou fazer como tantas vezes faz o João Paulo Meneses: o Conselho Deontológico do Sindicato não terá nada a dizer? E a Entidade Reguladora?

PS (22.05-12h45):
Na sequência da evolução da conversa no espaço de comentário apresenta-se a versão online da notícia do CM, onde se percebe o uso de uma foto tirada no mesmo momento e se identifica a tal ‘sigla’ ausente da versão papel.

Fotografia – estudos

Photographies é o título de uma nova revista científica que a editora inglesa Routledge acaba de lançar e que tem periodicidade semestral (vol.1, nº 1, Março 2008). É dirigida por quatro professores de instituições universitárias do Reino Unido: David Bate, Sarah Kember, Martin Lister e Liz Wells
O editorial do primeiro número, disponível online, tal como o restante conteúdo , explicita o projecto editorial:

“Photographies seeks to construct a new agenda for theorizing photography as aPhotobucket heterogeneous medium that is changing in an ever more dynamic relation to all aspects of contemporary culture.
This new journal aims to open up a forum for thinking about photography within a trans/disciplinary context, open to different methods, models, disciplines and tactics. The editors want to construct a critical space that can address the sites of production, consumption and the multifarious industries of distribution and dissemination that make photographic images so central in much of our culture. We believe that the discussion of photography needs to be developed, expanded and interrogated, along with, where necessary, rethinking the critical methods we employ”.

Manchete com origem em blog (e com atribuição)

NOTA(9h40, 12-03-2008): Este post resulta de uma observação inicial da edição online do Diário de Notícias do dia 11 de Março de 2008. Durante esse mesmo dia, foram aqui deixados comentários apontando a existência de alegadas discrepâncias entre o que existia online e a versão papel. Tanto eu como os autores dessas observações presumiamos, em boa fé, que as fotos pertenciam ao autor do blog em que apareceram pela primeira vez (e que foi citado pelo jornal). Tudo o que a seguir se disse (até mesmo sobre a troca de atribuições de autoria) resulta dessa presunção.
Foi um erro presumir que as fotos publicadas sem indicação de autoria diferenciada num blog de um fotógrafo eram suas. Será um erro presumir até que alguma delas possa ser sua.
Mantem-se – acredito – a essência do post, mas impõe-se, nesta fase, uma intervenção. Fica todo o texto, para benefício de quem precisar de um exemplo, mas aparecem sublinhados os excertos incorrectos ou já não relevantes e desaparece uma imagem (que, uma vez mais em benefício de quem necessitar de um exemplo, continuará disponível aqui).

A manchete visual do Diário de Notícias de hoje é uma foto da manifestação dos professores do passado sábado, onde se destaca deliberadamente uma das manifestantes – Fernanda Tadeu, mulher do presidente da Câmara de Lisboa (e ex-ministro), António Costa.
Não discutindo o valor informativo da foto e a decisão de fazer dela manchete creio que importa salientar que a ‘descoberta’ foi feita por um fotógrafo freelancer que a publicou no seu blog (Fotografia Sempre, de Paulo Vaz Henriques) e que o DN faz questão de nos dizer isso mesmo.
Não sendo a primeira vez que isto acontece – um blog ser origem de material informativo – parece-me que será das primeiras vezes que assistimos, num jornal nacional de grande expansão, à combinação do uso com a indicação clara da sua proveniência; não há referências vagas do género “o assunto já apareceu nalguns blogs” ou indicações de fundo de texto, do tipo, “Ah, a propósito…“.
Nada disso.
Ficam os leitores mais bem informados.
Ganha o DN (que, diga-se já agora, tinha, ontem mesmo, mostrado uma faceta muito menos radiosa…).

P.S.
Dois dos comentários aqui publicados chamam a atenção para detalhes que podem fazer toda a diferença. João Severino – que, ao contrário do que eu fiz, não se limitou a olhar a edição online – faz do episódio uma leitura completamente distinta. [Naturalmente, a minha mudará em consonância assim que confirme tudo o que diz e, nesse caso, ver-me-ei perante um ‘dilema editorial’ – retirar o post? mantê-lo, com este P.S.? escrever um novo (com uma qualquer indicação sequencial)?]
P.S. 2
A edição papel apresenta, de facto, aquilo que parece ser uma troca na atribuição das fotos.
Creio que se trata de um erro – que precisaria de ser corrigido – e não de uma alteração deliberada .

Importaria, porém, apurar se ‘Direitos Reservados’ aparece por indicação do autor ou se a foto foi usada sem qualquer contacto prévio.
Importaria, igualmente, não ver repetida a situação da primeira página (essa sim, merecedora de reparo mais veemente) em que a foto aparece sem qualquer indicação de autoria.
O jornalismo nacional ainda lida de forma desconfortável com conteúdos informativos produzidos por não-profissionais.
Há, certamente, um longo caminho a percorrer.

Comunicação empresarial *****

Agora que acaba de ser anunciada uma nova fase de crescimento do Metro do Porto parece-me apropriado referir que, no âmbito das comemorações do 5º aniversário da empresa (7 de Dezembro), foi desenvolvido um projecto de comunicação curioso – cinco alunas do mestrado em Design da Imagem da Faculdade de Belas Artes fotografaram ‘andantes’ do metro segurando folhas com frases pré-escolhidas. O resultado final está no Flickr.

Imagens com emoção. (Aparentemente) amador. Barato.
Uma empresa atenta ao presente.
Uma empresa atenta aos seus utentes.
Ou então (e estas opções não se excluem umas às outras) uma empresa com uma estratégia de auto-promoção bastante eficaz.

Sugestão encontrada aqui.