A Rádio na frequência da Web

Está já disponível o vol.20 (2011) da revista Comunicação e Sociedade, recolhendo textos em torno do futuro da rádio em ambiente digital.
Madalena Oliveira e Pedro Portela, os organizadores deste número, dizem no seu texto de apresentação:
Repensar a rádio no actual contexto de uma sociedade digital, ou mais especificamente no contexto da web, impõe que se repense a sua relação com a imagem, mas também, de um modo mais generalizado, os termos do seu contrato de escuta. Se é verdade que a emissão tradicional se mantém de alguma maneira na web – que nessa medida é apenas um novo dispositivo de escuta, um novo receptor do sinal radiofónico -, também o é que a oferta associada aos sítios das emissoras na Internet exige uma redefinição da sua relação com os ouvintes.
Mais detalhes aqui (esclarecimentos e encomendas através deste endereço)

Disto e daquilo – recursos disponíveis

“Nem tudo o que vem à rede é peixe”. Daí que a “curadoria da informação” se tenha vindo a tornar uma atividade com o seu lugar próprio e, quem sabe, no futuro, uma profissão ou quase-profissão. Um jornalista é, deve ser, em certo sentido isso mesmo, com o sentido apurado de prestação de um serviço público.
As dicas que se seguem foram selecionadas de entre muita da quinquilharia que vai passando pelos ecrãs; possam elas ser motivo de interesse, descoberta ou utilidade para um só leitor que seja deste blog e já mereciam aqui ser deixadas.

O resultado de um projeto que disponibiliza ao público, e em particular aos profissionais e às escolas, livre acesso a vídeos, imagens fixas, textos, áudio de operadores europeus e de arquivos audiovisuais, desde o início do século XX até aos nossos dias. Um precioso recurso para apoio a aulas de história dos media audiovisuais e de análise de géneros televisivos, por exemplo.

É uma revista nova sobre ecologia dos media e sobre as marcas (internacionais) do pensamento de McLuhan e daquilo que se convencionou chamar a ‘escola de Toronto’. Mas é bem mais do que uma revista, como rapidamente conclui quem acede ao site.

Este pode considerar-se um portal especializado de apoio aos investigadores sobre a obra e o impacto de Deleuze, sobretudo na relação com o cinema. Pretende ser igualmente uma base de dados em permanente atualização e um serviço a todos os que se interessam pelo autor, pelo cinema, televisão, jogos de computador e outras modalidades de novos media.

Publicado pelo ITU – International Telecommunications Union, compila os grandes indicadores estatísticos sobre o uso da Internet, assinaturas para a rede fixa e móvel, dados sobre a largura de banda no plano internacional, etc. Os interessados poderão aceder também a idêntico relatório de 2010 e 2009.

Revistas de cultura visual com acesso gratuito

A editora Taylor & Francis disponibiliza até dia 29 de fevereiro acesso livre para um conjunto de revistas ligadas à cultura visual. Através de um simples registo, pode-se consultar revistas como ‘Digital Creativity’; ‘History of Photography’; ‘Photographies’; ‘Visual Resources’; ‘Visual Studies’; ‘Visual Anthropology’ e ‘Word & Image’, sendo possível fazer pesquisa por termos chave e depois o download dos textos integrais em PDF.

Da inovação que não há sobre a “inovação” que, supostamente, há

A RTP Informação dedicou, na sexta-feira, um dia inteiro à inovação. Neste sábado, a partir de uma conferência-debate que organizou, o DN veio esclarecer, entretanto, que “inovar não basta: é preciso ser empreendedor e exportar”

O tema da inovação é recorrente na agenda dos media, a própria palavra é um dos fetiches da comunicação contemporânea, surgindo constantemente utilizada e reciclada para reutilização. E, como fetiche constantemente realizado, o que nele sobra em excitação, falha em compreensão.

Centremo-nos, apenas,  no questionamento da inovação sob o ponto de vista das relações de domínio do espaço comunicacional: de facto, além de recorrente, a inovação surge recorrentemente tratada, isto é, o discurso que se produz, não só nos media mas também nas esferas política e académica, é invariavelmente fundado numa repetição que associa inovação a tecnologia, e nesta, a economia. Isto é, trata-se o inovador como concretização prática do que é novo no território do objecto. Tal como denuncia o DN, a inovação pouco valor parece ter como conceito subjectivo, ou seja, quando se situa apenas no território da ideia e, aí, na teoria, na reflexão, na sua complexidade matricial, se não se puder tornar coisa concreta, objectivada, simplificada, aplicável, visível.

A preocupação que daqui emerge, para todos os que têm de conjugar a sua acção nos campos da investigação científica e da comunicação terá, pois, a ver com o efectivo valor da ciência que se faz e da ciência que é necessário fazer, quando se sabe que as estratégias para a comunicação de ciência estão já, de certa forma, reféns deste esquema discursivo, que se impõe como jogo e regra de jogo. Que espaço sobra, pois, à ciência que contém um potencial de inovação no território das ideias, do confronto de complexidades e dúvidas, ou seja, uma ciência fundada na questão, se existe, a montante e a jusante dos seus processos fluidos, a certeza de que a única ciência mercantilizável nos espaços comunicacionais, é a ciência que se fixa no poder imediato da resposta?

Sendo, simultaneamente, observadores extrínsecos e intrínsecos à academia, quer parecer-nos que esta viverá, hoje, mais do que nunca, sob o jugo deste paradoxo. O que a fragilizará cada vez mais como locus de produção de conhecimento e a pode reduzir a uma mera fábrica de saberes empiricamente aplicáveis, cujo fim será sempre o da utilidade e utilização imediatas (há dias, esta preocupação surgia expressa numa entrada de Manuel Pinto, a propósito da denúncia de Hermínio Martins de um “frenesi do articulismo” na actual produção académica).

E assim, ao falarmos da inovação como esquema discursivo que produz ideias dominantes no espaço comunicacional, podemos estar a falar, afinal, da sua efectiva negação.

Porque se gere ainda o conhecimento numa lógica de escassez?

A publicação de trabalhos académicos em revistas avaliadas por pares e listadas de acordo com fatores de impacto que não são claros, que privilegiam substancialmente algumas áreas específicas e que permanecem, no essencial, inalterados há muitos anos está a ser, cada vez mais, entendida por um número alargado de académicos como um impedimento ao avanço do conhecimento.
Há quem argumente que uma circularidade maligna impera: desde que os grandes journals – já dificilmente acessíveis a não fluentes em inglês, sobretudo em áreas para além das chamadas ciências exatas –  passaram a integrar listas ordenadas de ‘valia acrescida’ usadas por quem avalia carreiras académicas individuais e coletivas tornaram-se ainda mais inacessíveis, com um poder nada saudável de decisão sobre o que é ou não relevante.
Estes journals – e, como se mostrou aqui há dias, alguns deles estão longe de ter comportamentos eticamente aceitáveis – são praticamente ‘donos’ do conhecimento científico (PS, em 29.01: E querem solidificar ainda mais esse seu poder, forçando a aprovação de leis que lhes garantam rendimentos diretos a partir de fundos estatais).
Por estranho que pareça esta é a realidade em 2012, num tempo em que a web é já um espaço maduro de oportunidade para a disseminação de conhecimento.
O que impede as mudanças?
Entre as razões significativas, a fraca adesão da generalidade dos académicos a projetos ‘abertos’ e, sobretudo, a anacrónica lógica de avaliação imposta pelas entidades que contabilizam (o processo é cada vez mais quantitativo – como se de ‘produção de sapatos’ se tratasse) o que é feito.

Vem toda esta conversa a propósito de três posts de Doug Belshaw cuja leitura recomendo: Um, Dois, Três.

De um deles retiro, com a devida vénia, uma citação de Zygmunt Bauman:

To find a new enlightening and inspiring idea (as distinct from finding a recipe for getting safely through the peer-built barricade), browsing through thousands of journal pages is all too often called for. With my tongue in one cheek only, I’d suggest that were our Palaeolithic ancestors to discover the peer-review dredger, we would still be sitting in caves…

A rádio e a ubiquidade por excelência

ImagemReunindo textos de 14 autores, o livro Radio and Society: new thinking for an old medium – que acaba de ser lançado pela Cambridge Scholars Publishing – considera que a rádio não apenas sobreviveu aos desafios da Internet como tirou proveito das suas vantagens para se expandir ainda mais como o mais ubíquo de todos os meios. Na nota de introdução, o editor reconhece que a rádio continua a enfrentar desafios críticos, mas admite ao mesmo tempo que a rádio é ainda encarada como um meio poderoso, influente e capaz de produzir mudança social e proveito comercial. Num campo habitualmente menos favorecido em termos de produção científica, este livro parece ser obrigatório para refletir sobre um meio que, diz o editor, «ainda está aí, ainda é interessante e importante e ainda se está a desenvolver».

Desafio de Hermínio Martins aos cientistas sociais

A revista “Análise Social“, pioneira nas Ciências Sociais em Portugal, acaba de atingir o número 200, caminhando a passos largos para o meio século de vida. E recheia a edição com uma série de entrevistas de ‘pioneiros’ portugueses na área.  Li a entrevista que Helena Mateus Jerónimo faz ao pensador Hermínio Martins, apresentado como “uma das figuras académicas que mais se destacam no processo de formação do universo sociológico português e é autor de algumas incursões histórico-sociológicas inaugurais sobre essa terra incognita que foi (ou ainda é?) Portugal para o mundo académico internacional“.

Como motivação para a leitura desse texto inspirador, deixo aqui um excerto que julgo mais que pertinente também para as Ciências da Comunicação, particularmente numa altura em que começamos igualmente a incorrer no “frenesi do articulismo”, por aquele autor denunciados, e na falta de trabalhos de síntese  e revisão crítica de literatura. A pergunta que llhe é colocada pela entrevistadora é esta: “Na sua opinião, quais são as linhas de força teóricas e empíricas que emergiram nas ciências sociais portuguesas nos últimos 20 anos?”.  A (extensa) resposta começa assim:

“Para responder adequadamente a esta pergunta, teria de passar um ano e tal completamente dedicado a ler a produção abundante das ciências sociais em Portugal nos últimos 20 anos que refere. O que não vai acontecer, e duvido que alguém o possa fazer. Aliás, um dos problemas que se colocam para responder cabalmente a perguntas deste tipo, mesmo só com respeito a uma única das grandes ciências sociais, como por exemplo a sociologia, ou domínios mais específicos, como a sociologia urbana ou a sociologia da religião, por exemplo, é a falta de survey articles regulares e frequentes que apresentem e discutam o movimento das publicações e ideias em, digamos, quinquénios sucessivos. Idealmente, estes textos deveriam ser acompanhados por breves comentários dos autores referidos, quando eles o considerassem necessário, ou dos autores que se considerem injustamente omitidos. Assim, as suas versões iniciais deveriam ser previamente distribuídas pela comunidade científica visada para uma ampla discussão, dado que a parcialidade, a selectividade injustificada, e a simples ignorância podem viciar estes estudos. Um estrangeiro que leia português e queira ficar rapidamente a par do que se tem escrito nos últimos anos em Portugal numa dada área das ciências sociais, não pode desfrutar de muita ajuda de fontes escritas que façam um levantamento da área, porque esta modalidade de trabalho é muito insuficiente. Trata-se de um sintoma de anomia no sistema científico português, no sentido de Durkheim, quando analisou a divisão do trabalho social patológica, com a falta de comunicação, intercâmbio e de recuperação de trabalhos coevos ou recentes. Na correria de produção incessante de artigos, cada vez mais curtos, específicos e limitados  —  a que poderíamos chamar de “frenesi do articulismo” —, exacerbada pelas condições existenciais do trabalho científico hoje, aquele tipo de trabalho não se torna muito apelativo. Rouba muito tempo, exige muita dedicação, e representa, quando feito sem espírito de partido e sem ser um instrumento de luta na política académica, para “arrumar” os inimigos (o que acontece), representa uma espécie de altruísmo científico quase completamente desvalorizado e quiçá mesmo prejudicial para o autor […]”.

Para ler a entrevista na íntegra: AQUI.

Publicações IRIS – do Observatório Europeu do Audiovisual

Artigo meu e de Helena Sousa na primeira publicação da IRIS no novo ano de 2012.

Trata-se de uma colaboração permanente com o Observatório Europeu do Audiovisual e com o Institute for Information Law (Universidade de Amesterdão), entidade associada do Observatório Europeu do Audiovisual (Conselho da Europa), através do desenvolvimento de estudos colectivos e da redacção regular de artigos para a IRIS – Legal Observations of the European Audiovisual Observatory e para a base de dados Merlin.

Educação para os media – seminário

Por ocasião do 30º aniversário da Declaração de Grünwald sobre Educação para os Media, vai realizar-se nesta sexta-feira, dia 20, um seminário com Evelyne Bévort, directora-adjunta, com o pelouro da cooperação internacional, do CLEMI – Centre de Liaison de l’Enseignement et des Moyens d’Information, do Ministério francês da Educação e com Jose Manuel Pérez-Tornero (Universitat Autònoma de Barcelona) sobre “A educação para os media como via de leitura crítica do mundo actual”.

O evento realiza-se na Sala de Actos do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, a partir das 14h30 e é organizado pelo Projeto ‘Navegando com o Magalhães: Estudo do Impacto dos Media Digitais nas Crianças‘.

De referir que a Declaração de Grünwald foi aprovada unanimemente pelos representantes de 19 nações durante o Simpósio Internacional sobre Educação para os Media organizado pela UNESCO, na cidade de Grünwald, na então República Federal da Alemanha, em 22 de Janeiro de 1982.

Eleições para a IAMCR

O Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade nomeou Janet Wasko para a Presidência da International Association for Media and Communication Research.
As nomeações para o Executive Board (1 Presidente, 2 Vice-presidentes, 1 Secretário-Geral e 1 Tesoureiro) e para 15 membros do International Council estão abertas até ao dia 1 de Março de 2012.
As nomeações devem ser formalizadas através de uma mensagem para o Presidente da Comissão Eleitoral, Cees Hamelink, e publicamente através da lista de anúncios da organização.
As nomeações podem ser feitas por membros individuais ou institucionais.
Os candidatos precisam de ter, no mínimo, 5 nomeações de, pelo menos, 2 país distintos.
A actual Presidente Annabelle Shreberny anunciou que não iria recandidatar-se.
A IAMCR realizou a sua primeira conferência em Portugal em 2010 .
Seguiu-se Istambul.
Este ano será em Durban.  Ver ‘General Call’ aqui.

O postal no princípio do post

Durante três anos e meio uma equipa de investigadores do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade recolheu, classificou e refletiu sobre postais ilustrados. Meio de comunicação démodé, dirão muitos, o bilhete-postal teve na história da correspondência interpessoal do século XX o ar gracioso de um suporte que à brevidade das palavras junta(va) uma imagem. Registo ligeiro, económico, breve, o postal ilustrado está, pode dizer-se com propriedade, no princípio dos posts que hoje publicamos em blogues. No postal como no post, ao apontamento do quotidiano procuramos juntar a gentileza de uma imagem. E do postal para o post perdemos, por outro lado, em tactilidade o que ganhamos em instantaneidade. Mas no postal ou no post encontramos também a vontade de arquivar a brevidade de gestos de partilha.

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Celebrando a memória do postal ilustrado e a sua relevância para a história da comunicação visual, a mesma equipa de investigadores acaba de publicar um conjunto de seis booklets que dão a conhecer parte de Portugal ilustrado em postais. Nesta coletânea, analisa-se a imagem construída e divulgada pelos postais ao longo dos anos relativamente a cinco cidades portuguesas – Bragança, Viana do Castelo, Braga, Viseu e Portalegre. Os booklets reunidos nesta obra são, na verdade, apontamentos sumários da imagem destas cidades ao espelho dos postais, num formato que repete, de algum modo, o jeito dos próprios bilhetes-postais: são brochuras breves, regionalizadas, ilustradas, coloridas, que mantêm o perfil ágil e afetuoso do objeto colecionável.

Na próxima segunda feira, dia 23, Henrique Barreto Nunes, ex-diretor da Biblioteca Pública de Braga, apresenta esta publicação coletiva, às 18h00, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva. A entrada é livre.

Novos mercados, novos negócios…

Recentemente, acontecimentos estranhos (no mínimo estranhos) têm redimensionado (para não dizer virado de pernas para o ar) aquilo que é a concepção de fazer ciência. De fazer ciência com dignidade, com mérito transparente. E isto porque parece estar a surgir um novo negócio, extremamente lucrativo e engenhoso… Falo das publicações PAGAS em revistas científicas internacionais…

Tem sido prática, pelo menos de forma mais visível nos últimos meses, o editor da revista congratular o autor pela aceitação da publicação e anexar na simpática mensagem o formulário com a revisão de pares e com os devidos comentários (em pinceladas muito largas, diga-se, uns “peer review comments” muito genéricos) para enriquecer o texto para publicação. Ora, acontece que à 3ª ou 4ª mensagem de correio electrónico trocada lá vem o SE. No caso, o pagamento de uma certa quantia monetária por cada página do artigo…  Assim: “The flat price is $50 US dollar per page”. Por página, a multiplicar por cerca de 20 páginas, a dividir pelo número de autores… Ah, então afinal até parece que nem dá muito a cada um! Ironia, claro está.

Falo da David Publishing Company, mais concretamente da revista Journalism and Mass Communication, mas apenas com o objectivo de ilustrar o que parece ser um novo negócio neste mercado das ideias e de o usar como mote para a discussão. A “ciência sem consciência” de que fala Rabelais parece encontrar aqui um excelente porto de abrigo.

Um negócio no mercado das ideias e uma reformulação da noção de ciência estão, assim, na base de estratégias como esta. Um novo modelo de negócio, dirão!

Mas este exemplo não termina aqui. Após pesquisa sobre as características da revista (indexação, factor de impacto, etc…), descobrem-se na blogosfera diversas críticas e relatos de más experiências com a revista ou com a editora (aqui, aqui ou aqui). Descobre-se, ainda, que há já quem discuta o assunto (nomeadamente aqui e aqui) e há inclusivamente listas daquilo a que chamam “Predatory Open-Access Publishers” e comentários que se referem a esta prática como um acto fraudulento (como aqui, aqui, aqui ou aqui). Estas referências são das mais variadas áreas científicas, não apenas das Ciências Sociais, o que denota alguma sensibilidade para o assunto e uma reacção por parte da comunidade científica.

Segue novo e-mail da parte dos autores. “Obrigada pela oportunidade mas a decisão é pela não publicação”… E eis que a resposta é inédita! Já passam a prescindir do pagamento da dita “fee” e acrescentam:

Maybe there is a misunderstanding.
Our editors, reviewers and authors are from all over the world,
and we try our best to provide a platform for experts and scholars
worldwide to exchange their latest findings.
However,to be honest, our journal just began,
it is very new and there is no sponsor for us,
so we have to charge some fees to run our journal.
Please understand that and support us. Thanks a million!

Milhões – e milhões de tudo, não apenas de dólares  – são o que estará em causa em situações como esta, nas quais se inverte completamente o processo produtivo… Em que se pede o pagamento de quantias para publicar trabalho digno e esforçado, em que não se sabe bem que implicações terá isso… Será bom? Será mau? Um novo modelo de negócio? Válido não é de certeza, a meu ver. Pelo menos não nestes moldes.

“Sobre Jornalismo” – nova revista científica internacional

Logo SLJ

Vai nascer neste primeiro trimestre de 2012, em três idiomas: português, francês e inglês. Intitula-se (em português) “Sobre Jornalismo“, terá uma versão impressa sendo também difundida pela Internet em acesso livre e  os seus artigos serão submetidos à avaliação de pares. O conselho científico desta nova publicação é constituído por académicos e investigadores franceses, brasileiros, canadianos, espanhois e o (único) português, João Canavilhas.

Tem por objetivo a “publicação de trabalhos inovadores, de olhares transdisciplinares e de pesquisas produzidas por estudantes de pós-graduação. (…) será constituída de dossiês temáticos em torno de problematizações precisas, com o objetivo de difundir resultados originais do ponto de vista teórico e/ou metodológico. Resultados de pesquisas de mestrado, relatórios de estudos científicos, notas de campo e de corpus também encontram espaço de difusão na revista”.

Neste momento, encontra-se aberta a chamada de artigos para dois números: “As fontes e os fluxos de noticias” e “As novas formas da imagem sobre atualidade“. Os interessados em apresentar propostas deverão manifestar esse interesse até ao próximo dia 15, domingo. Os textos completos (entre 30 mil e 50 mil caracteres) deverão ser enviados até 15 de Maio.

Mais  informações:http://www.surlejournalisme.com/

Como íamos dizendo …

Há muito tempo – demasiado – que outros compromissos nos desviaram deste espaço.
E, no entanto, a realidade da informação, do jornalismo e dos media não parou. Felizmente que outros, como o Ponto Media, puderam continuar a publicar.
Outras vozes, como o Vai e Vem, surgiram, entretanto, e ganharam lugar de destaque na chamada de atenção e no comentário.
Enquanto isto, os media clássicos têm vindo a perder o pé, na atenção ao seu próprio campo, com a secundarização ou desaparecimento das secções e programas sobre media.
Até por isso, mas por muito mais do que isso, era importante voltarmos.
Diremos que a ecologia dos media, hoje, exige, cada vez mais, que se cuide dela.
A curadoria da informação e dos media aí está como um dos grandes desafios dos tempos que vivemos.
Rastreando o que se passa com:
os novos media;
as plataformas e redes sociais;
a proliferação de conteúdos e de formatos;
a procura de um lugar ao sol para o jornalismo online;
a digitalização da distribuição da TV;
a ética jornalística e da participação dos cidadãos;
a regulação e a auto-regulação;
a formação dos novos profissionais;
a análise da tecnologia e a crítica da razão tecnológica;
os poderes e estratégias dos actores e dos poderes;
a formação para uma literacia crítica sobre os media e uma educação para a comunicação
– eis alguns dos terrenos a que nos propomos prestar atenção.

Mediascópio é um conceito e uma ‘marca’: faremos deste espaço uma instância de atenção aos acontecimentos, situações e problemas, aos seus significados e contextos, procurando não esquecer (e convocar, sempre que possível) a investigação científica e os links com o contexto internacional.
E porque nos importa a conversa e o debate, gostaríamos de trabalhar de portas abertas a todos os que se interessam por estas coisas e partilham da convicção de que estas coisas são alicerces em que se funda e se refaz a vida pública.
Em tempos de grandes abalos e questionamentos sobre o modo como organizamos as nossas sociedades e configuramos os nossos modos de viver, importa não esquecer quer as realidades silenciadas quer os processos de silenciamento.
Mais do que um programa isto é a enunciação de preocupações que temos, enquanto académicos e enquanto concidadãos.

Literacia, Média e Cidadania

Está a decorrer, até amanhã, na Universidade do Minho, o 1º Congresso Nacional Literacia, Média e Cidadania.
Quem não conseguiu deslocar-se até Braga pode seguir os trabalhos em directo, ver as fotos e os videos do evento, ou optar por acompanhar o que for sendo publicado no Twitter e no Facebook.