A TVI, a SIC e as recomendações da ERC

Os canais generalistas privados têm hoje uma programação nocturna essencialmente de entretenimento. O que, de certa forma, não vai ao encontro da Lei de Televisão e, sobretudo, de duas deliberações da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC): uma de Junho de 2006 e outra de Dezembro de 2007. Esses documentos falam de um horário nobre com oferta televisiva diversificada onde se deveriam integrar programas de debate e de entrevista autónomos dos noticiários das 20h00. Até agora, essas recomendações estão por cumprir.

Apesar de (ainda) longe do que estipula a entidade reguladora, os canais generalistas privados terão de alterar, a curto prazo, a oferta televisiva em horário nobre. As deliberações da ERC (1-L/2006, de 20 de Junho; e 2/Lic-TV/2007, de 20 de Dezembro) impedem-nos de programar, diariamente, apenas ficção após o noticiário das 20h00 e até bem perto da meia-noite. É claro que SIC e TVI poderão colocar em antena uma informação-espectáculo, impulsionadora do “voyeurismo” e não muito distante das “novelas da vida real” que até então inundaram as grelhas. É claro que a SIC e a TVI poderão encher os “plateaux” informativos com uma confraria de convidados que se tem perpetuado no poder (sobretudo político) na exacta medida em que garante lugar cativo nos estúdios de televisão (e vice-versa). Não será isso, talvez, que mais agradará aos jornalistas dos canais de TV, nem será isso que mais favorecerá o espaço público por onde todos nós andamos. Como o passado recente comprovou, informação de interesse público poderá não ser sinónimo de audiências residuais. Beneficiaríamos todos com projectos de qualidade informativa. Nos diferentes géneros de informação televisiva.

Ler texto completo no Blogue de Apoio.

Assinalar os 50 anos do “Telejornal”

Em Outubro de 2009, o Telejornal da RTP1 festeja os seus 50 anos. Para além do simbolismo da data, há ainda outros elementos que tornam mais relevante esse aniversário: ao reflectir aquilo que se considera serem os acontecimentos mais importantes de Portugal e do mundo, o Telejornal vai espelhando um certo modo de olhar a nossa sociedade e, simultaneamente, desenhando um determinado espaço público. Por outro lado, este programa vai não só absorvendo o modo de fazer jornalismo próprio de uma época, como também ditando diferentes contornos para o campo jornalístico que, nestes anos, foi adquirindo renovadas configurações.

Uma equipa de investigadores do Centro de Estudos Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho (CECS), dando continuidade à investigação que vem desenvolvendo sobre a informação televisiva, vai assinalar os 50 anos do Telejornal com um conjunto de iniciativas. Uma delas será a edição de um número da revista “Comunicação e Sociedade” (nº 15) dedicada aos noticiários televisivos, que pretende sistematizar os estudos desenvolvidos neste domínio. Neste contexto, convidamos os membros da SOPCOM, principalmente os membros do GT de Estudos Televisivos, a participarem neste número. Pretendemos reunir textos que incidam nos seguintes aspectos:

* Lugar do telejornal na programação dos canais generalistas ao longo dos 50 anos

* Alinhamentos dos noticiários (em período de monopólio e/ou pós-privadas)

* Informação e serviço público de televisão

* Telejornal enquanto género em mutação

* Tendências de evolução da informação televisiva no contexto do digital

* Estado da arte sobre a investigação académica da informação televisiva

* Linhas de estudo/análise da informação televisiva

Os autores que desejem submeter artigos devem enviar os originais em formato electrónico até 30 de Abril para cecs@ics.uminho.pt e felisbela@ics.uminho.pt  

Luís Castro problematiza o “caso Maddie” em livro

Por que Adoptámos Maddie é, a par do relato dos factos que envolveram o desaparecimento da criança inglesa da praia da Luz na noite de 3 de Maio, uma (excelente) oportunidade para reflectir acerca da gigantesca cobertura mediática de que foi alvo este caso, que rapidamente se dimensionou à escala global. O autor do livro, o jornalista da RTP , conversou com 24 personalidades (responsáveis policiais, magistrados, académicos, políticos, jornalistas…), procurando com os seus entrevistados respostas à questão que estrutura o título do seu livro.

Na contracapa, lê-se o seguinte:
E por que razão lhe passámos a chamar ‘Maddie’, quando os pais e os familiares nunca o fizeram? Sempre os ouvimos tratar a menina por Madeleine. Na verdade, procurámos uma designação que exprimisse a diminuição do tamanho do ser, que adoçou, que encurtou a distância e criou laços emotivos e de familiaridade. ‘Maddie’ deixou de ser filha dos McCann e passou a ser filha do mundo. Esta é a grande história jornalística dos últimos anos e todos nós acabá
mos por adoptar Maddie.”

Luís Castro é jornalista da RTP desde 1992. Foi editor de Política, de Economia e Internacional na RTP-Porto e coordenador do programa de informação “Bom Dia Portugal”. É, desde 2004, coordenador do ” Telejornal” da RTP. É autor de Repórter de Guerra (Ed. Oficina do Livro), brevemente a ser traduzido na China. O lançamento deste livro está marcado para amanhã, às 21horas, na livraria Bertrand do Centro Comercial Vasco da Gama, em Lisboa. A apresentação caberá ao Presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, Azeredo Lopes.

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100 dias após o desaparecimento de Madeleine McCann

Factos:
. Desapareceu a 3 de Maio último do quarto onde dormia, num hotel da Praia da Luz, uma criança inglesa que, na altura, tinha 3 anos.

. Os pais da criança desaparecida ampliaram essa tragédia à escala global, fazendo uso dos meios de comunicação social.

. A opinião pública ‘adoptou’ esta criança quase como um membro da família, fruto de uma cobertura jornalística assente sobretudo em códigos emocionais.

. As autoridades policiais, a quem compete as investigações, não estavam preparadas para a ampla cobertura mediática que invadiu o Algarve e os planos de comunicação gizados nem sempre foram eficazes.

. Os media ingleses desenvolveram um trabalho participativo nas investigações, não se percebendo, por vezes, qual a distância que separava os jornalistas das forças policiais/dos familiares da criança.

. Os media portugueses fizeram assentar os seus relatos em fontes anónimas, frequentemente com informação desencontrada, criando assim um processo circular em que uns desmentiam os outros.

. Nos sucessivos directos das televisões e rádios feitos para a Praia da Luz não há informação, mas relatos que oscilam entre o quotidiano dos McCann, as movimentações exteriores da PJ e o circo mediático montado pelos próprios jornalistas.

Do que foi enumerado, o que nos interessa? Isto: desapareceu a 3 de Maio último do quarto onde dormia, num hotel da Praia da Luz, uma criança inglesa. Cem dias após esse desaparecimento, nada se sabe sobre o seu paradeiro. Tudo o mais que se escreve/diz sobre este trágico acontecimento são elementos produzidos pelas máquinas mediáticas e especulações criadas por fontes não-identificadas.

 

As experiências de um Repórter de Guerra

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Muitos foram os palcos de conflito armado por onde passou o jornalista da RTP Luís Castro: Cabinda, Timor, Guiné, Iraque… Significativo o número de reportagens resultantes desse seu trabalho: mais de quatrocentas. Imperdíveis serão certamente as “estórias” que estão por detrás das imagens retidas pelas câmaras de TV ou das palavras seleccionadas para reportar o que estava a acontecer. Depois de rever incalculáveis folhas dos blocos de apontamentos, de visionar várias centenas de horas de imagens em bruto e de trocar várias impressões com os repórteres de imagens que o acompanharam nessas viagens por cenários de conflito armado, Luís Castro passou para o papel as experiências mais significativas que vivenciou. O resultado desse minucioso trabalho está no livro Repórter de Guerra, editado pela Oficina do Livro.

A apresentação desta obra está agendada para a próxima quinta-feira (dia 21 de Junho) às 18h30 na FNAC-Colombo, em Lisboa, e será feita pelo jornalista e professor universitário José Rodrigues dos Santos (autor de uma tese de doutoramento sobre a temática do jornalismo de guerra) e pela escritora Margarida Rebelo Pinto.

Menino de Rio Tinto continua sem ir à escola

Hoje os jornais (“Público” e “Expresso”) falam novamente do menino que mora em Rio Tinto e que não pode ir à escola porque os colegas o agridem física e psicologicamente. Esse menino, de 12 anos, teve um cancro e fez vários tratamentos de quimioterapia e radioterapia. No artigo da jornalista Ana Cristina Pereira, do “Público”,refere-se que a Associação de Pais da escola em causa está revoltada com a mediatização do caso (com os artigos de jornais e com os comentários na blogosfera), considerando-a “redutora, porque o foco de atenção está numa criança”, sem “preocupação” com eventuais efeitos sobre os outros alunos; “simplista, porque existe uma análise de pessoas externas a esta comunidade que tentam penalizar as outras crianças”. Esta semana, a Direcção Regional de Educação do Norte interveio, propondo o envio de professores a casa de Miguel até ao final do ano lectivo,uma medida que a Associação de Pais também critica.
Talvez este menino não tenha os olhos expressivos de Maddie, nem os seus pais possuam as aptidões comunicativas do casal McCann. Talvez a situação exija dos jornalistas um tacto especial na protecção desta lutadora criança. Mas enquanto não se perceber que a educação para a inclusão faz parte do crescimento equilibrado das nossas crianças e que todos nós temos a obrigação de a promover, os media devem continuar a pontuar a sua agenda com casos inacreditáveis como este drama que vive actualmente o corajoso menino de Rio Tinto.

 

Madie e Miguel

Miguel terá já ouvido falar muito de Madeleine, a menina que desapareceu na praia da Luz, mas Madie não conhece este menino de Rio Tinto. Nem ela, nem os milhões de pessoas que se compadecem pelo desaparecimento da menina inglesa. A história desta criança portuguesa é simples e, ao mesmo tempo, brutal: tem 12 anos, sofre de um cancro, fez sucessivos tratamentos de quimioterapia e radioterapia e agora não pode ir à escola. Porquê? Porque é alvo de violência física e psicológica por parte dos colegas. A sua debilidade motiva a troça permanente da turma. A história faz a manchete hoje do “Público”, num trabalho da autoria da jornalista Ana Cristina Pereira.

Todos os esforços, todos os meios, todos os recursos poderão ser justificados na busca da pequena Maddie. Como na busca de outros desaparecidos. Basta clicar em http://www.policiajudiciaria.pt/htm/pessoas_desaparecidas/madeleine.htm para saber que outras pessoas carecem de auxílio. Pela minha parte, gostava que a onda de solidariedade para com a pequena menina inglesa se estendesse ao menino de Rio Tinto. Miguel precisa de ajuda para poder continuar a ir à escola sem correr o perigo de ser agredido pelos colegas. E nem é necessário fazer assim tanto esforço para resolver parte do seu sofrimento. Terá esta história poder para levar as entidades competentes a agir com rapidez e eficácia? Grave, pelo menos, é. E muito.

Nasceu a infanta Sofia e à porta da clínica está um batalhão de jornalistas

Tal como fizera com a infanta Leonor, a Casa Real de Espanha anunciou hoje por SMS o nascimento da infanta Sofia. Ao final da tarde, o príncipe Felipe deu uma conferência de imprensa para divulgar o nome da sua segunda filha, para falar do parto da mulher e para dizer que estavam muito felizes. Aparentemente ninguém teve informação privilegiada. Fotos disponíveis: a do príncipe e a da mãe da princesa, que se dispuseram a tal. Neste contexto, pergunta-se: porquê os jornalistas terão marcado, com tantos dias de antecedência, lugar à porta da Clínica Rúber Internacional de Madrid, deixando lá bancos e escadotes com o seu nome? O esforço foi compensado? A notícia circunscreve-se a isto: nasceu a infanta Sofia. Porquê tanto alvoroço? Nos sites dos jornais “El Mundo”, “El Pais” e “ABC” o tema em destaque, a partir do início da tarde de domingo até à hora em que escrevo este post (perto das 22h), é o parto real. O que se passa em Espanha e no mundo deixou de interessar. Porque, como todos sabem, será muito mais importante nascer uma infanta do que analisar a quente situação política no País Basco ou na Turquia… Ou será que andamos todos muito distraídos?

RTP: 50 anos!

A TV pública: o + e o –

(-) Nasceu na Feira Popular de Lisboa, mas o poder político cedo tomou conta dela. “A televisão é um instrumento de acção, benéfico ou maléfico, consoante o critério que presidir à sua utilização. O governo espera que os dirigentes do novo serviço público saibam fazer desse instrumento um meio de elevação moral e cultural do povo português”. Foram estas as palavras que Marcello Caetano dirigiu à RTP aquando da assinatura do primeiro contrato de concessão de serviço público.

(+) Atravessou o Estado Novo sem grande autonomia no campo da informação, mas acumulou, mesmo nesse período, emissões memoráveis: a visita da rainha Isabel II a Portugal em 1957, a primeira transmissão de um jogo de futebol em 1958, a transmissão dos jogos da equipa portuguesa no Campeonato Mundial de 1966 (ainda hoje lembramos os Magriços…), as visitas papais, as sucessivas edições do Festival da Canção…

(+) Recordo com muita saudade muitos profissionais que passaram pela RTP : Fernando Balsinha, Adriano Cerqueira, Fernando Pessa, Henrique Mendes, Artur Ramos, Rui Romano, Alice Cruz, Fialho Gouveia…

(+) Foi testemunha ímpar da História: do 25 de Abril, da adesão de Portugal à CEE, dos massacres em Timor Leste, da “despedida” portuguesa de Macau, da guerra no Golfo, dos vários ataques terroristas…

(-) Nem sempre foi/é a TV “de todos os portugueses”: faltou-lhe/falta-lhe rasgo na programação dos canais internacionais, era/é preciso tornar o país (fora de Lisboa) mais visível.

(-) Em tempo de TV privada, a RTP1 foi o primeiro canal a fazer contra-programação. Perdeu as audiências para a SIC, quando em 1995 ganhou o exclusivo da transmissão do casamento de D. Duarte e D. Isabel Herédia.

(-) Ao longo dos anos 90, a RTP clonou muitos formatos dos canais privados. Nesse tempo, era preciso ter tido mais audácia, criatividade e qualidade.

(+) Mesmo não sendo líder de audiências, a RTP conseguiu somar trunfos ao nível da informação semanal, “obrigando” frequentemente os canais privados a mudar as suas opções editoriais: na segunda metade dos anos 90, o canal generalista público ousou mexer na composição dos “plateaux” informativos, tornando-os menos monocromáticos (políticos).

(+) Quando as “novelas da vida real” se revelavam fórmulas eficazes de atracção de audiência, a RTP resistiu a esse género de programação e, aos poucos, foi criando uma programação alternativa aos canais privados.

(+/-) Actualmente a RTP1 é o canal com mais programas de informação em horário nocturno, mas os políticos ainda continuam a ser os “donos dos plateaux”.

(-) Se quisermos somar o número de conselhos administração e de directores de programas e de informação que a RTP somou nestes 50 anos ficaremos, decerto, assustados com a dança de cadeiras.

(-) Em dia de aniversário, a RTP fez a festa em Lisboa e não prestou muita atenção ao Centro de Produção do Porto, mesmo sabendo que o “Jornal da Tarde” (feito a partir do Porto) é líder de audiência e que a “Praça da Alegria” e “Portugal no Coração” têm a sua emissão a norte.

(+/-) Que grande Centro de Produção se inaugurou hoje na capital! Na minha opinião, carregou-se demasiado na festa oficial, mas aquilo que me preocupa mais é o desequilíbrio de meios entre Lisboa e Porto.

(+) Assisti hoje à emissão da RTP através da Internet. Gostaria de voltar a fazer o mesmo amanhã e depois e depois… E já agora, também seria adequado a RTP prestar mais atenção ao “on line”.

A RTP faz hoje 50 anos. A televisão está hoje em festa. Não é bonita a opção da TVI de sobrepor à Gala da TV pública a “Gala das 7 Maravilhas”. É um gesto mesquinho.

Morreu Jean Baudrillard

Morreu hoje, em Paris, com 77 anos, Jean Baudrillard, autor de uma vasta obra, traduzida em várias línguas. Simulacros e Simulações, O Crime Perfeito, Sociedade de Consumo, Para uma Crítica da Economia e Ilusão do Fim são alguns dos seus livros, editados em português.

O meu “encontro” com a obra deste importantíssimo sociólogo deu-se tendo a televisão como ponto de (des)encontro. Em vários livros, Baudrillard exprime um pessimismo epidérmico em relação ao audiovisual, que considera ter vindo a criar intensificações do real, sem, no entanto, o representar tal como ele é. Num mundo povoado de imagens, o homem torna-se, na sua perspectiva, incapaz de viver fora de uma construção imagética engendrada por uma tecnologia que renova permanentemente uma “hiper-realidade”, ou seja, um mundo de simulacros cada vez mais desligado do real. Em Simulacros e Simulação, devolve-nos um retrato estranho da sociedade contemporânea, pendurada em realidades sem referentes, evoluindo aglutinada a signos auto-referenciais que apenas existem no momento da sua troca. O mundo pertence ao objecto simulado. Nesse plano, é vã a tentativa de procurar a verdade daquilo que se mostra ou o esforço de racionalização perante aquilo que se vê. Poder-se-á discutir muitas das suas teses, mas o seu pensamento é uma referência obrigatória para quem estuda a TV. E muitas outras temáticas.

Para uma “navegação” pelo perfil biográfico, pelo pensamento e pela obra do autor, consultar, por exemplo, este site.

RTP, 50 anos. Que balanço?

A RTP comemora amanhã meio século de existência.
Paralelamente à emissão festiva que a TV pública está a preparar, seria importante fazer algum balanço destes 50 anos de emissões. Mais do que aos seus responsáveis, talvez fosse pertinente dar a palavra aos telespectadores.
Quais os programas que mais nos marcaram?
Que elogios merece esta televisão que se diz “de todos os portugueses”?
Que reparos poderemos fazer?
Sem querer substituir qualquer emissão de debate televisivo sobre este tema (que urge fazer), abrimos aqui espaço para iniciar essa discussão.

Reportagem “Rosa Brava” lidera audiências

Não foi uma reportagem qualquer. Poder-se-ia dizer que teve ampla promoção em antena e que aproveitou a confortável boleia de “Ainda há pastores” de Jorge Pelicano. No entanto, “Rosa Brava”, que a SIC exibiu domingo à noite em “Reportagem SIC”, foi um trabalho jornalístico de grande qualidade: bom texto, excelente montagem e, por entre as falas dos intervenientes, sentiu-se sempre um repórter que, no terreno, se movimentava de forma distinta: sem se impor (sem se mostrar na imagem), Pedro Coelho pôs as pessoas a falar como se ele e o repórter de imagem não estivessem lá. Não é fácil e, por isso, o seu trabalho é distinto. As audiências ficaram presas à reportagem. Segundo escreve hoje o “Jornal de Notícias”, o programa alcançou 18.5% de audiência média, sendo “o mais visto do ano em toda a televisão portuguesa e o mais visto da SIC desde o Mundial de Futebol do Verão passado. Destronou o primeiro lugar do jogo da Taça de Portugal entre o Benfica/União de Leiria”. Estes dados impõem estas interrogações: se a informação semanal rende audiências, porquê continuar a apostar em novelas de má qualidade? Se a informação semanal atrai interesse público e interesse do público, não é tempo de terminar com grelhas monotemáticas ao serão? É claro que grande parte do mérito destes números se deve aos autores de “Rosa Brava”, particularmente a Pedro Coelho, um dos melhores repórteres da TV portuguesa. No entanto, este poderia ser o tempo de a SIC voltar a rentabilizar os seus trunfos ao nível da informação.

Políticos invadem, de novo, o “Jornal das 9”

Ontem, Nuno Mello foi à SIC Notícias explicar a Mário Crespo as razões da sua demissão do cargo de líder parlamentar do CDS.
Hoje, António Pires de Lima lá estava no mesmo Jornal das 9 para criticar a direcção do CDS e assumir a defesa da direcção dos parlamentares do PP.
Curioso o facto de Pires de Lima começar por lembrar que os temas fortes do dia eram a polémica à volta do caso do militar condenado a seis anos de prisão por sequestro de menor e o referendo à  despenalização da interrupção voluntária da gravidez. Por isso, achava “chocante” que o CDS continuasse a ser notícia.
A entrevista demorou alguns minutos por vontade das partes.

Um filósofo à conversa com Mário Crespo

Num espaço que tem sido (demasiadas vezes) ocupado por políticos (sobretudo ministros), Mário Crespo abriu hoje o seu “Jornal das 9”, da SIC Notícias, ao filósofo Pedro Galvão para falar da interrupção voluntária da gravidez.
O entrevistado é autor do livro A Ética do Aborto.
Boa opção para um tema que está a ser muito reivindicado pela classe política.
Ouvir um pensador entrar, de forma bem sustentada, por dentro dos argumentos prós e contras desta questão foi, de facto, um bom momento de televisão.
A repetir.
Porque estamos cansados da velha confraria.

P.S. Não conheço o entrevistado