Gripe A: os limites da informação

O Ministério da Saúde tem actuado com um cuidado extremo ao nível da gestão da informação no que diz respeito à gripe A. Em momentos particularmente sensíveis, tem havido conferências de imprensa ou a divulgação de comunicados que, e muito bem, têm também a função de neutralizar situações de pânico. A Direcção Geral de Saúde também tem demonstrado que está atenta e é actuante. Ontem, os media começaram a noticiar dois casos  de pessoas que, segundo os relatos jornalísticos, estavam internadas no Hospital S. João, em estado grave. Em declarações aos jornalistas, o Secretário de Estado da Saúde arriscou dizer que os pacientes corriam risco de vida. Mais tarde, em entrevista à RTP, Margarida Tavares, adjunta da direcção clínica pelo plano de contingência da gripe A, no Hospital S. João, confrontada com a questão de se saber qual o estado clínico destes pacientes,  recusou-se a responder de forma directa, argumentando que estava a falar de “doentes reais”.  Num contexto em que gradualmente surgem mais casos de gripe A, e consequentemente, casos mais graves, é urgente pensar naquilo que se deve, ou não, dizer em público acerca dos doentes. Porque o discurso das fontes acarreta consigo pessoas que têm o direito à privacidade . Hoje, no site do ‘Público’, até se escreve isto: “Um dos dois pacientes que estavam internados em estado grave no Hospital de S. João, no Porto, está curado”. A fonte que assume a informação é um médico do Hospital de S.João. No twitter, houve já algumas pessoas que me recordaram que o Secretário de Estado da Saúde também é médico. Tal como a Ministra que tutela este campo, poderia eu acrescentar. Mas não é nesse estatuto que esses interlocutores são ouvidos e, como ocupam lugares de relevo, o cuidado com a informação deve ser maior. Como tem sido neste passado recente. Haver um deslize não implica uma desvalorização do que tem sido feito, mas também não pode significar um esvaziamento da discussão destas questões. Pelo contrário. É preciso abrir este debate para que a comunicação que se desenvolve em público tenha cada vez menos ruído.

“O meu Telejornal” no site da RTP

A RTP renovou o seu site. Em http://noticias.rtp.pt, a TV pública apresenta várias novidades que têm um ponto comum: estimular a participação dos cidadãos na informação televisiva. Em destaque está um link intitulado “ O meu Telejornal” que permite a escolha de um alinhamento mediante uma oferta pré-determinada de (diversos) conteúdos. Há também a possibilidade de ver em directo as emissões da RTP 1 e da RTPN – janelas que estavam acessíveis no anterior site da RTP, mas que raramente eram abertas.

TVI 24 nasce hoje

Às 21 horas de hoje, aparece um novo canal temático de informação.  Trata-se de um projecto alternativo ou de um clone da SIC Notícias ou da RTPN? Abrimos aqui espaço para o debate.

Europa em reflexão

O Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, em parceria com a representação da Comissão Europeia em Portugal e o Gabinete em Portugal do Parlamento Europeu organizam, amanhã e sábado, em Braga uma acção de formação uma acção de formação para jornalistas do Norte do país – com especial incidência nos meios de comunicação regionais e locais –, tendo em vista a realização, em 2009, de eleições para o Parlamento Europeu. No âmbito do tema em análise, o seminário dedicará três sessões a questões institucionais (1. Background histórico: o papel do Parlamento Europeu na construção de uma Europa democrática; 2. O Parlamento Europeu no quadro institucional: o processo de decisão na União Europeia; 3. O futuro da União Europeia); duas sessões a questões políticas (1. As políticas europeias mais relevantes para a Região Norte; 2. Portugal na EU: impactos e perspectivas); e duas sessões a questões dos media (1. O papel dos media nas questões europeias; 2. A especificidade das eleições para o PE: o desafio da participação). Entre os conferencistas, participam os académicos Ana Paula Brandão, Isabel Estrada e José Palmeira; os jornalistas José Alberto Lemos e Joaquim Vieira; o responsável pelo Centro de Avaliação de Políticas e Estudos Regionais da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte, Rui Monteiro; e os eurodeputados Francisco Assis  e (PS)José Silva Peneda (PSD). A sessão de abertura conta com as presenças de Margarida Marques, Chefe da Representação da Comissão Europeia em Portugal; Paulo de Almeida Sande, Director do Gabinete em Portugal do Parlamento Europeu; Manuel Pinto, Director do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho e de Joaquim Fidalgo, Director-adjunto do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho.

5º Canal de TV: assim não!

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social rejeitou hoje as candidaturas da Telecinco e da Zon Multimédia ao 5º canal generalista de TV. A ERC considera que primeira não preenche os requisitos exigidos no Caderno de Encargos ao nível do plano viabilidade económico-financeiro; a segunda não atinge, segundo o órgão regulador, patamares mínimos no que diz respeito à suficiência dos meios técnicos e humanos.
E agora? Agora ambos os candidatos têm um determinado tempo para explicarem melhor os seus projectos. A decisão final deve ser conhecida antes do final do próximo mês. Se não houver desistências.
Nesta altura, o debate sobre o 5º canal será sempre redutor. Porque quase nada se sabe sobre as propostas a concurso. E há respostas que mereceriam ser já conhecidas:
• Quem financia estes projectos?
• Qual a linha editorial que seguirão?
• Que engenharia de programação propõem?
• O que distingue estes projectos dos canais que temos?
Não integro, desde o primeiro momento, o grupo daqueles que acham que não há lugar para mais uma estação televisiva. Nem mesmo em período de crise económica, como é aquele que atravessamos. Mas gostava que a discussão em torno do 5º canal fosse mais aberta, mais participativa, mais imune a raciocínios conspirativos. Ainda vamos a tempo de tornar este processo mais dinâmico e mais linear. No início dos anos 90, a abertura da TV do sector privado andou a reboque de lógicas eleitorais. E não me parece que tenha sido a melhor opção. Convinha não repetir maus exemplos.

Quando o telespectador se integra nos alinhamentos dos noticiários

A queda de um avião, ontem, no Rio Hudson, em Nova Iorque, mais do que um espectacular acontecimento, demonstra que é importante criar canais para integrar o telespectador nos conteúdos informativos. A notícia de ‘última hora’ chegou a Portugal na recta final dos telejornais das 20h00 dos canais generalistas. Os pivots limitaram-se a comentar as imagens que, em casa, nós também víamos. Quando, às 21h00, arrancaram os noticiários da SIC Notícias e da RTPN, o assunto continuava a dominar os alinhamentos. Quem tinha a notícia? As imagens dos canais internacionais transmitidas em directo pouco ajudavam a perceber o que se passava. Na RTPN, João Adelino Faria passa a emissão ao outro pivot que o acompanha, o Alexandre Brito, que faz a ligação com a Net. Uma passagem interrompida para dar espaço a um telefonema em directo com o correspondente em Washington. Que também não trouxe muitas novidades. Regressa-se ao pivot Alexandre Brito e à Net e percebe-se logo que há aí muita informação: fotografias dos passageiros a saírem do avião caído nas águas do Rio Hudson, vídeos que mostravam a descolagem de um aparelho idêntico ao acidentado a partir da mesma pista… Uma das fotos mostrada foi tirada por Janis Krums que a colocou de imediato no Twitter com esta legenda: “There’s a plane in the Hudson. I’m on the ferry going to pick up the people. Crazy”. Aí está um bom exemplo para demonstrar que os cidadãos, em determinados momentos, podem saber mais do que os jornalistas. Isso não implica que sejam repórteres. “Apenas” exige que os jornalistas multipliquem as suas ‘fontes’ e criem outros canais de diálogo com os seus públicos.

Viragem editorial na SIC?

Segundo a imprensa de hoje, a SIC tem uma nova aposta ao nível da programação. Finalmente o canal generalista privado parece apostado em recuperar uma imagem de marca: os formatos de informação. Ontem estreou “Nós por Cá”. Para os próximos tempos anunciam-se mais novidades: “Mário Crespo entrevista…” e “Aqui e agora” (uma rubrica do “Jornal da Noite” que ganhará autonomia). O noticiário das 20h00 terá também novas rubricas. Segundo os responsáveis da SIC, haverá uma atenção em diversificar os convidados e em criar novos canais de participação. A concretizar-se este objectivo, é uma excelente notícia para a vitalidade do espaço público televisivo e para o fim de uma TV das Elites, construída por uma confraria extremamente reduzida.

Agregação de Manuel Pinto e de Helena Sousa (actualização)

Os professores Manuel Pinto e Helena Sousa, do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho (e colaboradores deste blogue), apresentam, nos próximos dias, as suas Provas de Agregação.
As Provas de Manuel Pinto decorrem quinta e sexta-feira (dias 4 e 5 de Dezembro), pelas 15h00, no Salão Nobre do Edifício dos Congregados da Universidade do Minho (Avenida Central). No primeiro dia, far-se-á a discussão do curriculum e do relatório da disciplina “Teorias do Jornalismo”. O segundo dia é reservado à lição de síntese intitulada “Digressão sobre a crise do jornalismo: entre diluição e re-invenção”.
As Provas de Helena Sousa decorrem na quinta e sexta-feira seguintes (dias 11 e 12 de Dezembro), pelas 11h00, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Minho. O primeiro dia é ocupado com discussão do curriculum e do relatório da disciplina “Economia Política dos Media”. O segundo dia é preenchido com uma aula sobre os percursos, as características nucleares e as grandes temáticas da Economia Política dos Media.

Actualização: ao contrário do que estava previsto, as Provas de Agregação do Prof. Manuel Pinto têm lugar no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Minho, no Largo do Paço, e não no IEC. A informação correcta é a seguinte: dias 4 e 5 (amanhã e 6ªfeira), pelas 15 horas, no Largo do Paço.

Santana Lopes, a PGR e… um enorme ruído

Na sexta-feira a manchete do DN era a seguinte: “Santana e Carmona investigados por novas suspeitas de corrupção”. No “Expresso” Santana Lopes afirma isto: “O Sr. Procurador autorizou-me a dizer que não estou a ser investigado”. Quem comprar o DN de hoje encontra uma notícia intitulada “PGR não confirma versão de Santana Lopes” e nela uma fonte da Procuradoria-Geral da República diz o seguinte: “O que foi dito é que corre efectivamente um processo para apurar da ilicitude ou não de projectos urbanísticos”. Alguém poderia contar tudo…?

O que a publicidade pensa do jornalismo

Acabo de ouvir na rádio um spot do Euromilhões. Desta vez o conhecido mordomo Jarbas é confrontado pelo seu patrão com esta pergunta:
– Já compraste o jornal?
O fiel empregado responde afirmativamente, acrescentando que as aquisições se alargaram a outros media. O patrão remata assim:
– Agora já posso publicar o que quiser!
O que pretendem os promotores desta campanha: promover um produto e ao mesmo tempo abrir um debate sobre a (in)dependência dos meios de comunicação social? Assumir que os jornalistas são meros “cães de guarda” de interesses económicos ou políticos, sem qualquer espaço de autonomia? Ou o spot é feito apenas para ter graça (!), sem se pensar naquilo que é dito?

Números que refectem uma sociedade que (não) vemos

Os jornais do fim-de-semana estão cheios de números. Números resultantes de estudos que demonstram que as notícias das últimas semanas não são propriamente uma novidade. São, antes, uma realidade que existe há algum tempo, nuns casos; ou uma construção que exacerba o desenho do real, noutros.

Perigo na estrada. Diz o “Expresso” que os atropelamentos com fuga do condutor fazem mais de uma vítima por dia. O “Jornal de Notícias” publica um destaque onde se pode ler que um número significativo de mortes na estrada acontece devido não só ao excesso de álcool dos condutores, mas também por causa do consumo de drogas que duplicou no ano passado em relação a 2006. Os media falam de atropelamentos com fuga e de condutores com alto consumo de droga como casos isolados. São graves, mas não são singulares.

Perigo em casa. Um relatório divulgado esta semana pela Procuradoria-Geral da República, ampliado em toda a imprensa nacional, informa que os crimes sexuais contra menores triplicaram em Portugal entre 2002 e 2007, contabilizando cerca de 1400 casos/ano. Os crimes com crianças institucionalizadas rondam uma percentagem na ordem dos três por cento. Na opinião pública há, no entanto, uma ideia generalizada de que as instituições sociais serão mais vulneráveis a este tipo de prática devido ao hipermediatizado caso “Casa Pia” cuja Provedora, em entrevista ao “Expresso”, se queixa precisamente disso: da imagem estereotipada que se tem da Casa que dirige.

Perigo na escola. O “Expresso” escreve isto na primeira página do Caderno Principal: “A Direcção-Geral de Reinserção Social tem em mãos 94 casos de menores condenados em tribunal a medidas tutelares educativas pela prática de furtos, agressões, danos patrimoniais ou até posse de armas na sua escola”. Significa isso que a realidade denunciada nos últimos tempos por Pinto Monteiro não é de hoje. Se prestarmos atenção à edição do “Público”, poderemos acrescentar que se trata de uma situação com mais de uma década. Segundo dados recolhidos pela Equipa de Missão para a Segurança Escolar, o número de armas de fogo apreendidas no último ano lectivo é semelhante àquele reunido há dez anos e os das agressões de alunos a professores diminuíram em quase metade em 2007, totalizando 185 casos, comparativamente ao ano anterior, em que se registaram 390.

Estes estudos demonstram que os meios de comunicação social têm andado um pouco desatentos em relação àquilo que se passa no plano social. No entanto, os recentes casos, que os media tanto noticiaram, tiveram, pelo menos, o mérito de fomentarem a discussão desse mundo real no espaço público (mediatizado).

À porta do Carolina Michaëlis, à procura de nada…

Os jornalistas estão, hoje de manhã , em massa, à porta da Escola Secundária CarolinaMichaëlis, no Porto. No fim-de-semana, os semanários relataram casos (ainda) mais graves do que o caso da Escola do Porto . Na “Quadratura do Círculo”, da SIC Notícias, Jorge Coelho relatou outro caso de agressão de alunos, vivido por uma sua amiga professora. Dessas situações, não há imagens. Logo, não há notícias. No Carolina Michaëlis, qual é notícia hoje?

“Aqui e Agora”… finalmente!

Quase não nos lembramos de “Hora Extra, o programa de debate conduzido pela jornalista Conceição Lino que a SIC criou em Janeiro de 2002 e que atirou para horas tardias. Depois disso, este género televisivo desapareceu da estação generalista privada. Agora, e talvez muito por acção da Entidade Reguladora da Comunicação Social, a SIC anuncia a criação de um outro debate: “Aqui e Agora”, cuja estreia está marcada para 17 de Abril. Segundo o “Jornal de Notícias”, este formato contará com um painel fixo de comentadores: o criminalista e presidente da Câmara de Santarém Moita Flores, o jurista e ex-bastonário das Ordem dos Advogados Rogério Alves e o psiquiatrae José Gameiro. Será que o estúdio vai manter-se fechado a outros convidados? Não me parece bem para um debate que se pretende vivo, mas diversificado. O propósito será, segundo se noticia hoje, ser um suplemento às notícas do dia. Indo para o ar à 5ª feira, este programa irá rivalizar com “Grande Entrevista”, da RTP1 (a TVI continua sem este tipo de programação). Trata-se, é certo, de géneros diferentes, mas o passado recente demonstrou que este tipo de coabitação pode influenciar temas e convidados. Vamos ver…

Correio de Manhã festeja 29 anos com “site” renovado

Não se trata de uma revolução, mas o “site” do CM está mais arrumado (http://www.correiodamanha.pt/)  . Lê-se melhor. E vê-se mais. Há ainda espaço para fotografias, o que constitui uma novidade nesta renovação ao nível do “on line”. Pena que os artigos do dia não estejam acessíveis. Pelo menos, a esta hora da manhã (ainda) não estão. Destaque-se o “link” “29 anos a abraçar Portugal” que remete para um suplemento (em papel) onde, cite-se, “estão as vidas, as dificuldades, as aspirações e a vontade de vencer e servir a sociedade de mais de meia centena de portugueses de Trás-os-Montes ao meio do Atlântico, dos campos e das cidades e, obviamente, das zonas mais populosas onde o CM é mais vendido e imprescindível”.

Em diálogo de qualquer lugar que seja notícia

 Em http://cheiroapolvora.blogs.sapo.pt/, o jornalista da RTP Luís Castro não abre espaço apenas aos seus trabalhos, emitidos na televisão pública, a partir do Iraque. Deixa as impressões que a reportagem no terreno lhe provoca e, acima de tudo, dialoga com quem passa neste blogue e deixa ficar lá alguns comentários. Uma forma de estabelecer o diálogo que a TV (ainda) não proporciona.