Marcas do tempo que passa

Talvez por falta de outros motivos para celebrar, 2012 tem vindo a revelar-se um ano cheio de aniversários que as marcas comemoram com maior ou menor criatividade.

 As marcas acompanham-nos ao longo do tempo vivendo connosco cada momento. Lá fora, tal como cá, este ano marca o aniversário de algumas bastante emblemáticas com campanhas que prometem deixar também a sua marca. É o caso, por exemplo da centenária bolacha Oreo, do rum Bacardi, que celebra 150 anos, ou do Motel 6, com um filme que demonstra bem a passagem do tempo, incluindo o preço de uma noite que há 50 anos custava 6 dólares e agora ronda os 40.

Por cá, festejamos os 75 anos da Renascença com diversas iniciativas, incluindo partilha de histórias de vida dos ouvintes e uma emissão sobre rodas, num autocarro pelas ruas da capital e uma descentralização até ao café Vianna, em Braga, e os 60 da Compal, com um novo eixo estratégico que “Podia ser magia, agronomia ou ideologia. Mas falamos de Frutologia!”,

incluindo a alentejana “Amêcha Rainhã Cláudiã”, primeira de uma série de edições limitadas para coleccionar e celebrar fruta portuguesa com espírito positivo, já que “Nesta altura que só se fala de crise, nem que seja apenas nos blocos publicitários, queremos que haja um raio de sol”, explicou Miguel Garcia, diretor de divisão de negócio de nutrição da Sumol-Compal ao Dinheiro Vivo.

Festejemos, portanto.

A democracia tem destas coisas: um like é um voto

A participação está na moda. Tão na moda que quem não participa não é cool, não está in. É democrático. É bonito. Mas merece ponderação. Digo eu. Haverá diferença entre escolher o nome para um novo iogurte ou decidir limitações ao trânsito no centro da cidade?

A democracia tem destas coisas. Se participamos, somos engajados e motivados, adquirimos de algum modo um grau extra de cidadania. Se não participamos e somos apenas cidadãos no número e no papel perdemos o direito moral à cidadania. Mas devemos questionar que tipo de participação é esta e que tipo de cidadania queremos e merecemos.

As instituições desdobram-se em acções, actuações e iniciativas para promover a participação, potencializada pela procura de formas alternativas nas novas tecnologias mas também no acesso deliberativo. É democrático. É bonito. Mas merece ponderação. Digo eu. Haverá diferença entre escolher o nome para um novo iogurte ou decidir limitações ao trânsito no centro da cidade?

Moralismos àparte, a participação tem a sua dose de perversão, não sendo a sua instrumentalização como legitimação do poder a menor de todas.

É por isso que eu, que vivo no norte, acabo de participar numa decisão que não me diz respeito, votando no logo que servirá de imagem e identidade ao Orçamento Participativo de Lisboa 2012. Não me diz respeito porque, não vivendo lá, não tenho nada a ver com o assunto. Ou, sendo Lisboa a capital, talvez eu me me possa considerar uma cidadã de Lisboa, agora que todos somos cidadãos do mundo?
Isso não interessa nada. Eu participo porque posso. Eu e toda a gente que vá à página do Facebook “Concurso de Imagem Orçamento Participativo de Lisboa”. Um like é um voto. E um voto é uma tomada de decisão.
Ou talvez seja apenas o reforço de uma velha constatação:
“A democracia é tão somente um mecanismo de mercado: os votantes são os consumidores; os políticos são os empresários.”
Crawford Brough Macpherson in A democracia liberal: origens e evolução, 1977

É só fachada.

Agora que vem aí a Primavera chega-nos aquela vontade de renovar a vida, a casa e o mundo. Mesmo que seja só cosmética e no essencial fique tudo na mesma, mudar as almofadas do sofá ou fazer um novo corte de cabelo dá logo um ar mais lavado. A criatividade renova.

 Com a crescente dificuldade de cada vez mais famílias pagarem as hipotecas da casa, a Brainiacs from Mars, uma agência americana de marketing não convencional de alto impacto, lançou uma campanha, que é antes de mais nada de auto-promoção. Também tem o seu lado de responsabilidade social e oferece uma experiência positiva e envolvente ao consumidor, uma win-win situation. Seja qual for a etiqueta que lhe quisermos colocar, o que é certo é que tem dado que falar e consiste no seguinte: a Brainiacs paga a hipoteca da casa em troca do uso da fachada como espaço publicitário, durante os meses que durar o contrato, que pode ir de um mês a um ano. O interessante é que se compromete a voltar a pôr tudo num brinco, pintando o espaço usado com as cores originais. É uma espécie de Querido, mudei a casa, mas só por fora.

Neste negócio o cliente vende a alma ao diabo e sujeita-se à reacção adversa da comunidade de vizinhos, já que a pintura é em cores berrantes, mas ganha duplamente com o pagamento da hipoteca e com a renovação das paredes. Entre pagar a casa e mantê-la ou passar a vergonha, a escolha pode não ser fácil mas em tempo de guerra não se limpam armas. Quem quiser candidatar-se pode fazê-lo colocando fotos da sua casa na página do Facebook e preenchendo o formulário de candidatura. Para os que preferem uma relação mais personalizada, a agência propõe o  uso de uma t-shirt publicitária em troca do pagamento de três meses de hipoteca.

Que se saiba ainda não o fazem em Portugal, por isso talvez seja uma boa ideia para a renovação dos prédios decrépitos dos centros das cidades e uma solução de recurso para o ‘Querido, entreguei a casa ao Banco‘, previsível para todos os que se confrontam com esta possibilidade. E são muitos. Cada vez mais em Portugal. Segundo Tiago Mesquita no blogue 100 Reféns do Expresso,

“O número de pessoas que deixaram de pagar os empréstimos bancários aumentou 450%. Repito: 450%.”

Talvez seja um número suficiente para tornar uma campanha de renovação de fachadas rentável. Talvez um dia destes um banco pegue na ideia, faça um consórcio com uma marca de tintas e uma empresa de construção civil falida e comece a pintar as fachadas de novo, incluindo a sua, com cores fortes e vibrantes que nos façam acreditar. De novo.

Cantar de Gallo

A ver se nos entendemos: falar uma mesma língua significa, mais que partilhar um idioma, estar em perfeita sintonia cultural.

A recente acusação de racismo de um anúncio do azeite Gallo no Brasil, despoletada por uma colunista da Folha de São Paulo e que deverá vir a ser avaliada pelo organismo de auto-regulação da publicidade do Brasil (CONAR), chama a atenção para um facto que é muitas vezes esquecido num mundo globalizado onde todos podemos e devemos falar uma mesma língua.

A ver se nos entendemos: falar uma mesma língua significa, mais que partilhar um idioma, estar em perfeita sintonia cultural com o local e o momento. Falar uma mesma língua implica ter sensibilidade para as idiossincrasias do meio ambiente comunicacional, seja ele institucional ou pessoal, implique ele um cidadão ou um país inteiro. Falar uma mesma língua é antes de mais nada respeitar e compreender o outro.

O que aconteceu com o Gallo brasileiro, criado pela AlmapBBDO, uma das mais premiadas dos últimos anos, é uma infelicidade comunicacional. É a prova de que o humor é uma arma poderosa mas difícil de manusear, que quando usada sem bom senso provoca danos colaterais e, no mínimo, um sorriso amarelo numa marca que nos habituou, pelo menos desde 1989, a alguns dos mais belos spots publicitários da portugalidade anunciando, mais do que um azeite premiado, a nossa própria alma.

A Gallo é líder em Portugal, com 30% da quota do mercado, é a quinta maior marca mundial e vende para 47 países. Recentemente fez um restyling da sua imagem para estar mais perto dos consumidores contemporâneos, reinventando a tradição e propõe-se vir a ser a terceira maior marca mundial de azeite.

“Eu gosto muito de ouvir cantar a quem aprendeu, se houvera quem me ensinara quem aprendia era eu.”

Desde 1919.

O que é que o teu google diz de ti?

Diz-me com quem andas, diz-me o que pesquisas, dir-te-ei quem és. Tudo começou por causa de um artigo em que tropecei por acaso. Ou terá sido pelos desígnios do motor de busca e de toda a cabala de monitorização em que vivemos invisivelmente perscrutados, analisados e manipulados?

O Google nos 200 anos de Charles Dickens

Já não sei o que me levou ao “The web of one”, a teia de cada um é a nova rede de Susana Albuquerque, directora criativa da Lowe Ativism, numa edição já antiga da Marketeer, mas sei o que me levou a fazer depois: investigar o que o meu Google diz de mim.

Quando procuro uma definição de portugueses, as primeiras respostas referem: “Os portugueses são o povo ou nação com origem em Portugal, na Península Ibérica ou ilhas (Açores e Madeira), no sudoeste da Europa. O português é a sua língua.” Um artigo da Wikipédia. Bastante científico e equilibrado, certo? Mas depois os resultados da minha pesquisa começam a revelar valores subjectivos atribuidos automaticamente: os portugueses são “demasiado sofisticados”; “pobres, estão desmobilizados mas consideram-se felizes”;  “muito generosos”; “românticos e tradicionais”; “preconceituosos”. As fontes indicadas são: ionline, publico, dn, destak, youtube.

Experimentei internacionalizar a pesquisa, declinando a fórmula nas línguas em que pude dar um jeito. As respostas falam por si: Es cierto??? Los españoles son feos???; The English are German, the Welsh are real Britons; Les Français sont aussi stupides que les américains; Gli italiani sono matti; Die Deutschen sind ein Haufen Individualisten…

Isto é: os espanhóis têm problemas de auto-estima, os ingleses são uma fraude, os franceses não são tão bons quanto gostariam de fazer crer, os italianos são loucos e os alemães um bando de individualistas. Bate certo?

O que é que isto dirá de mim? Estará o perfil que o Google define para cada um de nós de acordo coma nossa própria percepção ou necessidades de informação? As prioridades atribuídas correspondem às que nós atribuiríamos se pudéssemos escolher conscientemente?

Lanço-vos o mesmo desafio: pesquisem “os portugueses são” e partilhem aqui os vossos resultados. Ou não… Podem ser inconvenientemente reveladores.

‘Bora lá ser pobre?

SPENT parece o nome de uma série televisiva do tipo Lost ou Perdidos na Tribo. Embora a experiência nos possa deixar um pouco perdidos, trata-se de um jogo online que simula a sobrevivência com mil dólares por mês, nos Estados Unidos. Fosse em Portugal e esta quantia daria para muito mais, mas cá aplica-se aos novos e velhos pobres, aos assumidos e aos envergonhados, às mais de 31% de famílias, segundo uns, um quinto dos portugueses, segundo outros, que vivem no limiar da pobreza ou abaixo dele.          

SPENT faz parte de uma estratégia de comunicação que pretende chamar a atenção, receber donativos e envolver a sociedade e os membros do Congresso norte-americano —  a quem também foi lançado o desafio de jogarem — para o que acontece aos milhares de pessoas  normais (sim, pessoas como nós) que, subitamente ou num lento e devastador processo de agonia,  se tornam dependentes, desempregados, sem-abrigo e desesperados. Desgastados financeira e economicamente, agastados social e emocionalmente.

SPENT coloca-nos o desafio de viver na pele de um recém-desempregado com um filho, que tenta arranjar emprego e chegar ao fim do mês vivo. Pelo caminho há várias situações que simulam a vida real, como ter que alugar uma casa mais barata, escolher entre pagar a conta do gás ou da electricidade, entre explicações para o filho ou pagar o seguro do carro, ou entre aceitar um casaco em segunda mão ou a ajuda da caridade. Mas também somos obrigados a fazer escolhas de carácter moral ou emocional, como entregar ao dono uma nota que este deixou cair ou assumir os estragos de um toque no parque de estacionamento.

Criado a partir da realidade americana por quem sabe do que fala (parece que a criadora, Jenny Nicholson, copywriter, viveu uma vida de privações), patrocinado pela agência de publicidade McKinney e pelos Urban Ministries of Durham, uma organização não governamental privada que se assume como “A community of support united for the greater good of all”, o jogo  já foi jogado por mais de um milhão e meio de pessoas em 196 países e revela-se de uma enorme actualidade aqui e agora.

O seu senão é que a abordagem pseudo-lúdica à pobreza pode provocar o que a Technology Review chama “gamification of poverty”, fazendo parecer que esta é uma realidade distante, paralela ou meramente virtual, da qual nos podemos facilmente alhear. Basta não querer ver. Basta não jogar o jogo.

Se ainda não experimentou a sua capacidade de resiliência na vida real, teste-a aqui.

‘Petits-fours’

No rescaldo do fogo de artifício da abertura de Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012 na qual não tive qualquer participação a não ser numa espreitadela fugaz à televisão, venho aqui dizer que também Eu faço parte!

E não é de agora. Na capa do livro da quarta classe, salvo erro, o Castelo de Guimarães representava uma realidade distante no tempo e no espaço, uma ligação às minhas raízes mais  remotas, construindo um sentimento de pertença anacrónico nas águas quentes de Pemba, candidata a mais bela baía do mundo.

Retirado do vídeo promocional Guimarães CEC 2012

Confesso que quando anos mais tarde visitei o castelo fiquei decepcionada por naquele monte de pedras em ruínas quase nada restar do castelo que eu tinha construído na minha imaginação, cheio de soldados de cota de malha espreitando nas ameias, comandados por um rei Afonso de coroa reluzente. Já era tarde demais para rever a história mas o castelo não perderia nenhum fulgor na memória afectiva que dele guardo.

Guimarães 2012 é um bom exemplo de um restyling de marketing territorial, ancorando-se numa janela-coração e na ideia de participação e envolvimento da população local para além dos vários públicos estratégicos. Não sei de quem partiu a ideia, se foi uma encomenda ou uma criação espontânea, mas quando vi o bolinho húngaro com a forma do logo da capital europeia, percebi que a aposta da comunicação estava ganha. Haverá melhor merchandising? A participação para dar voz à diversidade foi levada ao extremo e até se pode personalizar o logótipo. Crie aqui o seu.

Só quando nos apropriamos dos símbolos é que eles de facto nos representam e nos dias de hoje é fundamental comunicar olhos nos olhos, olhos no coração.

Guimarães, I lobe ya!

Obs: Bolinho-coração-logo gentilmente roubado a Paula Nogueira que atribui a autoria à “Pavico, uma empresa com história que se dedica a panificação, pastelaria e catering. Muito conhecida na cidade pelas coisas boas que produz mas também pelo arrojo de comunicação”. Ainda me prometeu uma caixa de bolinhos. A boa comunicação abre, de facto, novas possibilidades.

Vida de insecto

Flower Power

Se há coisa que a publicidade faz bem é retratar a nossa alma e acompanhar todos os momentos da nossa vida. Confortável e irritantemente omnívora. Irresistível.

O VW carocha surge em 2012 adaptado ao momento, como sempre fez, com este novo outdoor. Oferece-nos POWER, tira-nos FLOWER. A vida não está para menos mas apetece perguntar: Onde estão os hippies? E os yuppies? Que utopias nos restam a nós, breves insectos deste imenso universo?

A mensagem da flor riscada é a tradução do conceito exibido já no ano passado, na Super Bowl, o  21th Century Beetle.

Ecológicos e minúsculos, respirando as nossas vidas intensamente superficiais desaprendemos de sonhar. A Volkswagen – carro do povo –  recorda-nos dessa pulsão e dá-nos um empurrãozinho.

1964

1966 - Don't laugh.

1967

1968 Live below your means

Receita para os tempos que correm: viver abaixo das possibilidades.

O escaravelho tem sete vidas. Ou mais.

Imagem de abertura: www.ligateamedia.pt; Publicidade vintage: http://www.adclassix.com

Pingo Amargo

Está no nosso ADN. O Pingo Doce é uma marca portuguesa. E gostamos dela. Se não gostássemos, não nos importávamos. Mas a julgar pela proliferação de vozes críticas gostamos mesmo.

Começámos o namoro com anúncios-­poema de iluminação mística e voz colocada que transfiguravam uma vulgar truta de aquário num rodovalho requintado, posicionando-­‐se como uma cadeia de distribuição com um toque gourmet que nos dava a ilusão de uma vida mais bonita. Oficializámos a relação mais tarde quando o apelo à tradição veio acompanhado de uma descida de estatuto, tornando o sítio do costume um lugar mais popularucho, uma espécie de parque temático com sorrisos da charcutaria aos detergentes.
Não gostámos, criticámos a musiquinha irritante e semi-­pimba do venha cá até que ela começou a entrar no ouvido. E porque sabe bem pagar tão pouco, perdoámos e aproveitámos as promoções durante todo o ano, sem cartões nem complicações.
Estávamos nesta vidinha quando o parceiro com quem partilhávamos os nossos dias assumiu publicamente que afinal o que é nosso, o nosso azeite, o nosso vinho, o nosso pão com azeitonas, o nosso bacalhau da Noruega, enfim, o nosso amor por Portugal, tinha andado a fazer olhinhos a um sistema fiscal bem mais vantajoso.
Afinal não tínhamos casado para o melhor e para o pior? Não gostámos. Sentimos a facada nas costas. Menos de um ano depois de Soares dos Santos apelar a um governo de salvação nacional, procurava a sua e a nossa salvação numa relação extra-conjugal e explicava porquê num comunicado em que nos diz que nos ama desde 1792.

Comunicado Pingo Doce distribuído nas lojas em 5.1.12

Distribuído nas lojas perante a estupefacção de muitos dos consumidores que nem sequer tinham dado conta de qualquer tipo de polémica, tal como não se tinham apercebido da publicidade enganosa dos 0% de IVA no verão passado, o Pingo Doce assumia uma estratégia de comunicação de crise, comunicando para evitar outros protagonismos e mais ruído.
A traição poderá sido mais simbólica que real mas doeu. Gritámos: Podes ficar com a casa e o carro mas não me tires o carrinho de compras! Esperneámos e retaliámos com acusações anti-­patrióticas e boicotes. Alguns de nós foram até fazer compras à mercearia da esquina nessa semana. Só para aprenderem a não brincar com os nossos sentimentos e com a nossa fidelidade.
Mas porque as coisas não estão fáceis e o Cabaz Família nos dá 3kg de peixe congelado por 10 €, em breve a amargura deste amor corrompido dará lugar a um breve amuo. Até parece a letra de um fado, mas não é.

Entre raivas, apoios e indiferenças o Pingo Doce tem estado no centro dos argumentos esgrimidos contra e a favor, ganhando ainda mais tempo de antena. No fim da novela o que interessa é que o consumidor irá ao Pingo Doce enquanto isso lhe for favorável. E o consumidor está a aprender a fazer contas. As contas que lhe permitirão decidir pelo divórcio ou por manter um casamento de paixão morna com os habituais altos e baixos da conveniência.

O sapato de cristal da Cinderela poderá ser um clomp de madeira feito para turistas em Volendam e o melhor é pormo-­nos em cima dos tamancos e caminhar como se fossem stilettos.
Antes isso. Afinal já nascemos descalços. É bom que cada um de nós compare e comprove. Este é o pingo amargo-­doce de que se aprende a gostar.

Veja mais intervenções sobre esta relação de amor-ódio aqui e aqui.