Lusa e Público: não basta a solidariedade

Mensagem enviada hoje aos jornalistas reunidos no Porto, em solidariedade com os trabalhadores do Público e da agência Lusa, em dia(s) de greve:

“A greve da Lusa, tal como a greve do Público, deveriam ser um sinal de alerta para os cidadãos e, em particular, para os políticos.

No jornalismo independente  e comprometido com a verdade reside um dos pulmões da democracia e um dos apoios fundamentais para que Portugal vença a crise em que se encontra.

A Lusa é uma peça-chave da diversidade e da abertura do jornalismo português. Comprometer a qualidade do seu trabalho é comprometer a qualidade do jornalismo nos outros media e, nessa medida, um atentado aos interesses do país.

Nesse sentido, a notícia da aquisição da Controlinveste por um grupo económico angolano, a confirmar-se, é inquietante. Sobretudo se tivermos em conta que a Controlinveste é o segundo maior accionista da agência, detendo 23% do capital. É, pois, um assunto a seguir com a maior atenção, exigindo do Governo a efectiva salvaguarda dos interesses do país.

Nesta hora, não basta a solidariedade, que ninguém de boa fé negará.  É preciso ir mais longe e juntar energias de todos os que se disponham a examinar a situação dos media e procurar caminhos novos que  assegurem condições a um jornalismo aberto e próximo das pessoas, que seja voz daqueles que não têm voz. Do lado da academia a que estou ligado, estamos  disponíveis a criar ou reforçar as pontes que possam dar suporte a esse objectivo”.