Relações conflituosas … com o meu jornal

O colega deste blog e amigo Luís Santos anunciou, na sua página do Facebook, um ‘corte de relações‘ com o jornal Público, na sequência do comportamento do jornal relativamente à manchete da passada quinta-feira (sobre a alegada excecionalidade dos alegados aumentos dos docentes do Ensino Superior) e, suponho eu, das respostas das jornalistas e da diretora à interpelação por parte do Provedor do Leitor daquele diário.

Diz ele que dá por finda uma relação que durava há cerca de 20 anos e que já vinha a definhar há algum tempo. Conheço mais pessoas que já tomaram idêntica atitude, mais lá atrás ou agora, por causa do mesmo caso.

Percebo-os, mas não os sigo. Por dois motivos principais: um é o facto de, apesar de tudo, ainda haver jornalismo no Público e profissionais lá dentro a lutar por serem jornalistas, produzindo, apesar de tudo, um trabalho que, desgraçadamente para nós todos, ainda continua a destacar-se no panorama jornalístico português (significando, com isto, que as alternativas são escassas e ténues). Outro motivo é o facto de termos lá dentro um provedor que ouve, que acolhe, que se bate por que o jornal seja fiel à sua carta de princípios e que continua a publicar dominicalmente uma avaliação do jornal, com uma prestação que acho ser globalmente muito positiva. Temos pouco disso, hoje em dia, e é preciso dar força – seja ao José Queirós seja a um futuro sucessor no cargo.

O gesto de cortar relações compreendo-o sobretudo como desilusão de quem acreditou num projeto jornalístico novo,  que tão importante seria, especialmente, no atual contexto histórico do país e da Europa, mas que se foi deteriorando, sobretudo com as últimas direções editoriais. Talvez o jornal também precise desses sinais, para ver se acorda. Pela minha parte, opto, por enquanto, por continuar a dialogar com o jornal, a picar, se for caso disso, a propor (mesmo que não obtenha qualquer resposta, com já me aconteceu com mensagens dirigidas à atual diretora).

2 thoughts on “Relações conflituosas … com o meu jornal

  1. Percebo bem a posição do Luís Santos e dou-lhe razão, só não a sigo, porque deixei de seguir já há alguns anos o Público, aquele que foi o último jornal de referência nacional.
    A informação que circula no nosso jornalismo é cada vez menos trabalhada, mastigada e compreendida, e logo estes casos vão-se tornando a normalidade. Já sabemos quando vemos algo fora do normal numa manchete que temos de dar o desconto. Ainda me lembro quando apenas tinha esta atitude face a jornais como o Incrível ou o Insólito.

    O problema disto até nem é a idoneidade dos jornalistas, eles foram apenas engolidos pelo sistema, a guilhotina que paira sobre os seus empregos, e por isso passaram a regular-se pelas audiências. Ao fim de algum tempo isso assumiu a normalidade do dia-a-dia que passou a tudo filtrar, com maior intensidade as capas e manchetes, que no fundo são os grandes atributos de venda. Daí que a variação semântica se tenha tornado num trunfo.

    É pena que apesar de tudo isso não tenham mantido pelo menos a capacidade para compreender, aceitar e aprender com os seus erros e optem por se refugiar em desculpas. Desculpar-se com o facto de que no interior do jornal está explicado em detalhe, não desculpa, nem pode desculpar uma manchete.

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