Jornalismo e xenofobia

O título principal da capa do JN desta segunda-feira consegue discriminar, numa mesma frase, mulheres e nacionais do leste europeu. Ao escolherem a manchete “Melhores carteiristas são mulheres do leste”, com o subtítulo “JN surpreendeu em plena ação em Lisboa sofisticadas ladras, na maioria oriundas da Roménia e da Eslovénia”, os editores do Jornal de Notícias colaboraram para fomentar o xenofobismo.

O jornal, ao classificar criminosos de acordo com a nacionalidade e o género, prestou um desserviço, cujas consequências certamente estão agora a ser sentidas pelas mulheres do leste que não se enquadram no perfil de “sofisticadas ladras”, mas que emigraram dos seus respetivos países para em busca de uma vida melhor.

A responsabilidade ética perante a sociedade é uma das mais nobres qualidades de um bom jornalista. A discriminação torna o jornalismo sofrível.

Cabe lembrar aqui o Código Deontológico do Jornalista, que diz, em seu artigo 8º:

“O jornalista deve rejeitar o tratamento discriminatório das pessoas em função da cor, raça, credos, nacionalidade, ou sexo.”