Que bem que está a nossa TDT

A ANACOM disse ontem que desde o desligamento do primeiro emissor de televisão analógico, em Palmela, apenas 271 pessoas contactaram a linha de apoio da TDT por terem ficado sem sinal.
A maioria dos telespectadores que contactaram a linha de apoio não tinha tomado medidas para continuar a ver televisão, nomeadamente ainda não tinha adquirido um descodificador ou um kit satélite, adiantou ainda aquela entidade.
O balanço feito é, portanto, positivo.

Que leitura fazer disto?
Do ‘balanço’?
Da apresentação deliberadamente não contextualizada dos dados?
Do lugar da ANACOM enquanto (pelo menos no papel) garante dos direitos dos cidadãos?


Para ajudar à reflexão deixo (com a devida vénia) um excerto de um texto escrito este fim-de-semana por Miguel Gaspar na revista Pública (‘Este país não é de graça’):

Como já se compreendeu, todo o processo da TDT foi conduzido à medida dos interesses das empresas envolvidas. Da PT, que é dona da rede de transmissores, à Zon e à Meo e a acabar nos operadores de televisão, incluindo o quasi beatificado serviço público.
E o que é chocante é esse entendimento ter sido feito às custas dos espectadores mais desprotegidos, do ponto de vista cultural e do ponto de vista económico. Aqueles para quem televisão são quatro canais e mais nada (…). Em muitos casos, nas zonas onde a TDT não chegar, estes terão de comprar aparelhos para poderem ver televisão por satélite. Ao todo, irão pagar mais de 131 milhões de euros. (…) Este país não é para graças. De todo.

3 thoughts on “Que bem que está a nossa TDT

  1. E há mais meias verdades. Uma delas diz respeito à impossibilidade de se adiar o apagão analógico definitivo, marcado para 26 de abril, por conta dos compromissos firmados referentes ao 4G. É importante que saibamos que as faixas onde o 4g será alocado Portugal é, em grande parte, a mesma que a Espanha tem utilizado para as transmissões televisivas digitais. Ou seja, até que a Espanha mude as frequências da sua TDT (o que deve ocorrer em 2015), não há possibilidade de haver o 4G português nas regiões fronteiriças.
    Há ainda outros tantos exemplos, que necessitariam de uma tese para explicar…

  2. Pingback: O poder mediático de um bom balanço | Jornalismo e Comunicação

  3. Estranhamente, ou talvez não, tudo é sempre muito positivo para a ANACOM quando se trata da TDT. Entristece que a ANACOM, que deveria ser a primeira defensora dos direitos dos cidadãos, não faça devidamente o seu trabalho. É de louvar o trabalho realizado pelo professor Sergio Denicoli a este respeito.No país dos lobbies já nada surpreende infelizmente…

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