Political decison making: o caso da TDT e as futuras decisões governamentais

Num sistema democrático, se a população estiver desunida acaba por ser o elo mais fraco. E um dos fatores cruciais para a desmobilização popular é a falta de informação. Portanto, governos e órgãos públicos apressam-se em impedir que as pessoas sejam devidamente conscientizadas, quando estes tomam decisões que afetam negativamente os cidadãos.

Num modelo racional e analítico, os objetivos seriam claros e precisos, mas na política as metas são ambíguas, pois há interesses que não são explícitos. Os grupos mais fortes fazem com que suas alternativas preferidas pareçam ser as únicas vias possíveis, e usam estratégias retóricas, como discursos tecnicistas, para tentar desviar a atenção da opinião pública e não despertar críticas da oposição. Em geral, os mais fortes são os que detêm o poder económico, e que acabam por submeter outros poderes.

Deborah Stone, Doutora em Ciência Política pela Universidade de Massachusetts, avalia que na construção das metas nos processos de decisão política há quatro desafios básicos: equidade, eficiência, segurança e liberdade.

A equidade significa a necessidade de haver decisões justas, que distribuam da forma mais adequada os recursos disponíveis. A eficiência pode ser vista sob diversos ângulos. Escolhas eficientes resultam em grandes benefícios por meio da alocação adequada dos recursos existentes. A segurança envolve a garantia de serviços de saúde, alimentação, emprego, equilíbrio na indústria, etc. No caso da liberdade, o maior dilema é: quando o poder público pode interferir legitimamente na vida dos cidadãos, com suas escolhas e atividades?

A observação desses quatro pontos é uma fórmula que pode medir a eficiência dos governos, agentes políticos e órgãos públicos.

O modelo da TDT portuguesa esteve em foco durante os últimos dias e foi muito criticado a partir do momento em que a RTP informou devidamente à população sobre o tema, tornando-se a locomotiva dos demais meios de comunicação. O caso teve uma grande repercussão porque havia um desequilíbrio democrático, onde decisões que afetavam a vida de todo o país haviam sido tomadas sem a devida participação popular.

Portanto, o elo mais fraco, desunido e desinformado, não pôde reivindicar uma decisão mais equânime em relação ao novo modelo televisivo que Portugal está a implementar. Foi este o hiato político que os meios de comunicação preencheram, cumprindo o papel de vigilantes da sociedade. Se o governo não reagir, o modelo continuará desequilibrado e ficará claro que a estratégia dos grupos mais fortes, que excluiu a população do debate, foi eficiente. Se reagir, demonstrará que busca ser mais justo, em termos democráticos. Vamos aguardar.

About Sergio Denicoli

Sergio Denicoli é graduado em Jornalismo e em Publicidade, Mestre em Informação e Jornalismo e doutorando em Ciências da Comunicação, na Universidade do Minho. Fez também um MBA em marketing. Investiga a implementação da TV digital terrestre em Portugal, sob orientação da Dra. Helena Sousa. Durante 10 anos foi jornalista da Rede Globo, onde actuou na Rádio CBN (Central Brasileira de Notícias) e TV Globo/ES.

3 thoughts on “Political decison making: o caso da TDT e as futuras decisões governamentais

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  2. Esse tem sido claramente o grande problema da Democracia portuguesa. A falta de transparência é gritante, e os media alimentam-se sobretudo de manobras de diversão. Tocou bem no ponto!😉

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