“As notícias sobre a minha morte são um pouco exageradas”

Para quem vaticinou uma morte prematura aos blogues, o relatório da Technorati sobre o estado da blogosfera em 2011 deixa alguns dados curiosos. De acordo com o inquérito realizado, envolvendo mais de quatro mil bloggers, estes actualizaram mais frequentemente os seus blogues e passaram mais tempo a blogar.

Um sinal de dinamismo na plataforma que não resultará do entusiasmo de principiantes, já que a maior parte dos bloggers já o é há mais de dois anos. E também não podemos ver nesta realidade algum interesse material, já que 60% dos bloggers não tem qualquer retorno pecuniário pela sua interacção. Blogam pelo gozo de o fazer e têm por principal motivação partilhar conhecimentos e experiências com outros. No futuro, tencionam blogar mais frequentemente, alargar o leque de tópicos que abordam e, quem sabe, até mesmo publicar um livro.

E já agora, não, o Facebook e o Twitter não vieram substituir os blogues. Mais de 80% dos bloggers está também simultaneamente nessas duas redes sociais. Assim, parece que ainda não é desta que se matou a blogosfera.

Quem é dono do quê?

A paisagem mediática nacional está em estado de grande fluidez – talvez seja o normal em tempos de crise, ou talvez não.
Parece, em todo o caso, que o ‘assunto’ da propriedada dos média portugueses deveria ser mais discutido (nos próprios média mas também fora deles).
Regista-se com agrado a atenção da Estrela Serrano ao tema – aqui e aqui, por exemplo – mas as movimentações ocorridas nos últimos tempos e, sobretudo, as que parecem estar ainda em curso talvez necessitassem de maior visibilidade.
Duas notinhas recolhidas hoje, a este propósito, não presumindo que uma possa ter algo a ver com a outra: o FC Porto pode estar a preparar-se para lançar um grupo de média e o Público anuncia novo plano de corte na despesa.

Pagar para ver o mesmo, melhor

O diário britânico, The Guardian, inicia depois de amanhã uma experiência nova em que pede aos subscritores do seu app para iPad que passem a pagar £9,99 por mês.
É um passo importante sobretudo porque estamos na presença de um dos mais acérrimos defensores da disponibilização de conteúdos jornalísticos de qualidade gratuitos.
É um caso interessante porque o jornal parece ter estudado com atenção a sua audiência fora do papel, acenando a quem quer mais comodidade e um design mais cuidado com o pagamento (do qual um terço é devida à Apple) ao mesmo tempo que diz – quem não quer, pode sempre continuar a aceder às versões móveis do site.
Mais aqui.

Informação e ‘marketing’

“(…) A peça sobre a nova grelha d[o Jornal das 8 d]a TVI 24, apresentada domingo à noite na TVI, era tudo menos jornalismo. Era marketing, com direito a musiquinha e tudo e as frases panfletárias que todos os jornalistas receberam no dossier de imprensa que a estação enviou para as redações. E era tão fácil (e legítimo) ter feito bem…”

Nuno Azinheira, Informação  e ‘marketing‘, DN, 10.1.2012