Obras apoiadas em 2011 para publicação

Lista das obras apoiadas para publicação, em 2011, no quadro da medida “Incentivo à Investigação e à Edição de Obras sobre Comunicação Social”, do Gabinete para os Meios de Comunicação Social:

  • A Ética das Relações Públicas, Gisela Marques Pereira Gonçalves;
  • Marketing de Televisão, Rádio e Audiovisual, Paulo Faustino.
  • Ciberjornalismo, modelos de negócio e redes sociais, Helder Bastos e Fernando Zamith (orgs.);
  • A Imprensa Portuguesa (1974 2010), João Figueira;
  • Esmiuçando os sufrágios eleitorais os media e as eleições europeias, legislativas e autárquicas de 2009, Rita Figueiras (coord.);
  • Os dias dos Media – uma análise de estruturas organizativas, Rogério Santos (coord.);
  • Pluralismo dos Media, Indicadores de Mercado e Grupos Empresarias em Portugal e na Europa, Paulo Faustino (coord.);
  • Cultura e Jornalismo Cultural, Dora Santos Silva;
  • Políticas Públicas, Estado e Media, Paulo Faustino e Francisco Rui Cádima;
  • A imagem técnica e as suas crenças – a confiança visual na era digital, Vitor Flores;
  • Apogeu, morte e ressurreição da política nos jornais portugueses do Século XIX ao Marcelismo, Carla Baptista;
  • Crianças e Media em tempos de mudança pesquisa internacional e contexto português, do século XIX à actualidade, Maria Cristina Mendes da Ponte;
  • República, Desporto e Imprensa, Francisco Pinheiro;
  • Jornalismo e direitos da criança – conflitos e oportunidades em Portugal e no Brasil, Lídia Marôpo;
  • Da imprensa regional da Igreja Católica – para uma análise sociológica, Alexandre Manuel;
  • Media e Poder – o poder mediático e a erosão da democracia representativa, João de Almeida Santos.

Os dois mundos da TDT portuguesa

Parece haver dois sistemas de TDT em Portugal. Um deles é o que a população recebe, o outro é o que as empresas de telecomunicações construíram, com alguns apoios importantes.

O da população está cheio de equívocos. É o pior da Europa em oferta de programas – pois contempla apenas os quatro canais generalistas, a qualidade de receção da imagem deixa a desejar, o sinal não está disponível para cerca de 1 milhão de cidadãos – que estão nas chamadas zonas de sombra e são obrigados a pagar mais de 100 euros para assistir aos canais TV aberta via satélite, não há uma oferta de serviços em HD, nem a TV móvel, muito menos serviços interativos diferenciados, como, por exemplo, aplicações para pessoas com necessidades especiais.

Já o sistema das empresas vai muito bem. É um dos responsáveis pelo crescimento de quase 30% do mercado de televisão paga em Portugal, que aumentou de 43,7%, em 2008, segundo dados do Obercom, para 70%, em 2011, segundo dados da Anacom. Algo extraordinário em tempos de recessão. A TDT das empresas também prospera na área da Internet em banda larga, pois já foram leiloadas frequências que serão libertadas a partir do apagão analógico, previsto para abril, quando os operadores de telemóveis poderão fornecer serviços 4G. Uma transação que trouxe aos cofres públicos 370 milhões de euros. O sistema das empresas ainda tornou monopólio da PT a distribuição dos sinais televisivos terrestres e a venda de equipamentos pra a receção em zonas de sombra. Além disto, como comprova o documento abaixo, inicialmente a PT seria obrigada a arcar com todos os custos referentes ao kit satélite, mas a Anacom mudou a lei em abril e jogou a maior parte da conta para a população.

Entre os dois sistemas, posiciona-se a Anacom, que deveria primar pelos interesses da população. Mas, nas declarações do regulador, tudo está a correr muito bem na TDT da população, pois as pessoas estão devidamente informadas, há subsídios excelentes para as famílias se adaptarem à receção da TDT, o apagão nas zonas piloto foi um sucesso e Portugal está preparado para avançar.

No entanto, bastou que os meios de comunicação investigassem um pouco mais a fundo e fizessem uma série de reportagens para as coisas começarem a mudar. A RTP, cumprindo o seu importante papel de serviço público, foi a primeira a levar à televisão os dados que mostravam que havia algo errado na TDT da população, enquanto a TDT das empresas prosperava.

Houve recuos por parte da Anacom, que decidiu fasear o apagão no litoral, que atingiria grande parte das pessoas que vivem na costa, e também anunciou uma pequena diminuição do custo do kit satélite. Mas, em termos de modelo, até o momento nada mudou.

Na tabela abaixo podemos comprar os dois mundos da TDT:

TDT da População

TDT das empresas

  • Mesmo número de canais da TV analógica, o que deixa Portugal com a menor oferta de canais na TDT da Europa, segundo dados do Observatório Audiovisual Europeu.
  • Oferta de dezenas de canais em plataformas de TV pagas, incluindo canais temáticos da RTP, de acesso exclusivo aos serviços por subscrição.
  • Redução da cobertura em relação ao sistema analógico.
  • Monopólio da PT na distribuição dos sinais digitais terrestres.
  • Mais de 100 euros de investimentos para assistir aos canais da TV aberta nas zonas de sombra.
  • Monopólio da PT na venda do Kit satélite para as zonas de sombra.
  • Cerca de 30 euros para a compra de um descodificador nas zonas cobertas pela TDT.
  • Crescimento de aproximadamente 30% do mercado de TV paga, desde o início da implementação da TDT.
  • Aparente impossibilidade de adiar o apagão analógico e rever o modelo da TDT.
  • Frequências libertadas pela TDT na faixa dos 800 Mhz já leiloadas para TMN, Vodafone e Optimus, para a exploração do 4G.

Agora que os dados dos dois mundos da TDT tornaram-se públicos, vamos aguardar para ver se os agentes políticos vão agir para diminuir a clara disparidade do processo.

Como íamos dizendo …

Há muito tempo – demasiado – que outros compromissos nos desviaram deste espaço.
E, no entanto, a realidade da informação, do jornalismo e dos media não parou. Felizmente que outros, como o Ponto Media, puderam continuar a publicar.
Outras vozes, como o Vai e Vem, surgiram, entretanto, e ganharam lugar de destaque na chamada de atenção e no comentário.
Enquanto isto, os media clássicos têm vindo a perder o pé, na atenção ao seu próprio campo, com a secundarização ou desaparecimento das secções e programas sobre media.
Até por isso, mas por muito mais do que isso, era importante voltarmos.
Diremos que a ecologia dos media, hoje, exige, cada vez mais, que se cuide dela.
A curadoria da informação e dos media aí está como um dos grandes desafios dos tempos que vivemos.
Rastreando o que se passa com:
os novos media;
as plataformas e redes sociais;
a proliferação de conteúdos e de formatos;
a procura de um lugar ao sol para o jornalismo online;
a digitalização da distribuição da TV;
a ética jornalística e da participação dos cidadãos;
a regulação e a auto-regulação;
a formação dos novos profissionais;
a análise da tecnologia e a crítica da razão tecnológica;
os poderes e estratégias dos actores e dos poderes;
a formação para uma literacia crítica sobre os media e uma educação para a comunicação
– eis alguns dos terrenos a que nos propomos prestar atenção.

Mediascópio é um conceito e uma ‘marca’: faremos deste espaço uma instância de atenção aos acontecimentos, situações e problemas, aos seus significados e contextos, procurando não esquecer (e convocar, sempre que possível) a investigação científica e os links com o contexto internacional.
E porque nos importa a conversa e o debate, gostaríamos de trabalhar de portas abertas a todos os que se interessam por estas coisas e partilham da convicção de que estas coisas são alicerces em que se funda e se refaz a vida pública.
Em tempos de grandes abalos e questionamentos sobre o modo como organizamos as nossas sociedades e configuramos os nossos modos de viver, importa não esquecer quer as realidades silenciadas quer os processos de silenciamento.
Mais do que um programa isto é a enunciação de preocupações que temos, enquanto académicos e enquanto concidadãos.