«A net será a terceira vida da rádio»

Em mais de três quartos de século de história em Portugal, a rádio não conseguiu resolver a contraditória relação que tem com profissionais e investigadores. Na verdade, apaixonando os profissionais que nela fazem carreira, a rádio não conquistou, porém, equivalente sentimento na comunidade científica da Comunicação. Parente pobre dos estudos mediáticos, a rádio procura ainda assim re-situar-se na era dos media electrónicos. Ora, é precisamente sobre o futuro que se discute hoje em Lisboa, na Universidade Lusófona, a pretexto dos 75 anos da Rádio Pública em Portugal. O programa conta com a presença de várias figuras da rádio, com reflexões que variam entre o optimismo próprio de quem vê desafios nas novas plataformas ao serviço do meio radiofónico e a dificuldade de reconhecer a rádio de outros tempos nos actuais contextos tecnológicos.

Mário Figueiredo, Provedor do Ouvinte da RDP, por exemplo, admitiu que a Internet pode ser a «terceira vida da rádio», mas não escondeu algumas reservas: «A minha rádio [foi assim que se referiu à rádio de outras gerações] era mais artística». Por outro lado, admitiu ser triste ouvir rádio hoje, «sobretudo quando se percebe que a rádio já não tem gente por dentro».

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