Primeiras…que podiam ser últimas

Depois dos anúncios feitos ontem à noite pelo governo esperava ter visto hoje nas primeiras dos principais diários um reflexo da magnitude do evento ou, alternativamente, uma antecipação de cenários com sentido para as respectivas audiências específicas.
Percebemos pela imagem que só um diário – o JN – levou o assunto tão a sério como os seus leitores; nos restantes pode ter acontecido uma de duas coisas – ou os Jornalistas estavam de folga ou, pior do que isso, os jornalistas de serviço estavam tão anestesiados por outras questões/pressões que  se esqueceram do conceito de ‘serviço’.

O Público apresenta um título que está nos antípodas do que um título de jornal deve ser (não há opção estratégica nem considerações de latitude estilística que lhe valham); presume que os leitores já sabem o essencial sobre o assunto – e presume bem – mas trabalha o rosto da edição em ‘piloto automático’, quase como se a relação com a sua audiência fosse a coisa menos importante da actividade.
O i recorre a uma paginação visualmente mais agressiva mas – tendo em conta o estilo daquele periódico e o evento em causa – fica aquém do esmero de outras ocasiões.
O DN ganha, certamente, o prémio ‘a primeira podia ser a última ou podia ser outra qualquer ou podia até não existir’ com uma imagem banal de José Sócrates e uma manchete absolutamente redundante (os jornais já não são apenas e principalmente espaços onde se dão notícias; são, precisam de ser para não morrer, espaços de contexto, espaços onde se apresentam contributos para que os leitores melhor apreendam as notícias).
O CM também recorre a uma paginação ‘chapa 4’ e escolhe para manchete uma informação não nova.
Mais do que a falta de imaginação anota-se a falta clara de esforço de todos estes títulos; para um dia como outro qualquer, uma primeira como outra qualquer…estratégia perigosa em tempos como os que vivemos.

6 thoughts on “Primeiras…que podiam ser últimas

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  2. Dos piores trabalhos que o JN já fez. De resto todos “chapa 5”.
    Não houve grande preocupação com a gestão de espaços e a própria paginação que dá arrepios. Vamos la deixar de confundir design com desenrasque. Péssima escolha, péssima atitude editorial, péssima direcção criativa, para este número. Para mim a pior capa deste ano.

  3. Olá!

    Sou estudante de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Brasil. Tenho muito interesse em estudar em Portugal. Gostaria de saber se vocês têm, na Universidade, algum curso de extensão ou especialização de curta duração.
    Como não encontrei nenhum endereço de e-mail no blog, decide enviar minha dúvida por meio de comentário.

    Desde já, muito obrigada,
    Nicolly Vimercate.

  4. Subscrevo, a imagem do JN apenas chama a atenção…Mas esteticamente está horrenda e não acrescenta muito ao que se sabe…neste caso ‘uma imagem não valeu mil palavras’! Mesmo que em comparação com os restantes jornais esteja melhor…

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