Provedores contribuem para a qualidade do jornalismo

Há vários tipos de provedores ou vários modos de entender e praticar a função. Mas aqueles que se assumem como instância de análise e de crítica do jornalismo representam um contributo para a qualidade do jornalismo. Esta poderia ser uma das conclusões de um extenso estudo que acaba de ser publicado pela Netherlands Media Ombudsman Foundation, que se baseou na análise de colunas de provedores na Holanda e num questionário respondido por provedores de diversos países.
O estudo, intitulado “The News Ombudsman – Watchdog or Decoy?”, sublinha algumas pressões a que esta função se encontra submetida, especialmente nos últimos anos: a passagem de uma preocupação ético-deontológica para uma ponderação de natureza jurídico-legal; a pressão dos blogs e outras formas de escrutínio que levam alguns a concluir que os provedores representam uma função obsoleta face à interactividade dos novos media; e também porque a redução de gastos leva algumas empresas a não ver com bons olhos ocupar um jornalista sénior nestas funções.
Apesar destas tendências, os autores do estudo entendem que os provedores podem reforçar a qualidade do jornalismo. “Na medida em que os jornalistas têm presente que alguém está atento ao seu trabalho no dia a dia e a tomar a sério as queixas dos consumidores relativamente ao produto jornalístico, isso gera um impulso no sentido da qualidade”, acentua o trabalho.
Mas, ao mesmo tempo, há que sublinhar não apenas que o número de provedores tem vindo a cair (especialmente nos Estados Unidos), mas também – e esta é uma aparente tendência que o estudo ressalta – “o número de provedores verdadeiramente independentes e que analisam criticamente o seu produto mediático representam uma pequena minoria”.

Para ler o relatório:
Huub Evers; Harmen Groenhart; Jan van Groesen (2010) The News Ombudsman – Watchdog or decoy? [ISBN 97890 79700 20 2]