O Haiti como pretexto metajornalístico

Num texto de 2003, Dominique Wolton referia-se à “frágil vitória” dos jornalistas, profissionais que reconhecia como “heróis frágeis da modernidade”. Sobre eles pesa, de facto, a realidade de um ofício condicionado pela retórica da sedução que define em geral as organizações mediáticas, pelos interesses difusos de um público fragmentado e, por consequência, pela tensão permanente de actuar no presente. Mas os jornalistas pretendem-se, sobretudo, como testemunhas da história. Emprestam-nos o olhar e são, em certa medida, os sentidos com que estamos entregues ao mundo. O mesmo olhar com que estivemos recentemente no Haiti ou com que estamos ainda na Madeira e no Chile.

Como deve, porém, ser este olhar? Podem mesmo nestes contextos de catástrofe ser os jornalistas «bravos rapazes», como dizia Balzac, e entregar-se simplesmente ao mundo que estão a reportar? Que diferença deve haver entre o testemunho de um jornalista e o testemunho de um cidadão comum? É suposto que os jornalistas sejam vistos como “repórteres-heróis”?

Num excelente trabalho metajornalístico, a jornalista Maria João Cunha preparou para a Rádio Renascença uma reportagem que pretende precisamente ser uma reflexão sobre o jornalismo em catástrofes. Um imperdível exercício de discussão do papel dos jornalistas, feito a partir do modo como se olhou a tragédia do Haiti… (para ver a reportagem, clicar sobre a imagem)

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