Ele há cada coincidência (III)

Palavras para quê?
A marcha do pensamento único (neste caso com um pendor bélico nacionalista muito peculiar que também importaria não deixar de discutir) continua, nos desportivos, sem embaraço nem contratempos.

5 thoughts on “Ele há cada coincidência (III)

  1. Mesmo: «Palavras para quê?» E ainda se “queixam-se” da recepção à selecção nacional! Quando se aproximam momentos decisivos para o futebol português, é sempre a mesma coisa (e, tal como disse, o mesmo «pendor bélico»).

  2. A questão que aqui se coloca parece-me ser, antes de tudo, jornalística – quando joga a selecção, e, sobretudo, quando esta está em apuros, nada melhor do que recorrer a uma velha sabedoria – centrar o foco de todas as nossos sofrimentos e de todos os nossos fantasmas no ‘inimigo’. A questão é que um jornal, mesmo que seja desportivo, não deixa de ser um jornal, supõe-se que feito por jornalistas.
    Agora, do ponto de vista antropológico – e é pena que a Antropologia da Comunicação seja uma disciplina ainda pouco desenvolvida – a matéria para que o Luís Santos chama a nossa atenção constitui mantimento do melhor. Afinal, qual o papel desta ‘violência simbólica’? Em que medida ela se torna compreensível, ou mesmo necessária, nas sociedades de violência (mal) contida que são as nossas? Questões velhas, afinal, e presentes em muito mais situações do nosso quotidiano do que aquelas que à primeira vista se nos apresentam.

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  4. Só entendo a intenção deste post, ao constituir uma terceira edição do título do Joaquim Fidalgo sobre o “product placement” nos diários desportivos, no sentido de se aproveitar uma expressão popular ironicamente feliz como “Ele há cada coincidência”.

    Acho, portanto, que as versões II e III deveriam ter títulos autónomos, porque, embora retratem o panorama dos jornais desportivos, abordam os critérios editoriais em si (que devem ser discutidos – e este é o espaço certo), enquanto a versão I se concentra na total deturpação de todo e qualquer princípio de independência editorial. Ou seja: de um lado, temos o jornalismo “mal feito”; do outro, a completa negação do mesmo. Mais: se nos casos II e III há incompetência da parte editorial, no caso I o problema é supra-editorial, é empresarial, porque faz transparecer uma promiscuidade grande entre as áreas de marketing, comercial e editorial – partindo do princípio de que o primeiro objectivo de um jornal é veicular informação, porque, como sabemos, o primordial objectivo de uma empresa, ligada aos média ou não, é dar lucro.

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