Para Bárbara Reis

José Manuel Fernandes (JMF) decidiu abandonar o cargo de director editorial do Público, ao fim de mais de uma dezena de anos a dirigir o jornal. Como o próprio explica, no seu editorial de despedida, a decisão não se deve a pressões políticas, ao contrário do que alguns já quiseram fazer crer.
Sem questionar o valor como jornalista de JMF, creio que, em especial nos últimos anos, ele se tornou parte do problema do jornal que dirigia, em lugar de ser parte da solução.
Reconheço que não é nada fácil dirigir um diário como o Público, na sociedade que é a nossa e no quadro actual de crise que a Imprensa atravessa. Mas entendo que o facto de JMF ter feito do jornal uma tribuna sistemática anti-Sócrates, assumindo, em vários momentos, um papel de oposição que nem a oposição política foi capaz de assumir tornou-se fatal e só agravou o quadro difícil que o jornal, em condições normais, teria de enfrentar.
É evidente que a Direcção do Público tem todo o direito de ter uma linha editorial e de essa linha ser a favor ou contra uma determinada força política. Mas o que os leitores não podem aceitar é que haja uma agenda escondida que pauta o que se cobre e o modo como se cobre.
Uma parte desses leitores identificar-se-ão, naturalmente, com essa orientação e farão do Público a sua bandeira. Mas outra parte irrita-se e vai-se embora, porque não está para alimentar o que percebe como um embuste. E foi o que julgo que aconteceu, pelo menos desde o alinhamento em que JMF pôs o diário, relativamente à guerra do Iraque.
Julgo que ele não tinha alternativa, senão abandonar o cargo. E se não o fizesse ele, alguém teria de o fazer por ele, na SONAE, mais ano menos ano.
Recusaria no Público um jornalismo amorfo, sem espinha, amansado ou pró-governamental. Mas também recuso um jornalismo de “pé atrás”, de “parti pris”.
Desejo, por isso, que Bárbara Reis e a equipa que a acompanha levem o Público para uma nova fase, que seja capaz de recuperar leitores que foram “à vida”.
Desejo também que este Público oiça mais os seus leitores, institua canais que não sirvam apenas para comentar o que é publicado, mas que permitam sugerir assuntos, pronunciar-se sobre as grandes orientações, participar em projectos…
Estaremos já em condições de esperar isso?

(*) Já agora, não será chegada a hora de mudar o inquérito que o Público online coloca no fim de cada notícia? À pergunta, de resto razoável, “Achou este artigo interessante?”, porque será que só a opção “sim” é dada ao leitor? A não ser que se entenda que quem não responde perfilha a opinião que a notícia não é interessante.

Anúncios

“MoJo” – Jornalismo e telemóveis

Chama-se “Jornalismo e Redes Móveis“. É um novo blogue da responsabilidade do Labcom (Universidade da Beira Interior – UBI), agora lançado por esta razão e com este objectivo:

Em resposta a vários pedidos, o Labcom decidiu lançar um blogue exclusivamente dedicado a esta nova linha de investigação: jornalismo para dispositivos móveis. Juntámos os conteúdos relacionados com o 1º Encontro da Montanha e tentaremos acompanhar o que de mais relevante acontecer nesta área.

Esta atenção ao binómio jornalismo / telemóveis como uma das equações mais promissoras para o futuro dos media, envolvendo activamente investigadores como António Fidalgo e João Canavilhas, esteve na base do referido 1º Encontro da Montanha (realizado na passada semana, na Serra da Estrela). E vai, certamente, continuar a ser fonte de notícias…