Second Life: conferência em Braga

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O metaverso é o foco de um evento científico que decorrerá em Braga nos próximos dias 24 e 25, na Universidade do Minho, integrada no SLACTIONS 2009, uma conferência de investigação no Second Life.

A iniciativa envolve universidades e investigadores de sete países: Israel, Brasil, China, Finlândia, Reino Unido e Estados Unidos da América, além de Portugal.
O ‘chapter’ português é coordenado pelo investigador Nelson Zagalo, do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, e decorrerá no Auditório do Centro Multimédia, Campus de Gualtar, em Braga. É ainda possível proceder à inscrição nesta iniciativa.
Entre os tópicos a abordar nos dois dias de trabalho, destacam-se os seguintes:
* Communication paradigms in the metaverse
* Content management
* Creativity, design, and arts on the metaverse
* E-business and e-commerce applications
* Educational research, applications, and case studies
* Social Sciences studies in or through metaverse platforms
* Using metaverse platforms for cooperation.

Ver o programa completo: AQUI e as condições de inscrição AQUI.

Formação de “jornalistas multimédia”

Mindy McAdams, blogger e professora de Jornalismo na Universidade da Flórida reuniu num livrinho intitulado Reporter’s Guide to Multimedia Proficiency 15 posts publicados já este ano.
Conforme salienta, a intenção foi apoiar aqueles que querem aprender a tornar-se jornalistas multimédia.

(Via: Conectados)

TVI: menos conjecturas e mais factos

A tempestade levantada a propósito da suspensão do Jornal Nacional de Manuela Moura Guedes tem produzido muito ruído e não tem tido muita substância. Não faria mal algum esforço de reflexão (se é que isso interessa a alguém).

Esclareço antecipadamente dois ou três pontos:

  • Não gostava do jornal nacional das sextas. Em nome de valores que o jornalismo deve cultivar, como o de investigar, de confrontar, de “morder as canelas”, não pode valer tudo, torpedear regras básicas do mesmo jornalismo.
  • Tendo em conta o que é conhecido neste momento, considero muito grave – pela aparente intromissão na esfera editorial e pela oportunidade – a decisão da administração da TVI de cancelar o programa.
  • Já vi muita coisa para saber que todos os poderes – e o actual não é seguramente excepção – querem controlar a informação, mas que grave é quando se deixa de poder denunciar ou lutar contra tais tentativas.

Dito isto, ocorrem-me perguntas sobre as quais gostaria de ver mais análise e, sobretudo, mais factos:

  • A quem interessa uma decisão como aquela que foi tomada, no momento em que foi tomada? Ao PS? Ao PSD? À TVI? A outros partidos? A outros canais? Aos cidadãos, em geral?
  • A avaliar pelos elementos disponíveis, que objectivos procurou atingir, para além do óbvio de liquidar o programa semanal?
  • Como se explica que se continue a insistir com a colagem da PRISA ao governo socialista espanhol e, por essa via, ao português, quando é conhecido, há largos meses, que a situação se alterou profundamente e que se criou um fosso entre as duas partes?
  • Existem sinais de que os jornalistas da TVI sejam constrangidos para não continuarem a fazer o seu trabalho, de acordo com o profissionalismo que lhes é exigido, nos vários jornais de que dispõem diariamente?
  • Quais são os actos que podem ser invocados para comprovar a imputada pressão governamental para calar aquele Jornal Nacional?

Defender a continuidade ou a mudança de Governo, especialmente em período como aquele que Portugal vive é mais do que legítimo. Mas no que toca ao jornalismo, seria desejável que ele não se limitasse a ampliar o que dizem os contendores políticos. Que desse menos espaço ao ruído e à conjectura e mais à investigação e aos factos. Que averiguasse, como lhe compete, e que nos dissesse o que apurou e o que não conseguiu apurar. Afinal, é disso que todos nós precisamos.

As imensas sobras dos jornais

Retomando uma curiosa tradição inaugurada por José António Saraiva n´O Sol, também o director do “i”, Martim Avilez de Figueiredo, decidiu fazer-se entrevistar para o seu próprio jornal (tendo até contratado uma estrela de fora, Mário Crespo, para se ocupar da tarefa), no dia – 7.9.09 – em que se comemorou a saída do nº 100 daquele diário. A entrevista tem algumas passagens muito interessantes, de que me permito salientar estas duas:

As vendas estão bem. O i tem de vender 12 mil exemplares em banca – é isso que achamos que valemos. Actualmente estamos a vender 9700 em banca, com uma subida. Vendemos 10 900 no primeiro mês, 7200 no segundo, 7400 no terceiro e 9100 no último mês. Isto são as vendas em banca. O que conta no mercado e que serve como padrão de comparação é a circulação paga, a maneira como fazemos circular o jornal: 12 753.

 

As sobras são grandes mas isso não tem só a ver com o problema da receptividade. Tem a ver com o drama da distribuição. Jornais com curvas de aprendizagem de 20/30 anos, como o “DN”, não conseguem trabalhar com sobras muito abaixo dos 50%. O “DE” não conseguia trabalhar com sobras abaixo dos 64%/68%. Nós estamos com sobras de 76,77%. Estamos ainda a aprender onde o i tem de estar para vender o que tem de vender

O director considera, assim, relativamente normal que o “i” esteja com quase 80 por cento de sobras. Ou seja, que tenha de imprimir diariamente quase 50 mil exemplares para conseguir vender 10 mil… E deitar ao lixo, todos os dias, 40 mil cópias…

A distribuição é, de facto, o grande “calcanhar de Aquiles” dos jornais portugueses, em termos empresariais. Nenhum escapa satisfatoriamente desta entorse.  Costumo dizer que se algum gestor conseguisse encontrar o segredo para uma distribuição mais eficiente de jornais no nosso pequeno mercado, diminuindo o desperdício diário das sobras para níveis aceitáveis, seria o empregado mais valioso e mais bem pago de qualquer empresa jornalística… Os jornais portugueses, em média, nunca conseguiram baixar a percentagem de sobras da casa dos 20-25 por cento (e o mesmo sucede com as revistas semanais), o que é um valor razoavelmente alto. Mesmo jornais como o Público, que é detido por um grupo económico especialista na área da distribuição (distribuição alimentar), nunca foram capazes de resolver aceitavelmente esta questão. Agora, passar de 20 ou 25 por cento para os supostos 50 por cento de sobras do DN, 64/68 por cento do DE ou 76,77 por cento do “i” (Martim Avilez “dixit”), vai uma diferença de todo o tamanho… Como é que se consegue viabilizar um  jornal com quatro exemplares diários para o lixo por cada um que se vende?… Também destes menos conhecidos dramas se faz a crise da imprensa portuguesa, castigada por um mercado muito pequeno, instável e fragmentado.