O editorial de José Manuel Fernandes

O editorial de hoje de José Manuel Fernandes sabe a pouco.
O director do Público considera que o relevante, neste mega-caso, “é analisar os factos políticos, não os factos mediáticos.” E acrescenta que o comportamento do Público, neste processo, é matéria sobre a qual não se pronunciará “nem hoje, nem aqui”.
Salvo melhor opinião, José Manuel Fernandes está equivocado. É que o comportamento dos media, e nomeadamente do Público, fez e faz parte dos “factos políticos” e é peça-chave para a compreensão do caso. E este é um caso emblemático de como um jornal de referência não se deve comportar, como, de resto, salientou, no domingo, o Provedor do Leitor e, em tom mais analítico, Joaquim Fidalgo. Discordo, pois, que se deixe de lado os “factos mediáticos”.
Na falta de muita informação relevante para compreender este caso em toda a sua extensão e alcance, há algo que parece desde já claro: nenhum dos protagonistas directamente envolvidos nesta história ficou bem na fotografia.

Duas notas complementares:

1. O director afirma que aquilo que o provedor escreveu quanto ao facto de a sua caixa de mail ter sido vasculhada é mentira. Ter-se-á tratado de precipitação do provedor? Um facto desta gravidade não deveria ser atirado de ânimo leve para a praça pública.

2. Um amigo chama a minha atenção para um facto que pode não ser menor, neste processo: José Manuel Fernandes é cuidadoso, no editorial de hoje, ao sublinhar que Fernando Lima foi afastado das funções que exercia, por se ter tornado impossível prosseguir as funções que exercia junto de Cavaco Silva. Mas não há confirmação de que tenha sido nem demitido nem afastado da Presidência, ao contrário daquilo que a esmagadora maioria dos media e dos comentadores e dirigentes partidários tomaram como certo. Será assim?

2 thoughts on “O editorial de José Manuel Fernandes

  1. Há muito que esta direcção vem desenhando um figurino para o Público que tem por base uma lógica americana de imparcialidade politica na informação, só com uma diferença dos colegas do outro lado do oceano, aqui não é assumida.
    Para jornal de referência sabe a muito pouco e com todos os desaires a que temos assistido diria que este seria um bom jornal para adicionar ao grupo Fox News (USA).

  2. O referido editorial diz “Fernando Lima deixou de ter condições pessoais e políticas para falar aos jornalistas, logo foi afastado das relações com a comunicação social”.
    Ou seja, referem-se as condições “pessoais e políticas” mas também que Lima foi “afastado das relações com a comunicação social” que derivam das suas tarefas/condições profissionais.
    É confuso? É.

Os comentários estão fechados.