Os media no projecto europeu

“Union Européenne: des Médias sous Influence” é o tema e título do artigo de José Manuel Nobre-Correia publicado no mais recente número de Cahiers du Journalisme.
A perspectiva que desenha este investigador da Universidade Livre de Bruxelas não é particularmente entusiasmante, no que se refere ao contributo que este sector dos media pode dar ao desenvolvimento e consolidação do projecto europeu. Alguns motivos que aponta, já nas conclusões:

À partir des années 1950-1960, le cinéma a lentement perdu sa caractéristique de spectacle qui réunissait de larges publics dans des salles qui étaient d’ailleurs le plus souvent particulièrement vastes. Et l’évolution du secteur de la télévision comme d’Internet ne pourra que favoriser la fragmentation (temporelle) du public et un accès chaque fois plus individualisé. Comme si la fragmentation linguistique de l’espace européen ne suffisait pas, la fragmentation des audiences des vieux médias « de masse » ne facilitera en rien la construction d’un espace commun européen sur les plans social et culturel. Et ne facilitera en rien, c’est l’évidence, l’affirmation de l’Europe au plan international face aux puissances ou hyperpuissances actuelles et celles dont on entrevoit déjà l’émergence…

O texto integral: AQUI.

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2 thoughts on “Os media no projecto europeu

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  2. Não concordo com este bocado de texto em duas questões.

    Primeiro traçar os anos 50/60 com o declínio do espectáculo e de grandes salas demonstrar desconhecimento da História do Cinema. Realmente houve um momento de ruptura nos anos 50 com a TV, mas isso não marcou nenhum início de declínio, aliás foi exactamente o contrário. O aparecimento da TV obrigou o cinema a transformar-se e a gerar muito mais espectáculo, não só pelas tecnologias (“Cinemascope”, etc) mas pelos conteúdos e abandono da formatação dos anos de ouro clássicos. As salas mantiveram-se e dizer que eram vastas, estamos a falar de quê, de estádios de Basketball? Os sistemas de projecção não o permitiriam, mesmo assim foi com essa revolução que apareceu o “Cinerama” com 3 projectores em simultâneo. O declínico das audiências pela fragmentação de que o autor fala pode ser traçado a partir dos finais dos anos 80 com o aparecimento dos “multiplexes”.

    O segundo ponto é mais discutível, mas mesmo assim não pode ser enunciado desta forma displicente. A “fragmentação linguística” é uma das bandeiras da UE. Claro que em termos meramente práticos preferia ter apenas o Inglês, e acho que todos os que se movem na Europa o preferiam, mas se pensarmos bem, já temos isso. O Inglês permite já a qualquer europeu viajar para qualquer outro país europeu e aí operar normalmente. Agora vejamos outros aspectos: democracia e cultura.
    De que modo se justificaria num sistema que prega a democracia ao mais alto nível, tornar obrigatório uma língua, ou melhor obrigar os cidadãos a expressar-se de um modo diferente daquele em que nasceram. Na China parece-me normal, se não quiserem falar a nossa língua arrasa-se a aldeia ou abre-se uma barragem sobre aquele território e afunda-se todo aquele ecossistema. Assim a UE o que fez foi exactamente o contrário foi impulsionar as línguas e os dialectos patrocinando-os e fomentando o seu desenvolvimento.
    Do ponto de vista cultural, todos os estudos da linguística às artes demonstram o valor intrínseco da língua na nossa expressão cultural e logo na evolução enquanto humanos.

    Assim a fragmentação linguística, dos media e do espaço, só pode ser benéfica para a nossa civilização. Esqueçam a economia e o practicismo e olhem para além da nuvem dos interesses. De certo modo tenho alguma esperança que esta mesma fragmentação possa vir a ser fundamental na criação de uma sociedade mais justa, mais equilibrada e acima de tudo tolerante para com o próximo. Aliás se a UE reage desta forma é porque ainda não esqueceu os motivos de duas Grandes Guerras Mundiais.

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