Mais um: José Vítor Malheiros

José Vitor Malheiros (JVM) vai deixar o Público nesta sexta-feira. Anuncia-o na sua crónica de hoje.  Continuará a ter o seu espaço semanal no diário, mas já não como jornalista ‘da casa’. Certamente que JVM vai continuar ‘por aí’, seja ou não a fazer jornalismo. O Público é que não fica o mesmo, à medida que vai perdendo os seus nomes de referência. Dir-se-á que é a lei da vida. Em certo sentido sim, mas a lei da vida é também a da renovação e da inovação. De outro modo será, antes, a lei da morte. Esperemos que assim não seja.

A coluna de JVM, na qual traça uma retrospectiva dos 20 anos em que trabalhou no jornal e aí exerceu diversos cargos de relevo, vale a pena ser lida, pelo que diz e, também, por não exprimir, pelo menos na aparência, uma atitude ressabiada. Transcrevo este excerto:

“E, finalmente, não poderia falar destes vinte anos sem falar do capitão que iniciou o que foi uma bela aventura, Vicente Jorge Silva, que nos ensinou a mim e a tantos outros a única maneira como sabemos fazer jornalismo: com honra e com paixão, usando do bom senso e sem abdicar do bom gosto, com rigor e ao serviço do público, com imaginação e com irreverência, com sentido crítico e sem subserviência perante nenhum poder. Nunca usei outra variante de jornalismo, nunca ensinei outra variante e, enquanto for jornalista, continuarei a gastar desta. É a única que conheço”.

PS – Continuo a não achar aceitável que os media informem tão mal acerca de si mesmos. Estes processos de saída de jornalistas ou de colunistas são um exemplo disso. Ou são os próprios a referir o facto, ou ficamos a saber por que os tempos/espaços que ocupavam se eclipsam. Como utilizadores (já não digo como subscritores) mereceríamos outra atenção.

ACT. (31.7): Sugere-se a leitura do post do António Granado “Quatro coisas (de muitos milhares) que aprendi com o José Vítor Malheiros“.