A hipótese de um ‘Glossário translinguístico de Ciências da Comunicação’

Os conceitos com que pensamos as problemáticas da comunicação não são sempre literalmente transponíveis para outras línguas. Esta foi a principal ideia defendida por Divina Frau-Meigs, esta manhã, numa sessão plenária do 2º dia do Congresso da IAMCR a decorrer na Cidade do México. Sugerindo assim que a língua em que habitualmente nos exprimimos configura os conceitos com que pensamos, a investigadora francesa defendeu a criação de uma espécie de ‘glossário translinguístico’ de Ciências da Comunicação. Este instrumento serviria assim para, de algum modo, padronizar os conceitos-chave do campo das Ciências da Comunicação e, dessa forma, permitir a transposição de estudos das línguas com que pensamos para as línguas em que precisamos de nos exprimir.

Do México, estendemos o debate aos visitantes deste blog, sintetizando-o nas seguintes questões: como continuar a valorizar as nossas línguas como pátrias do nosso pensamento num contexto em que os movimentos de globalização tendem a impor-nos o Inglês como língua global? Se a língua é a couraça da nossa identidade, como garantir as nossas identidades num contexto de imposta transfiguração linguística?

2 thoughts on “A hipótese de um ‘Glossário translinguístico de Ciências da Comunicação’

  1. Acho a ideia de um glossário translinguístico absolutamente fantástica! Há que padronizar. A comunidade tem muito a ganhar com isso.

    Se o que é sugerido no post é uma ligação de causa-efeito entre essa proposta e o esmorecer identitário das línguas não dominantes, não me alarmo. Não vejo aqui qualquer ameaça para a nossa língua. A necessidade de nos exprimirmos em línguas globais existe e não creio que seja exponenciada por um eventual padrão, que só facilitará o trabalho de transposição dos estudos.

    Se os apresentados são assuntos paralelos e não relacionados em termos funcionais, eu diria que na primeira parte vejo uma oportunidade e na segunda uma ameaça de longa data à qual é preciso dar resposta num projecto a longo prazo, ao nível da educação, que deverá reforçar o valor – por via da História, da literatura, do cultivar de um sentimento telúrico – da Língua Pátria.

  2. Não deixa de ser engraçado pensarmos num glossário translinguistico, enquanto cada comunidade esforça-se para preservar a sua língua-mãe, dialetos e afins. É só pensarmos na maré de contestações transmitida pelos próprios meios de comunicação a respeito do novo acordo ortográfico entre os países de língua portuguesa, cujo cerne da questão estava não apenas em modificar a escrita, mas a língua em si. Por outro lado, criar um “eventual padrão”, como foi sugerido, a partir das ciências da comunicação poderia ser um bom começo.

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