A hipótese de um ‘Glossário translinguístico de Ciências da Comunicação’

Os conceitos com que pensamos as problemáticas da comunicação não são sempre literalmente transponíveis para outras línguas. Esta foi a principal ideia defendida por Divina Frau-Meigs, esta manhã, numa sessão plenária do 2º dia do Congresso da IAMCR a decorrer na Cidade do México. Sugerindo assim que a língua em que habitualmente nos exprimimos configura os conceitos com que pensamos, a investigadora francesa defendeu a criação de uma espécie de ‘glossário translinguístico’ de Ciências da Comunicação. Este instrumento serviria assim para, de algum modo, padronizar os conceitos-chave do campo das Ciências da Comunicação e, dessa forma, permitir a transposição de estudos das línguas com que pensamos para as línguas em que precisamos de nos exprimir.

Do México, estendemos o debate aos visitantes deste blog, sintetizando-o nas seguintes questões: como continuar a valorizar as nossas línguas como pátrias do nosso pensamento num contexto em que os movimentos de globalização tendem a impor-nos o Inglês como língua global? Se a língua é a couraça da nossa identidade, como garantir as nossas identidades num contexto de imposta transfiguração linguística?