Os jornalistas portugueses à lupa

Com a chancela da Imprensa de Ciências Sociais / Universidade de Lisboa, acaba de ser publicado o livro “Estudos sobre os Jornalistas Portugueses”, de que é organizador (e também autor) José Luís Garcia.MaqueteJornalistas

A obra – que tem por subtítulo “Metamorfoses e encruzilhadas no limiar do século XXI” – colige uma dezena de ensaios relacionados com a profissão de jornalista, tanto no que toca à melhor compreensão da sua realidade actual como no que respeita ao seu (ainda recente) processo de profissionalização. Para além do sociólogo José Luís Garcia, participam como autores outros conhecidos especialistas desta área de estudo, como Fernando Correia, Filipa Subtil, Hugo Mendes, Manuel Correia, Pedro Alcântara da Silva, Sara Meireles Graça e Telmo Correia. “Elementos de composição socioprofissional e de segmentação” dos jornalistas, “o processo de feminização” da profissão, a “crise de identidade profissional e a emergência de um novo paradigma” ou “os problemas-chave de ingresso no jornalismo” são alguns dos temas abordados nos diferentes textos.

José Luís Garcia, que é professor no ISCTE e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, foi responsável (ou co-responsável) pelos dois grandes inquéritos sociológicos feitos aos jornalistas portugueses, um em 1990, outro em 1997. Parte dos resultados desses inquéritos é retomada e aprofundada neste livro, em cujo prólogo se pode ler: 

Apesar dos importantes avanços registados na investigação em comunicação e jornalismo em Portugal (…), o processo de profissionalização dos jornalistas continua a ser um domínio em que se sente a necessidade de conhecimentos de vários tipos (sociológico, histórico, etnográfico, demográfico-estatístico). As abordagens sociológicas que compõem este livro representam, por conseguinte, uma tentativa, realizada a partir de diversos elementos e dados, de análise e compreensão de algumas das principais situações e mudanças ocorridas no período-chave de finais de 1980 e década de 1990. Tais metamorfoses, como indiciam os escritos desta obra, podem ser consideradas como uma das fases marcantes da recomposição da profissão de jornalista em Portugal.