Contar histórias para ser da rádio…

Numa entrevista que deu ao Diário de Notícias, em Maio de 2001, Fernando Alves, da TSF, dizia que «hoje chegam à rádio pessoas que não querem ser da rádio»; pessoas que, segundo ele, não conhecem o gozo secreto da rádio.

Talvez seja por isso, por desconhecerem esse gozo, que a rádio é o meio menos preferido pelos alunos à saída dos cursos superiores de Comunicação/Jornalismo… ou porque já pouco há de mágico numa espécie de relação física que se mantinha com o estúdio (na mesma entrevista, Fernando Alves dizia também que «se não deres quecas com a mesa do estúdio, nunca falarás com ninguém, nunca tocarás o ouvinte»).

A propósito do casting que a RFM fez por estes dias para substituir temporariamente Carla Rocha do programa Café da Manhã, o director da estação, António Mendes, revelou ao Público (edição do P2 de hoje) um dos segredos da rádio dos nossos dias: «A estrela da rádio que gosta de passar música acabou. A rádio hoje é outra. O que procuramos são bons contadores de histórias. Alguém que consiga pôr as pessoas a rir e a chorar»… Alguém que continue a tocar o ouvinte, portanto… mas não é essa, afinal desde sempre, a natureza da rádio?

3 thoughts on “Contar histórias para ser da rádio…

  1. É, sem dúvida.

    Acontece que, durante alguns anos (finais da década de 90, inícios da actual), a rádio musical foi respondendo a uma (suposta) vontade das pessoas (não todas, certamente, mas acredito que com base em dados minimamente sólidos) de terem “mais música e menos palavra”. Basta recordarmos alguns dos slogans de muitas delas, todos do mesmo género deste último que acabei de referir, e até a adopção dos modelos de várias músicas de seguida, sem conversa pelo meio, para o percebermos.

    O que é facto é que, com o advento dos leitores de mp3 e dos telemóveis que os incorporam, as pessoas já ouvem várias músicas “de seguida” sempre que lhes apetece e que a rádio tem de se saber reposicionar.

    E aí (re)entra a palavra. E ainda bem. Viva o Fernando Alves! Dá gosto ouvi-lo. A ele e a muitos outros, como António Sérgio, Sena Santos, Fernando Correia e muitos, muitos outros, referindo apenas alguns exemplos bem distintos.

  2. A minha experiência é um pouco diferente: os alunos começam por não manifestar grande interesse pela rádio, mas quando a percebem e olham para ela para além do óbvio acabam por procurá-la e é curioso verificar que depois muitos tentam entrar nesse mundo.
    Também concordo: a rádio foi sempre um meio que fez as pessoas rir e chorar…

Os comentários estão fechados.