Contar histórias para ser da rádio…

Numa entrevista que deu ao Diário de Notícias, em Maio de 2001, Fernando Alves, da TSF, dizia que «hoje chegam à rádio pessoas que não querem ser da rádio»; pessoas que, segundo ele, não conhecem o gozo secreto da rádio.

Talvez seja por isso, por desconhecerem esse gozo, que a rádio é o meio menos preferido pelos alunos à saída dos cursos superiores de Comunicação/Jornalismo… ou porque já pouco há de mágico numa espécie de relação física que se mantinha com o estúdio (na mesma entrevista, Fernando Alves dizia também que «se não deres quecas com a mesa do estúdio, nunca falarás com ninguém, nunca tocarás o ouvinte»).

A propósito do casting que a RFM fez por estes dias para substituir temporariamente Carla Rocha do programa Café da Manhã, o director da estação, António Mendes, revelou ao Público (edição do P2 de hoje) um dos segredos da rádio dos nossos dias: «A estrela da rádio que gosta de passar música acabou. A rádio hoje é outra. O que procuramos são bons contadores de histórias. Alguém que consiga pôr as pessoas a rir e a chorar»… Alguém que continue a tocar o ouvinte, portanto… mas não é essa, afinal desde sempre, a natureza da rádio?