O naufrágio e o «gato» do jornalismo

cat“Foi com o intuito de garantir aos seus leitores que podiam acreditar no que liam, que Pulitzer criou o ‘Bureau of Accuracy and Fair Play‘, em 1913, no seu jornal New York World. Num artigo de 1984, na revista Columbia Journalism Review, da Universidade de Columbia, Cassandra Tate descreveu como o primeiro provedor do leitor do World detectou um padrão nas notícias sobre naufrágios publicadas nos jornais: em cada uma destas histórias havia um gato sobrevivente. Quando o provedor questionou o repórter sobre esta curiosa coincidência, este respondeu-lhe: «Num desses navios naufragados havia um gato e a tripulação regressou para salvá-lo. Eu incluí o gato na minha história, enquanto os outros repórteres não o mencionaram e os respectivos editores de secção repreeenderam-nos por se deixarem ultrapassar. Nos naufrágios seguintes, não havia qualquer gato mas os outros repórteres não quiseram correr riscos e incluíram um gato na história. Eu escrevi a notícia sem incluir o gato e fui gravemente repreendido por deixar que me ultrapassassem. Agora, sempre que há um naufrágio, todos nós incluímos o gato»

Bill Kovach e Tom Rosenstiel (2004). Os Elementos do Jornalismo. Porto: Porto Editora, p. 39