Jornalismo online = trabalho forçado

20090525_LeMonde_LesForcatsDeLinfoUm texto de Xavier Ternisien sobre o jornalista online, publicado originalmente na edição papel do Le Monde está a tornar-se o centro de uma discussão em França.
Intitulado ‘Les forçats de l’info’, o texto sugere que os jornalistas online são – pela forma como descrevem a cada vez maior interligação entre as suas vidas privada e profissional – uma espécie de escravos…ainda que consentindo (alegremente) nessa situação.
Excertos:

On dit aussi “les journalistes “low cost”“, ou encore “les Pakistanais du Web”. “Ils sont alignés devant leurs écrans comme des poulets en batterie”
(…)
Ils enchaînent les journées de douze heures, les permanences le week-end ou la nuit.
(…)
Les témoignages abondent, le plus souvent sous anonymat. Ces jeunes journalistes ont encore leur carrière devant eux et ne souhaitent pas la compromettre. C’est le cas de cette jeune femme de 24 ans, qui a travaillé de 2006 à 2008 en contrat de professionnalisation au Nouvelobs.com. Elle décrit un travail bâclé, le copier-coller de dépêches d’agence “en reformulant vaguement, sans jamais vérifier, faute de temps”.

[Sugestão recolhida aqui]

3 thoughts on “Jornalismo online = trabalho forçado

  1. Há meia dúzia de anos eu disse numa reunião para centenas de estudantes finalistas de comunicação social, no Pavilhão Atlântico, que no futuro os jornalistas seriam os novos proletários, porque a informação se tornava indústria, os autores de informação os elementos produtivos – “operários” – dessas indústrias e que as indústrias da comunicação ao se tornarem a principal actividade económica transformavam o processo produtivo da informação e jornalismo numa actividade quantitativa, desvalorizando o valor dos “conteúdos”.
    Hoje o meu receio é que a industrialização da informação e da comunicação mate de vez o jornalismo, substituindo-o por “conteúdos” dependentes (de empresas, instituições, etc.), sem regras. Sem jornalismo, o mundo será uma selvajaria.
    Eduardo Cintra Torres

  2. Não podia concordar mais com Eduardo Cintra Torres. E foi precisamente pelo deflagrar desta situação que acabei por desistir do jornalismo.

    O jornalismo já não é o que era mas, pessoalmente, considero que o mais grave é não se conseguir definir o jornalismo actual.

    Talvez o jornalismo, em decadência, anuncie o seu próprio fim. Espero que tal não aconteça, que a verdadeira selvajaria não se instale de vez.

    MC

Os comentários estão fechados.