João Mesquita, 1957-2009

Morreu o João Mesquita. Uma excelente pessoa e um grande jornalista, nem sempre compreendido ou acompanhado como merecia  (mesmo por alguns que, nestes dias, lhe prestarão homenagem…). Conhecia-o há muitos anos, trabalhei com ele de perto em vários sítios. Foi meu camarada de profissão, em todo o sentido do termo, e foi “meu” presidente no Sindicato dos Jornalistas. A ele se deve, por exemplo, a célebre iniciativa que culminou com o referendo aos jornalistas portugueses sobre a aceitação ou não de uma Ordem Profissional (a votação foi esmagadoramente contra). Ele podia e devia ter tido mais oportunidades para trabalhar na chamada grande imprensa, de onde ‘desapareceu’ ainda muito novo (e se calhar não por vontade própria). Aliás, morreu muito novo, 51 anos apenas. Tal como outros camaradas de profissão, também eu estive com ele pela última vez em Maio de 2008, no funeral de outro grande amigo e jornalista, o Torcato Sepúlveda. Estive com ele aqui, em Braga, onde ele quis deslocar-se, desde Lisboa, para acompanhar o Torcato mesmo até casa. Ironia do destino, foi aqui, precisamente nesse dia triste, que me disseram que o João estava  doente: um cancro muito complicado. Lembro-me bem do abraço cúmplice que trocámos e de como ele me disse que era uma chatice agora quase só nos encontrarmos nos funerais dos amigos, quem seria o próximo… Começam a ser muitos, e isso dói.

Se alguém quiser conhecer um pouco melhor o João Mesquita, pode ler este texto do Sindicato dos Jornalistas, esta entrevista muito completa e aprofundada, ou os depoimentos do Henrique Monteiro (“Expresso”) e do José Manuel Fernandes (“Público”) .

Um grande abraço ao João — e obrigado por tudo o que nos deu.

Advertisements

5 thoughts on “João Mesquita, 1957-2009

  1. Acabado de sair do Colégio Valsassina, onde para além de se apanhar gafanhotos e jogar á pedrada com os ciganos, também se aprendia, entre outras coisas, a tocar piano e a falar francês, ingresso no Passos Manuel (Liceu) para iniciar o ensino secundário. Escolhido por ser o estabelecimento de ensino secundário mais próximo do Conservatório Nacional, instituição onde deveria continuar a minha aprendizagem artística, o Liceu Passos Manuel foi onde o menino de colégio despertou. O despertar precoce para a vivência da luta estudantil foi uma realidade para a qual contribuíram nessa altura entre outros, a Mila, o Marcelo, o Saraiva, o Alves, o “Mancha”, mais alguns outros e claro está o Mesquita. Lembro-me bem dele, um homem feito, bigode, mais velho que eu oito anos, imagine-se eu um miúdo acabado de chegar ao secundário, conversando com o Mesquita acerca de como mudar o mundo. Sim, o Mesquita era sábio a dialogar, mesmo com os putos, tinha sempre uma disponibilidade total. Apesar de mais caustico aquando das suas intervenções plenárias (RGA’s), lembro o Mesquita como sendo alguém genuinamente bom, honesto. Á época, essa postura, valeu-lhe uma agressão cobarde e um traumatismo craniano.
    Do Mesquita , de quem apenas fui colega de liceu, tenho a convicção de que era um homem integro, e de que outros traumatismos durante a sua vida profissional sofreu, devido á sua honestidade, rigor e ética.

  2. Fui confrontado com esta Notícia escrita pelo Fidalgo: Morreu o João Mesquita. Tinha 51 anos. Mas ninguém pode morrer com essa idade e muito menos o João Mesquita. Pensei. Mas a verdade é que o João já foi.
    Um profissional exemplar que deu muito ao Jornalismo Português e quem eu tive oportunidade de acompanhar da direcção do Sindicato dos Jornalistas. Um jornalista lutador. Uma pessoa íntegra.
    Uma grande baixa na trincheira daqueles que ainda acreditam num Jornalismo Livre. Um dia a história da imprensa relatará melhor quem foi João Mesquita.

  3. Pingback: João Mesquita, 1957-2009 « Pronto Commerce

Os comentários estão fechados.