O que corre bem…

“A imprensa portuguesa não costuma dar muita importância a estas coisas, e mais uma vez não deu, mas o piloto que protagonizou o “milagre” do rio Hudson foi recebido como herói na sua terra natal, Danville, Califórnia. (…) A imagem do aparelho pousado suavemente nas águas com dezenas de pessoas sobre as asas, à espera de serem retiradas por mar, esteve nas primeiras páginas dos jornais. Com incredulidade: estariam mesmo a salvo? Nenhum ferido grave? Nenhum morto? Felizmente, e ao contrário do que é hábito, sim. Isso valeu notícias concisas mas comedidas. Se Chesley tivesse errado, se lhe faltasse o sangue-frio ou se duvidasse do método que aprendera, teríamos muito mais páginas. A contar os mortos, a questionar os porquês do acidente, a clamar por maior segurança. Esta constatação não é, sequer, condenatória da imprensa. O que se procura, na maior parte dos casos, é explicar o que corre mal para evitar novos acidentes ou erros. O que corre bem, porque é suposto que corra, não faz história”.

Nuno Pacheco, in Público, 27.1.2009

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