Surpresa no concurso para o canal 5

… e de súbito, quando os media davam praticamente por assente que só a Zon se apresentaria na sede da ERC para entregar a sua candidatura ao 5º canal de televisão aberta, eis que surge a Telecinco, oriunda dos próprios meios jornalísticos. A notícia estava, afinal, perto de “casa” mas ninguém dela soube ou a quis dar.
Era interessante que os projectos fossem tornados públicos e objecto de debate – quanto à mais-valia que trazem relativamente à televisão que hoje temos e quanto à sua viabilidade económica, em tempos de crise.
É salutar que haja dois projectos a concurso e que os marque, pelos poucos elementos que vieram a público, uma orientação (editorial e não só) bastante diferenciada.
Três perguntas suscitam os dados que foram conhecidos até agora:

  • – Que canal será aquele em que a informação ou parte dela é produzida em regime de outsourcing? (Zon)
  • – Que condições de viabilidade pode ter, na sociedade portuguesa, um canal “de referência”? (Telecinco)
  • – Quem são os financiadores do Telecinco, que estão por detrás de Carlos Pinto Coelho, David Borges, João Salvado e Rangel?

Seria interessante que os media (e os protagonistas das candidaturas, naturalmente) nos esclarecessem a este respeito.

Ler, sobre o assunto:
Marcação à Zon origina duas candidaturas ao 5.º canal, de João Alferes Gonçalves, no site do Clube de Jornalistas

6 thoughts on “Surpresa no concurso para o canal 5

  1. Seria interessanta saber, de facto. Não que seja ilegal, ou mesmo imoral, ter financiadores; mas deveria ser transparente, isso com certeza. Como Angola (leia-se: familia dos Santos & Companhia) está cheia de dinheiro e a investir pesadamente em Portugal, inclusive na comunicação social, não seria de estranhar…

  2. Acima de tudo uma grande curiosidade.

    Em saber como vai sobreviver mais um canal televisivo num meio economicamente frágil como o português.

    Em saber que papel poderá ter no contexto informativo, quando existem dois canais exclusivamente dedicados à informação.

    Em saber se, o que afirmou Carlos Pinto Coelho de que «é preciso fazer uma aposta em “mais cabelo branco” nas redacções da televisão», ao mesmo tempo que refere ser esta «uma grande aposta na juventude», será concretizado.

    Apesar de tudo, gostaria de saudar o aparecimento de mais um orgão de Comunicação Social, numa altura em que um grupo editorial dispensou 120 jornalistas(!!!!), muitos deles de créditos firmados.

  3. Teremos duas candidaturas opositoras? De verdade?
    E se estivessemos perante dois produtos diferentes, a disputar o mesmo canal, no mesmo concurso, mas… com os mesmos “peões” no tabuleiro!?

  4. …Mais uma “achega”:
    Pertinente a sua questão do “outsourcing”, que me parece ser uma realidade a chegar um pouco a todo o lado… até á informação!
    Sim. Também estou curioso!

  5. O “outsourcing”, pelo que li, seria aparentemente absurdo, pq quer dizer “receber material da RTP, SIC e TVI” !!!

    A questão das candidaturas falsamente opositoras, também faz sentido. A ligação a África também assenta muito bem (vejam a proveniência de D. Borges, C.Pinto Coelho, e, claro, Rangel, de forma directa ou indirecta.).

    O curioso é o facto de Rangel se ter tornado numa não-presença. Desde a sua saída da RTP é difícil alguém assumir Rangel como bandeira. Não deu a cara pela “reestruturação” da TSF (2003), que preparou a estação para ser vendida à Controlinveste; foi vagamente falada a sua actuação como consultor da TV privada (?) em Angola; e agora, passado pouco tempo de se ter tornado claramente pública a sua colaboração com a Zon, logo esta se apressou a anunciar que o projecto por ele elaborado tinha sido abandonado. C. Pinto Coelho assumiu-o como “bem vindo” … se quiser entrar …

    O que não faz sentido é perguntar como vai ser, logo agora que despediram 122 (e não eram todos jornalistas, talvez metade) da Controlinveste.

    O grande problema está na Imprensa e em todos os meios que não aceitam o novo paradigma que tem por base uma palavra : CONVERGÊNCIA. Lutar contra esta evidência é inútil. Há que agir ( e discutir tudo ) dentro do novo cenário.

    A televisão é um meio cada vez mais ágil. Em crescente cruzamento com a Internet. Quem julgar que o futuro público vai ser igual ao de hoje, já parte de um erro.

    Uma questão a discutir é a da publicidade na RTP-1. Se sim, é concorrência (algo) desleal. Se não, deixa completamente nas mãos dos governos a sua orientação.

    Mas há quem o faça – BBC. Com resultados.

    Pergunto : e não tem a RTP (umas vezes mais, outras vezes menos) estado sempre de baixo da influência dos governos ?

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